Suinocultor independente paulista viu preços despencarem 22% em janeiro

Publicado em 03/02/2020 11:54
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Somado à queda nas cotações, produtor tem dificuldade com a alta do milho e do dólar, que influencia na compra de medicamentos e vacinas
Valdomiro Ferreira - Presidente APCS

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Entrevista com Valdomiro Ferreira - Presidente APCS sobre o Mercado suínos SP

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As quedas nos preços do suíno e o aumento nos custos de produção fizeram de janeiro um mês negativo para o suinocultor paulista, com perda de 22% no valor da arroba do animal, conforme explica o presidente da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), Valdomiro Ferreira. Ele destaca a alta no preço da saca de milho e do câmbio, este último, influenciado pelo problema sanitário com o coronavírus, vivido pela China. 

Segundo Ferreira, entre o final de dezembro de 2019 e o fim de janeiro deste ano, houve uma queda nominal de 22% no preço da arroba suína, antes comercializada a R$ 122, e agora, a R$ 95. Soma-se a isso um aumento de 6% na saca de 60kg de milho, cotada em São Paulo em R$ 48,62 no fim do ano e R$ 51,54 no dia 30 de janeiro. 

"A relação de troca entre o preço da arroba suína e a saca de milho não está boa para o produtor. Enquanto o ideal é poder comprar 2,5 sacas de 60kg de milho com o valor de uma arroba suína, com o preço que tremos hoje, conseguimos comprar 1,8 sacas", explica.

Além destas questões, Ferreira ressalta que o surto de coronavírus, mais agravado na China, mexeu com a economia global e, por consequência, com o câmbio.

"Essa questão do câmbio mais alto é o primeiro impacto que a gente sente em relação ao surte dessa doença, porque boa parte dos nossos custos de produção se refere a medicamentos, vacinas, aminoácidos, que são produtos dolarizados", afirma.

Apesar do resultado negativo no mês de janeiro, a expectativa é que fevereiro tenha um início de estancamento nas quedas das cotações e, posteriormente, uma recuperação nos preços. Entre as razões para uma perspectiva melhor para este mês está a entrada dos salários, que melhora a demanda da população por proteínas animais, o que deve aquecer as vendas do suíno no atacado, e a volta no aumento do ritmo das exportações.

GRIPE AVIÁRIA NA CHINA

Além do coronavírus, a China registrou neste sábado um caso de gripe aviária H5N1 em uma cidade próxima a Whuan, o epicentro do surto de coronavírus. Na propriedade onde o problema com as aves foi registrado, das 7.850 galinhas da granja, 4,5 mil morreram. Autoridades da área da agricultura do governo chinês abateram mais 17.828 aves nas proximidades onde o surto de H5N1 foi registrado.

O país asiático já vem enfrentando problemas de abastecimento de proteínas animais por causa da Peste Suína Africana, que no ano passado dizimou quase metade do plantel de suínos no local. Sendo assim, a avicultura no país começou a ascender, mas agora, há mais uma questão sanitária para ameaçar o suprimento na China.

Segundo Ferreira, ainda é cedo para estimar o quanto estes dois problemas (com aves e suínos na China) podem afetar as exportações brasileiras para os chineses, que despontaram como maiores clientes para estes dois produtos no Brasil no ano passado.

"Teremos que acompanhar diariamente, semanalmente as notícias e levantamentos do que está acontecendo na China para termos noção de como isso deverá nos afetar", afirma.

FRANGO: GRIPE AVIÁRIA NA CHINA DEVE IMPULSIONAR PREÇOS E GERA RISCO PARA PRODUÇÃO

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A confirmação de um caso de gripe aviária H5N1 na província chinesa de Hunan, no último sábado, pode elevar ainda mais os preços da proteína no país. A China ainda passa pelo surto de peste suína africana (PSA), que reduziu em pelo menos 40% o rebanho de suínos. No entanto, parte deste déficit de carne foi compensado pelo aumento na produção de frango. Agora, o surto da gripe aviária gera um risco para a produção da ave também. De acordo com os dados mais recentes, referentes a 23 de janeiro, o quilo do frango estava sendo negociado a 18,59 yuans (US$ 2,69). 

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GRIPE AVIÁRIA: OIE NOTIFICA PRIMEIRO FOCO DA DOENÇA EM ISRAEL 

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A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, na sigla em inglês) notificou a ocorrência do primeiro foco de gripe aviária em Israel. O vírus identificado foi o H5N8 - considerado altamente patogênico pelos organismos de saúde. A fonte ou origem da infecção ainda é desconhecida, conforme a OIE.

De acordo com a OIE, o caso foi comunicado pelo Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural em 1º de fevereiro. O surto envolveu apenas aves selvagens.

Além do caso reportado hoje, a OIE já confirmou o surto na Ucrânia, República Checa, África do Sul, Romênia, Polônia, Índia, Eslováquia, Hungria e China. Os avisos de notificação da organização sobre a ocorrência da doença se acentuaram desde o início do ano.

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Por:
Letícia Guimarães
Fonte:
Notícias Agrícolas

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