Preço do milho no mercado futuro não condiz com realidade praticada no interior do Paraná

Publicado em 26/10/2017 14:30 e atualizado em 26/10/2017 15:31
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Mesmo com bom ritmo de exportação de milho com números próximos de 30 milhões de toneladas, ainda sim, estoques mais produção de verão seriam suficientes para atender mercado interno no primeiro semestre. Apenas um problema na safrinha poderia mudar cenário

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Segundo Étore Baroni, consultor da FCStone, aponta que existe uma diferença entre os indicadores da BM&FBovespa, o indicador ESALQ que espelha o indicador dentro do estado de São Paulo e dos preços praticados no interior. O mercado interno do milho está pesado,pois a produção em 2017 foi maior que a produção de 2016, cerca de 30 milhões de toneladas.

A produção maior e o consumo linear  que se tem no Brasil, perto de 5 toneladas por mês, fez com que esse aumento de produção precisa de alguém que use, no caso o mercado interno não absorve tão rápido, a demanda interna aumenta 2 ou 3 toneladas por ano, por isso tem que mandar esse produto embora na exportação, se não ficará no mercado interno e acaba pesando os níveis de preço.  

Os níveis de preço da BM&FBOVESPA está em um nível de preço atrativo, porém comparado ao preço do interior, ao volume de produção, a baixa fixação de produtor e a disponibilidade de produto no interior  a realidade acaba sendo outra. No Paraná tem um nível de preço bastante pressionado, o que acaba não sentindo a alta nos preços no interior, como está a volatilidade na BM&FBOVESPA.

Étore Baroni explica que devido a baixa fixação do produtor no interior muitas empresas e tomadores precisam de proteção e precisam entrar comprando na BM&FBOVESPA, a medida que os Players entram comprando na BM&FBOVESPA para buscar uma proteção para o volume que está sendo vendido no fixo acaba subindo o preço, tem uma disparidade, pois não há vendedor na BM&FBOVESPA por que o produtor não fixa o produto e não remunera o produtor.

Em um primeiro momento devido ao volume que tem no mercado interno o ajuste precisa ser feito, no caso tem duas alternativas, o fixo sobe no interior ou a BM&FBOVESPA devolve partes dos ganhos. Étore aponta que é possível ver a BM&FBOVESPA devolvendo parte dos ganhos da alta, porém a partir de maio a  junho no próximo ano o nível do preço do fixo pode subir.

No paraná o preço a produtor está em  R$ 22, o que comparado ao mercado disponível está a R$ 27. Segundo Étore Baroni, é comum acontecer quando se tem grandes safras. Neste ano foi produzido cerca de 37% a mais do que o ano anterior. Como a exportação está em um ritmo normal e faz com que o produto fique no mercado interno.

No final do ano, os estoques de milho podem chegar perto de 20 milhões de toneladas no mercado interno.  O consumo de milho por semestre costuma ser de 29 milhões de toneladas.A disponibilidade do milho na safra verão pode chegar a 30 milhões de toneladas.

O comportamento dos preço faz com que o produtor perca o interesse em vender, pois não remunera a atividade. A medida que o produtor sai da venda será possível ver uma elevação pequena nos preços para o final do ano.

 

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