ENTREVISTA: Confira a entrevista com Marco Aurélio Tavares - Consultor de Mercado sobre o mercado do Arroz

Publicado em 03/11/2011 11:40 e atualizado em 03/11/2011 15:08 227 exibições
Arroz: Expectativa é de melhora no mercado com entrada de contratos de opções para o final deste ano. Plantio da próxima safra no Brasil está atrasado e País deve ter quebra de produção. América do Sul também terá produção menor e inundações na Ásia já comprometem produção mundial.
Após cinco semanas de alta, o mercado de arroz trabalha em aparente estabilidade com a redução dos leiloes de PEP devido aos menores valores dos prêmios estipulados pelo Governo.

Hoje, o cenário para o produtor é de dificuldades para obtenção de crédito, que os leva as vendas de arroz neste período. No entanto, o mercado poderá ter um novo rumo nos preços através dos contratos de opções, nos quais o produtor terá a oportunidade de vender seu arroz a R$29,50 para com Governo com vencimentos para novembro e dezembro. Segundo o analista do mercado de arroz, Marco Aurélio Tavares, o cenário das opções governamental irá interferir diretamente nos preços do mercado privado, principalmente nas regiões que o produtor se organizou junto aos armazenadores para que houvesse credenciamento dos mesmos junto à Conab. “Só em opções, há estimativa de vencimentos de 900 mil toneladas para os próximos dois meses. Esse arroz não será escoado ao mercado, sendo destinado aos estoques oficiais”, explica Tavares.

No Rio Grande do Sul, a redução dos mananciais hídricos em regiões produtoras também deve comprometer a produtividade das lavouras. Regiões importantes na produção no Estado terão cerca de 200 mil hectares a menos de água disponível para a produção, o que deve resultar na quebra de 15% da safra. Além da falta de recurso hídricos, a produtividade pode ser menos por que o produtor está descapitalizado, sem acesso a crédito, e, consequentemente, irá colocar menos insumos em sua lavoura. De acordo com Tavares somente o adubo e a ureia, insumos de grande importância para a produtividade, representam 60% dos custos de produção do agricultor.

Outra variável também deve influenciar a quebra na produção de arroz no Estado. Segundo dados do Irga, hoje, o Rio Grande do Sul possui cerca de 35% da área destinada ao cultivo de arroz semeada, número 50% menor do que o observado no mesmo período do ano passado.

Preços

Os contratos de opções do Governo devem melhorar a remuneração para o produtor de arroz. Hoje, o preço mínimo é R$25,80, mas os praticados não passam dos R$25. Com as opções, o produtor poderá receber nestes dois últimos meses do ano valores na faixa dos R$29. No entanto, Tavares adverte que este preço depende também do produtor que adquiriu opções conseguir colocar seu produto em armazéns credenciados pela Conab. “Temos uma dificuldade de aferir a quantidade de armazéns disponíveis hoje junto a Conab para credenciamento e, consequentemente, para receber esse produto. Não se tem ideia dessa numero, mas nos últimos 40 dias a Conab aceitou uma demanda importantíssima das entidades da produção de aceitar como garantia provisoriamente, ou seja, para agilizar o processo de credenciamento, que as unidades armazenadores possam dar a calção como garantia 50% do valor que ela receberia da Conab pelo armazenamento”, explica o analista.

Tavares explica que a cultura de arroz hoje é a que mais oferece risco ao produtor e que este deve buscar a racionalização de seus custos, através do planejamento apurado, antes do plantio.

Mercado Externo

Segundo Tavares, o Mercosul terá redução em sua produção em torno dos 20% e os preços no Brasil devem sentir a pressão dessa quebra. Já na Ásia, os problemas climáticos também têm comprometido a produção de arroz. A Tailândia, principal exportadora do grão mundial e concorrente direta do Brasil, teve sua maior enchente dos últimos 50 anos, com perca de 1,5 mi de hectares. O cenário deve favorecer diretamente as exportações brasileiras.

Por:
Ana Paula Pereira
Fonte:
Notícias Agrícolas

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