Falta de infraestrutura logística ainda é o que limita o potencial do agronegócio do Brasil, diz Eraí Maggi

Publicado em 28/12/2016 08:08 e atualizado em 28/12/2016 15:39
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Mato Grosso teve condições bastante favoráveis para a safra 2016/17, plantando dentro de uma boa janela, e permitindo um bom cenário também para as segundas safras de milho e algodão. Preocupação se dá com os preços do cereal, que podem recuar já que a oferta deverá se normalizar.
Confira entrevista de Eraí Maggi - Produtor Rural

Eraí Maggi, um dos maiores produtores do Brasil, comentou, em entrevista ao jornalista João Batista Olivi, do Notícias Agrícolas, sobre a produção de soja, milho e algodão para esta safra 2016/17, além de destacar também o principal desafio pelo qual o estado do Mato Grosso ainda passa, que é a logística.

Maggi conta que, no momento, sua safra de soja vem em boas condições, com chuvas adequadas e presença de sol, abrindo uma boa janela para a safrinha de milho e para o algodão. No ano passado, o estado teve um problema grave com redução de produção de milho, soja e algodão devido à seca, com alguns produtores tendo prejuízos grandes, mas a situação parece se contornar.

Para ele, o problema atual do Mato Grosso e também de todo o Brasil é a logística. Ele destaca que a questão "melhorou bastante no Centro-Oeste nos últimos anos, mas tem muita coisa a ser feita", como um melhor acesso para as ferrovias. Além disso, ele aponta o Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) como uma boa parceria entre governo e produtores para realizar melhorias em estradas e ferrovias.

O milho safrinha, por sua vez, vem com uma expectativa de se produzir quase o dobro na propriedade de Maggi. Haverá um aumento de 10% da área e, com a janela em boas condições, há a esperança de uma safra grande, com comercialização antecipada, armazenamento e 20% destinado à produção de gado e peixe na própria propriedade. No entanto, o preço do milho deve retrair, em consequência do esperado para o estado.

O algodão, que hoje é uma safra cheia no estado, também deve vir com uma safra boa, dentro da janela, mas ele destaca a necessidade de ter um perfil de solo muito bom para produzi-lo. Ele conta que o algodão produzido no estado é "igual ou melhor" do que o da região de Memphis, nos Estados Unidos e é destinado para as indústrias têxtis.

Para os próximos anos, Maggi aconselha os produtores a plantar com carinho, ter paciência e administrar as suas terras muito bem. "Em um breve tempo, vamos chegar a um bom preço das commodities", diz.

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Por: João Batista Olivi e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Virgilio Andrade Moreira Guaira - PR

    Está mais do que na cara que faltam ferrovias e hidrovias, enquanto isto as rodovias estäo lotadas de pedágios e caminhöes. Bem diferente de EUA e Argentina por exemplo, ou Alemanha, Rússia e China.. Dependemos mais do que nunca de projetos estruturantes. Já na decada de 1970, os militares construiram a Transamazonica paralela ä maior hidrovia do mundo. Erro estratégico. As rodovias deveriam ter partido de onde os rios deixam de ser navegáveis. E os erros seguiram, corrupçao para construir ferrovias como a Norte Sul e as comportas e eclusas como Tucurui. Temos muito a fazer pela frente, e o começo seria com um governo mais sério.

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    • LUIZ CARLOS CIARINITANGARA DA SERRA - MT

      Enquanto continuarmos a eleger presidentes IDIOTAS vamos continuar assim nada mudara senão vejamos SARNEY, COLLOR,ITAMAR,LULA,DILMA é demais não tem como ser diferente

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    • LUIZ CARLOS CIARINITANGARA DA SERRA - MT

      existe um projeto de ferrovia de Santarem a Cuiaba de 1911 e até hoje falamos sobre a importancia dessa ferrovia vamos supor que ela tivesse sido construida como estaria nossa competitividade

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    • SALETE MACEDA ZANETTESÃO MIGUEL DO IGUAÇU - PR

      No Brasil, o escoamento dos grãos, esbarra nos gargalos logísticos,como falta de investimentos em rios navegáveis e atrasando a chegada do produto ao comércio internacional. Segundo Arbix (2012), ao longo de rios, lagos, lagoas e lagunas navegáveis que cortam o interior do Brasil passaram no ano de 2012, 109,2 milhões de toneladas de minério de ferro, fertilizantes, adubos, soja, farelo de soja, milho, enxofre e cal, entre outros itens, além de um número impreciso de pessoas. A União Européia, em igual período transportou quatro vezes mais mercadorias. Esta disparidade tira o espaço do Brasil no comércio exterior e finca o país num preocupante problema de pontualidade em cumprir contratos externos. A dificuldade mor logística que o Brasil possui no transporte hidroviário é explicada pelo descaso de atenção governamental ao setor. Existe ainda a idéia de que para ampliar a atividade de navegação hidroviária, terá que passar por crivo político, na concessão de créditos para a expansão do modal. Uma pesquisa realizada pela COPPEAD diz que o Modal Hidroviário no Brasil é pouco aproveitado devido à necessidade de investir em drenagens, represamento, construção de terminais e canais, com a finalidade de melhorar a navegabilidade em diversos trechos.

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    • DEJAIR MINOTTIJABOTICABAL - SP

      A corrupção acentuou com lulla e o pt,porém sempre existiu, esta no sangue dos políticos que é um artigo comprável.Precisava de estradas para queimar petróleo, seria um modo de engrandecer a Petrobras que iniciava refino,ficou com monopólio dos combustíveis e aí começou o ninho dos políticos. Tiraram estradas de ferro para construir estradas de rodagem,a negociata continuou 10 cm de espessura de asfalto licitada 5 cm construída, o valor dos outros cm transformado em propina ia para o bolso dos eleitos pela população. Brasil celeiro do mundo, sem estradas,armazéns e portos, mais um slogan que políticos vendem para massa.O petróleo é nosso,verdade é deles o nosso pagamos a gasolina mais cara do mundo na bomba em relação ao salário mínimo.BRASIL,A PÁTRIA SEM FUTURO .Preparem-se para 2017, a esbórnia continua.

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