Produção mundial de trigo tem quebra de 35 milhões de t até o momento, enquanto demanda aumenta 140 mi de t e busca alternativas

Publicado em 11/10/2018 11:09 e atualizado em 11/10/2018 14:55
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Cenário ajustado entre oferta e consumo pode perdurar por alguns anos até recomposição e manter sustentação aos preços. Produção menor nos cinco principais exportadores pode, inclusive, migrar parte da demanda para o Brasil, como já foi observado este ano.
Marcelo De Baco - Corretor de Mercado De Baco Corretora de Mercadorias

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Entrevista com Marcelo De Baco - Corretor de Mercado De Baco Corretora de Mercadorias sobre o Mercado do Trigo

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A queda na produção mundial do trigo influenciou na alta dos preços internacionais, em que a perda está estimada em 35 milhões de toneladas. Já no Brasil, os custos de produção aumentaram nesta temporada devido ao câmbio.

De acordo com o Corretor de Mercado De Baco Corretora de Mercadorias, Marcelo de Baco, são necessárias três safras para recuperar a perda. “Essa perda não se recupera apenas com uma nova temporada e não existe uma nova safra de um único país que pode ser substituir o que foi perdido”, afirma.

Os países que são importadores têm menos estoque e os exportadores com baixa produção. “Provavelmente, não será nessa primeira colheita de trigo no inverno no hemisfério norte que conseguirá repor todo o estoque. Nós vamos ter três safras de preços interessantes e o mercado mundial pode buscar abastecimento no Brasil”, diz.

O corretor ainda salienta que os preços do trigo na bolsa estão muito sobrecarregados por conta do mercado estar precificando. “Os dez maiores importadores precisam importa cerca de 45 milhões de toneladas enquanto o mercado perdeu 35 milhões. Embora os números não sejam tão lineares tem um descasamento entre a oferta e demanda”, pontua.

No entanto, muitos produtores rurais brasileiros ficaram desestimulados a investir no trigo por conta da baixa liquidez e das perdas de produtividade. “Neste ano, nós tivemos países importadores que produzem alguma quantidade de trigo, como é o caso do Brasil, que reduziram a produção em função das doenças e o clima”, comenta.

Nos últimos anos, o trigo perdeu 20 milhões de hectares de área para outras culturas e dificilmente o produtor volta a investir no grão. “Nós já tivemos todos os tipos de preços, câmbio, política e clima que poderiam ter seduzido o agricultor e não voltou”, completa.

Por: Carla Mendes e Andressa Simão
Fonte: Notícias Agrícolas

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