Recomposição de plantéis suínos na China devem mostrar reflexos apenas no final de 2021

Publicado em 02/03/2020 15:29 908 exibições
Marcelo Lopes - Presidente ABCS
Primeiro semestre deve ser de declínio na produção chinesa, mas recuperação na segunda metade do ano não tratá efeitos a curto prazo, afirma especialista

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Entrevista com Marcelo Lopes - Presidente ABCS sobre o Mercado de Suínos

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Apesar da perspectiva do Rabobank de retomada na produção de suínos na China a partir do segundo semestre deste ano, os reflexos desta recuperação só devem ser percebidos no final de 2021, conforme explica Marcelo Lopes, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS). 

Segundo estudo do Rabobank divulgado no final de fevereiro a respeito das perspectivas globais da Peste Suína Africana (PSA) em 2020, a doença deve continuar moldando o mercado de proteína animal no mundo todo. 

Conforme o estudo, o primeiro semestre na China deve ser de continuidade no declínio de produção de suínos, o que deve ser revertido na segunda metade do ano. Somado à PSA, o país enfrenta um surto do novo coronavírus (Covid-19), que prejudica as importações feitas pelo país. Entretanto, no segundo trimestre a situação deva começar a se normalizar. 

De acordo com Lopes, como a PSA está começando a ser melhor compreendida pelos suinocultores chineses, inclusive com redução no número de novos casos, segundo o Rabobank, o país asiático começa agora a repovoar as granjas. Entretanto, até que os novos animais estejam preparados para o abate, leva tempo, o que deve começar a acontecer no fim de 2021. 

Por conta disso, a China deve continuar sendo protagonista nas importações de proteína animal ainda no médio prazo, conforme o presidente da ABCS afirma. "Nós tínhamos uma perspectiva de melhora nas exportações de carne suína para a China em abril/maio, mas por causa deste surto do coronavírus, da dificuldade logística, acredito em uma retomada mais forte a partir do segundo semestre", explica.

Para Lopes, a crise pela qual o país asiático passa é tão severa que, mesmo com o acordo comercial celebrado entre China e Estados Unidos, ainda há espaço para o produto brasileiro, que conta com um status sanitário diferenciado e já tem espaço consolidado no mercado externo. 

"Neste primeiro momento, há o problema da logística, com cargas paradas nos portos, mas aqui no Brasil já temos contratos fechados com a China, e aguardamos a normalização para embarques", conta.

MERCADO INTERNO

De acordo com Lopes, é justamente essa grande demanda no mercado externo pelo suíno brasileiro que tem sustentado os preços internamente. 

"Em janeiro nós vimos preços mais baixos, em fevereiro os valores melhoraram, e o que deve se seguir daqui para frente é um movimento de sustentação de preços". 

CUSTOS DE PRODUÇÃO

Apesar da boa demanda para o produto, os suinocultores continuam enfrentando o desafio dos custos de produção, principalmente no que diz respeito à alimentação. Os custos de farelo de soja e milho correspondem hoje, segundo Lopes, a 70% da conta do suinocultor.

"Há uma preocupação porque os preços já estão altos, o dólar está alto e não temos estoque de milho. A atratividade da exportação da soja, pelo dólar alto, e a demanda por milho para produção de etanol acabam pressionando", afirma.

Segundo ele, é importante que o suinocultor invista em tecnologia, sanidade e fique atento ao mercado futuro de grãos, principalmente na janela de entrada do milho safrinha, para garantir estoques com preços melhores. 

 

Por:
Letícia Guimarães
Fonte:
Notícias Agrícolas

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