Índia é mercado potencial para importação de frango brasileiro, mas taxas ainda atrapalham

Publicado em 24/01/2020 16:34
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Segundo Domingos Martins do Sindiavipar, o produto brasileiro comprado pela Índia ano passado teve boa aceitação, e hábitos de consumo da população estão mudando
Domingos Martins - Presidente do Sindiavipar - PR

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Entrevista com Luiz Fernando Gutierrez Roque - Analista da Consultoria Safras & Mercado sobre o Mercado de frango

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A Índia representa um mercado promissor para o Brasil, e especificamente para o setor avícola, há um potencial de aumento de demanda pela grande população e pelas mudanças de hábito de consumo devido à melhora no poder aquisitivo. 

De acordo com Domingos Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), estado que mais exporta proteína de frango do país, a missão presidencial com a presença da ministra da Agricultura Tereza Cristina na Índia é de extrema importância para divulgar o produto brasileiro.

Segundo ele, no ano passado foram exportadas 33 toneladas de frango resfriado para o país, volume baixo e em caráter experimental, mas com boa aceitação pela população indiana. 

"É um mercado que promete, porque a população é grande e só aumenta, mas o que preocupa é que eles estão acostumados com a ave resfriada, e não congelada, como nós costumamos exportar", disse.

Apesar disso, uma mudança de hábito não é algo descartado por ele, que ainda assim espera que em alguns anos o frango brasileiro esteja presente em maior quantidade na Índia. 

Outro entrave para a exportação são as taxas impostas pela Índia, inclusive citadas pela ministra em entrevistas, que são de 100% sobre o valor dos cortes da ave congelados e de 30% para o frango inteiro congelado. "Não sei se temos condições de absorver estas taxas, mas se houvesse uma boa redução ou até isenção por meio de algum acordo, seria o melhor dos mundos", afirma Martins.

Apesar destes desafios, o presidente do Sindiavipar ressalta a questão sanitária, que dá ao frango paranaense abertura e permanência nos mercados externos. No início deste mês, a Índia registrou casos pontuais de gripe aviária, e se a situação se agravar, segundo Martins, o país deve ficar mais dependente de importações, o que pode favorecer o Brasil.

"É muito importante essa missão do governo brasileiro para poder mostrar o potencial do nosso agronegócio. Não podemos ficar dependentes de apenas um mercado, é preciso diversificar e abrir mais frentes, como nossa ministra está fazendo", disse.

Sobre o potencial de crescimento da avicultura do Brasil para atender a Índia, caso haja uma facilitação de comércio entre as partes, Martins afirma que o país tem, sim, condições de crescer em produtividade e com qualidade para ingressar neste mercado e permanecer.

 

Por:
Letícia Guimarães
Fonte:
Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Matteus Sanches Santa Cruz do Rio Pardo - SP

    Acredito muito no potencial brasileiro de ser o principal, senão um dos principais atores globais no fornecimento de proteína. Cabe descobrir se seremos fornecedores de carne ou de insumos para produção de carne. Acredito que a segunda opção é a que predominará, não deixando a primeira de ganhar cada vez mais relevância. Explico: vejamos o caso da Índia, que impõe barreiras protecionistas à carne de frango. Acredito que a maioria dos países que não são autossuficientes na produção de alimentos adotem esse tipo de barreira no que tange à carne, já que a produção deste produto é capaz de gerar muito empregos internamente. Nenhum País quer perder a oportunidade de fazer isso. Soma-se a isso o custo de transporte da carne, que é mais caro que o transporte de grãos. Enfim, acredito que o País deva buscar mais alternativas para exportação da sua carne, mas entendo que a exportação de grãos atende melhor aos interesses internacionais, os quais também devemos nos atentar.

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