Projeção Fiesp: carne bovina deve se tornar "artigo de luxo" e carne suína e de frango tomarão espaço

Publicado em 09/07/2020 16:54 e atualizado em 09/07/2020 17:41 1132 exibições
Roberto Betancourt - Diretor Titular do Departamento de Agronegócio da Fiesp
Em contrapartida, exportação da proteína bovina é a que mais deve aumentar até 2029, chegando a 102%

Podcast

Entrevista com Roberto Betancourt sobre o Cenário do mercado de granjeiros

Download

LOGO nalogo

De acordo com o diretor do departamento de Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Betancourt, a carne bovina deve perder espaço no mercado interno para as concorrentes, a proteína suína e avícola, além dos ovos. A instituição publicou nesta semana o Outlook Fiesp 2029, que traz perspectivas para o agronegócio brasileiro entre 2018 a 2029.

"A carne bovina vai se tornar artigo de luxo, vai passar a atender mais o mercado de exportação, e as demais proteínas de origem animal, como frango, suíno e ovos, devem tomar parte desse espaço", explicou. 

Conforme o estudo aponta, enquanto a carne bovina tem previsão de aumentar 12% no consumo doméstico até 2029, a perspectiva de avanço para a carne de frango é de 21%, de carne suína em 27%, e de ovos, acréscimo de 47% na demanda doméstica.

Apesar da expectativa do aumento do consumo de proteínas de origem animal no mercado interno, Betancourt explica que como é uma previsão de longo prazo, não é levado em conta questões pontuais da economia, como a atual retração por conta da pandemia do coronavírus.

Para ele, o incremento na demanda doméstica é uma combinação de melhor poder aquisitivo da população, maior oferta de produto em âmbito doméstico e a saudabilidade dos alimentos. 

No caso das exportações, os volumes de carne bovina devem crescer 102% até 2029; a expectativa de aumento para os embarques de proteína suína é de 68%, e para a carne de frango, 48%. 

"Hoje a exportação de carne suína é a que mais depende de um mercado mais regionalizado, que é a China, e é claro que o país asiático não quer ficar totalmente preso a um só vendedor, e isso nem é sustentável também", explica.

Na opinião do diretor, é preciso que ao longo dos anos o Brasil diversifique as parcerias comerciais, uma vez que a Chiba, eventualmente, vai se recuperar da crise com a Peste Suína Africana (PSA), apostando em uma suinocultura mais tecnificada. "A China vai seguir importando enquanto trabalha nessa retomada, mas os volumes podem diminuir", disse.

 

Por:
Letícia Guimarães
Fonte:
Notícias Agrícolas

0 comentário