DA REDAÇÃO: Analista acredita que projeções da USDA sobre as áreas de plantação e estoques de soja estão super estimadas

Publicado em 01/07/2014 17:04 e atualizado em 02/07/2014 10:49 2279 exibições
Soja: preços podem até cair no curto prazo mas aumento da demanda, menor pressão dos fundos e retração vendedora devem ajudar na recuperação. Apesar de possíveis novos patamares nas cotações, produtores brasileiros ainda terão renda com a nova safra.

A soja voltou a cair, nesta terça-feira (1º de julho), na CBOT (Bolsa de Chicago) após a divulgação na última segunda-feira do relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos),  que informaram o crescimento das áreas de cultivo do grão (34,2 milhões de hectares) e que os estoques trimestrais (físicos) do produto estão acima das expectativas do mercado. Os cálculos iniciais dão conta de que se podem acrescentar à produção algo em torno de 5 a 6 milhões de toneladas a mais do que estava sendo previsto anteriormente. Ou seja, a safra norte-americana poderia chegar a 104 milhões de toneladas.

Esses dois fatores fizeram os preços da soja despencar no mercado. Nesta terça-feira, as perdas foram um pouco menores que ontem. Os contratos para agosto/14 recuaram 2 pontos até o final do dia, fechando a US$ 3,27 por buschel e os para março/15, que são referência para o Brasil, fecharam a US$ 11,63 (queda de 7,25 pontos). 

Segundo postagem do analista de mercado da Sim Consult, Liones Severo, no site “Notícias Agrícolas”, os números divulgados pelo USDA foram exagerados. Segundo Severo, o relatório surpreendeu o mundo em virtude do crescimento das áreas de cultivo e a produção de soja no ano passado estima-se que será corrigida no próximo relatório do dia 10. “Eu discordo disso porque que quem acompanha a área norte-americana sabe que existem áreas de reservas e áreas marginais. Essa pesquisa foi feita com base em 1º de julho, então não inclui algumas áreas alagadas, que chegam a quase dois milhões de acres”, disse o analista.

Para o analista, os produtores norte-americanos vivem uma situação difícil nos últimos dois anos, com a queda acentuada da rentabilidade deles, com a valorização das terras e de grandes investidores adquirindo terras norte-americanas e isso fez crescer muito o custo do arrendamento. Por outro lado, as rendas dos produtores dos EUA também  está vinculada às políticas do país de subsídios, financiamentos e seguros agrícolas. “Se não houver uma redução de áreas, haverá uma redução de rendimento, pois existem muitas áreas impróprias dentro desse cenário”, analisou Severo.

O preço indenizatório do seguro de garantia do governo supera o preço anunciado, ficando acima do preço que está disponibilizado na bolsa. Muitas das áreas que poderiam ser replantadas também não serão, pois não vale a pena o produtor gastar replantando uma área quando ele tem um valor indenizatório maior que o de mercado. “É muito fácil entender que os produtores vão optar pelo abandono quando a área estiver com algum problema. Isso tem sido muito normal. Os produtores não correm risco porque se eles replantarem essa área é perdido o valor do seguro”, explicou.

De acordo com o relatório do órgão norte-americano, eles chegariam a uma produtividade acima de 51 toneladas por hectare, o que seria uma produção muito cheia. “Pela minha experiência de mercado, eu sempre considero um desconto de 5% em cima de uma área de lavoura, por se tratar sempre de uma questão muito complicada e que sempre apresenta perdas. O histórico também diz que apenas 19% das áreas que foram bem plantadas terminam bem colhidas, ou seja, com produção cheia”, analisou Severo. 

O analista da SimConsult lembrou também que o departamento norte-americano manteve no relatório o consumo nas mesmas bases do ano passado, que não são exatas. Os mercados consumidores hoje consomem soja a US$ 14,40/US$ 14,50. Com a soja sendo negociada muito abaixo dos valores dos últimos anos - que é acima de US$ 13,50/média – certamente haverá uma expansão de consumo, acredita Severo.
Diante desse novo cenário, com o relatório divulgado pelo USDA, o mercado manterá momentaneamente o preço das soja baixo, mas isso não significa que o valor não se elevará no futuro próximo. 

Situação no Brasil
Nesta terça-feira, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) divulgou que o custo de produção de introdução da lavoura no estado deverá aumentar 5% neste ano, o que indica que o produtor trabalhará a algo em torno de R$ 2.400 por hectare. Ou seja, se o produtor não foi bem remunerado, ele não vai aumentar a área. “A soja é a commoditie agrícolas mais importante descoberta no século passado e hoje ela é o motor mundial da humanidade”, analisou. “Temos um mercado muito bem demandado e não vai sobrar toda essa soja que os americanos afirmaram que possuem em estoque e também eles não vão produzir tudo aquilo que estão dizendo”, acredita Severo.

O analista tranquiliza os produtores afirmando que não tem muito mais o que diminuir em relação ao preço, pois os produtores já têm suas produções compradas. “Temos apenas que prestar atenção porque quem poderia derrubar mais esse mercado? Os fundos já venderam, os produtores brasileiros e americanos não vão vender e se o fizeram não será o suficiente para derrubar esse mercado, que possui uma dimensão estupenda”, afirmou. “O produto é soberano. Se o produtor brasileiro fizer uma boa gestão comercial da sua soja poderá ter excelentes resultados. Não precisa ser pessimista porque o mercado é muito maior do que se comenta e do que se diz”, falou o analista da SimConsult. 

Por:
Aleksander Horta // Fernando Pratti
Fonte:
Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Glauber Silveira Campos de Julio - MT

    como sempre uma bela analise feita pelo grande analista Liones. parabens

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