Possível aumento de taxa sobre o frango brasileiro importado pela África do Sul pode não prejudicar o Brasil

Publicado em 12/02/2020 15:25
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Segundo Ricardo Santin, principal corte comprado pelo país está fora do possível reajuste; redução nos volumes embarcados não afetou o mercado de frango no Brasil
Ricardo Santin - Diretor Executivo ABPA

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Taxação do frango brasileiro na África do Sul - Entrevista com Ricardo Santin - Diretor Executivo ABPA

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A intenção da África do Sul de aumentar a taxação sobre determinados cortes de frango importados pode não afetar drasticamente o Brasil, conforme explica o diretor-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin. Segundo ele, a maior parcela de carne de frango exportada do Brasil para o país é de Carne Mecanicamente Separada, produto que não vem sendo citado como alvo de aumento. 

Na semana passada, a Bloomberg divulgou que a Associação de Avicultura da África do Sul solicitou ao governo local que as taxas para cortes de frango congelados com osso passem de 37% para 82%, e para cortes desossados congelados, de 12% para 82%, medidas que seriam direcionadas ao Brasil e Estados Unidos.

"Isso é um assunto que já vem sendo aventado desde o ano passado, e isso inclusive já causou a diminuição de exportações de frango para lá, já que o exportador brasileiro fica receoso, sem saber se quando o produto chegar ao destino final, será taxado acima do que era antes", explica Santin. 

De acordo com dados da ABPA, em 2018 a África do Sul era o 4º país que mais importava a proteína do Brasil, e em 2019, passou a ser o 5º, com uma redução de cerca de 18% no volume, o que representa menos 60 mil toneladas. 

Apesar da redução e da possibilidade de aumento da taxação, Santin adverte que ainda não foi estipulado quanto essas tarifas podem aumentar e nem quando isso passaria a vigorar.

Outro ponto levantado pelo diretor-executivo é que, mesmo com essa queda nas importações da África do Sul, o Brasil tem compensado com vendas para outros mercados. 

"Essa redução de 2019 em relação ao ano anterior não afetou o Brasil, não houve excedente de produto no Brasil, tanto por causa de vendas no mercado externo quanto no interno", disse.

A medida é classificada por Santin como protecionista, e para ele, a indústria de frango sul-africana não é eficiente e nem tem a qualidade da brasileira. "Estramos fazendo, em parceria com os Estados Unidos, um trabalho de relações públicas na África do Sul, que é nosso importados há muitos anos, para reforçarmos que as importações são importantes para manter o equilíbrio da inflação no país e garantir a segurança alimentar da população com produtos de qualidade, o mesmo que servimos para as nossas famílias aqui no Brasil".

QUESTÕES SANITÁRIAS

De acordo com Santin, a Europa é um grande exportador de frango para a África do Sul, mas tem salvaguardas quando o assunto é taxação de produtos. Entretanto, o leste europeu, como a Polônia e a Ucrânia, já têm casos de gripe aviária de alta patonegicidade. 

"Nós não comemoramos os problemas que outros países sofrem, mas com esses casos, e com o status sanitário que o Brasil tem, acredito que seja um ponto a ser considerado na tomada de decisão sobre subir as taxas para o produto brasileiro", afirma. 

Sobre a crise sanitária que a China atravessa, atingida pela Peste Suína Africana, corobavírus e, agora, alguns casos de gripe aviária, Santir afirma que a demanda por proteína animal brasileira deve aumentar.

"Em janeiro nós tivemos um aumento de 15% no volume de frango embarcado para a China e 41% na carne suína, em comparação a janeiro de 2019. Agora, o que temos visto, é um retardamento no processo de compra, por causa do feriado do ano novo lunar e dessa dificuldade de cirdulação de mercadorias na China, mas não houve paralisação ans compras", afirmou.

 

Por:
Letícia Guimarães
Fonte:
Notícias Agrícolas

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