Custos de Produção não devem ser encarecidos com alta dos juros no novo Plano Safra; dólar preocupa

Publicado em 10/03/2015 10:19 e atualizado em 10/03/2015 14:10
337 exibições
Altas dos juros no novo Plano Safra não devem onerar mais os produtores na hora de fecharem seus custos de produção. Preocupação se volta para a disparada do dólar frente ao real, que se agrava à medida em que a crise política do Brasil não sinaliza qualquer mudança efetiva. Veja o comentário de Telmo Heinen.

O anúncio da ministra da Agricultura, Kátia Abreu, na segunda-feira (09) durante a abertura da Expodireto não pegou os produtores de surpresa. Entre as principais medidas está a garantir a liberação de R$ 1,5 bilhão para financiar, a juros de 4,5%, na compra de máquinas agrícolas pelo programa Moderfrota.

Segundo Telmo Heinen, desde o anúncio do novo ministro da Casa Civil, Joaquim Levi, em novembro de 2014, já era esperado pela classe produtiva que houvesse reajuste nos juros do BNDES e dos créditos rurais. Sendo assim "o juros por si só não representam o maior custo, mas sim outros custos indiretos que são atrelados à liberação dos contratos de financiamento", explica.

Dessa forma, o que prejudica os custos do produtor rural no momento é a valorização do dólar - que já alcançou aos R$ 3,12 - incidindo diretamente em produtos essenciais para a produção na nova safra. 

Com isso, o governo federal declarou que a desvalorização do dólar só será possível por meio de uma solução política, contudo para Heinen "isso está fora de cogitação porque uma solução política seria o país voltar a ter credibilidade, mas a presidente não será capaz de reverter às mentiras que já pregoou", declara.

O aspecto principal que influência na alta do dólar, é econômico, haja vista que o Brasil possui - segundo Heinen - 371 bilhões de dólares em reservas, a qual a maioria desse valor está aplicada em fundos de diversos países. Porém esses "fundos de credibilidade geralmente tem entre suas funções, aplicar o dinheiro somente em economias de baixo grau de risco, ou com recomendação de investimento", com isso, caso o país fosse considerado economia de risco os fundos removeriam o dinheiro injetado, causando uma corrida ao dólar físico.

Além disso, segundo ele, é preciso que o Banco Central entre no mercado ofertando dólar para que haja queda no preço, pois as entidades estão apenas fazendo hegde para se proteger, dessa forma a tendência é a valorização continuar.

 

Custos de produção

A alta do dólar impacta diretamente nos preços dos insumos agrícolas e em um levantamento realizado pela Scot Consultoria, mostra que há uma perspectiva de alta nos preços dos fertilizantes para o Brasil, onde a tonelada da ureia, por exemplo, ficou em média R$ 1.242,38 sem o frete - com referência de fevereiro.

No entanto, Telmo alerta que a ureia é produzida no Brasil e sua matéria prima é o petróleo -  que está em baixa - dessa forma a referência pode estar desatualizada. Além do mais "a ureia não é um produto de plantio, então o produtor pode empurrar a compra dele mais para frente e fazer a cobertura na planta com certa idade", explica.

"A analise principal deve se relacionar principalmente ao cloreto de potássio, que 80% é importado, e em segundo lugar os fosfatos, que tem uma produção nacional relativamente grande, mas tem muito exportação", explica Heinen que considera os dois produtos indispensáveis na analise de custos de produção.

 

Crise Política

No Brasil, a manifestação marcada para o próximo domingo (15), pedindo impeachment da Presidente Dilma, segundo Heinen, dependerá da analise do grande público as notícias que sairão durante a semana. "E como ela (presidente) não irá se redimir as mentiras, certamente mais gente irá ao protesto", considerou.

No cenário internacional, os Estados Unidos declarou nesta segunda-feira (10) a Venezuela como ‘ameaça à segurança nacional’, impondo sanções a sete pessoas ligadas ao governo venezuelano que estiveram, segundo Barack Obama, envolvidos em casos de violação de direitos humanos, liberdade de expressão e corrupção.

"É curioso porque a Venezuela, é um grande fornecedor de petróleo aos americanos, então não dá para entender os negócios são feitos a parte será?", questiona Telmo Heinen.

Além disso, a Venezuela importa a maioria dos artigos necessários para a população e a desvalorização do barril de petróleo prejudica significativamente a economia do país, haja vista que recentemente os Estados Unidos também começaram a extração do gás de xisto - desvalorizando ainda mais o produto venezuelano. "Eles dependem de dinheiro americano, mas ficam reclamando deles", completou Telmo.

Por: Carla Mendes e Larissa Albuquerque
Fonte: Notícias Agrícolas

Nenhum comentário