Em Sorriso (MT), produtores seguram vendas e casos de milho a céu aberto são pontuais

Publicado em 30/07/2018 10:43 e atualizado em 30/07/2018 12:52
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Diante da queda na produtividade, da elevação nos valores dos fretes e do preço mais baixo, produtores estão segurando as vendas. Saca é cotada ao redor de R$ 20,00 na região. E fretes subiram mais de 20%. Cerca de 50% da safrinha de milho ainda precisa ser negociada. Preços da soja giram em torno de R$ 64,00 a R$ 65,00 e negócios futuros estão lentos.
Laércio Pedro Lenz - Produtor Rural de Sorriso/MT

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Entrevista com Laércio Pedro Lenz - Produtor Rural de Sorriso/MT sobre o Acompanhamento de Safra do Milho Safrinha

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Em Sorriso (MT), os produtores rurais estão finalizando a colheita do milho safrinha nesta temporada. E, assim como em outras safras, há casos pontuais de milho a céu aberto na região devido ao déficit de armazenagem, conforme a foto abaixo. Embora, boa parte da safrinha tenha sido estocada em silos bolsa nesse ano.

Milho a céu aberto em Sorriso (MT)

Milho a céu aberto na região de Sorriso (MT)

De acordo com o produtor rural da região, Laércio Pedro Lenz, o clima irregular também afetou a produtividade das lavouras nesta safra. "Temos 95% da área colhida no município e uma quebra entre 6% a 7% no rendimento em relação ao ano anterior. Em 2017, colhemos 108 sacas de milho por hectare na minha propriedade e esse ano nossa produtividade foi de 100 sacas por hectare", completa.

Em todo o estado, a área colhida chegou a 80,50% até o último dia 27 de julho, conforme levantamento realizado pelo Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária). No mesmo período do ano anterior, a colheita estava completa em 87,94%. A expectativa também é de uma safrinha menor nesta safra, próxima de 26,3 milhões de toneladas, contra as 30,4 milhões de toneladas do ciclo anterior.

Comercialização

Diante da elevação de mais de 20% nos valores do frete, em meio ao impasse do tabelamento, os negócios seguem lentos em Sorriso. "Após o tabelamento do frete a comercialização travou. Não temos negócios nem para a próxima safra de soja e milho, já que ninguém tem certeza do que vai acontecer. As tradings estão inseguras", reforça o produtor.

No caso do cereal, em torno de 50% da safrinha da safra 2017/18 ainda precisa ser negociada. Porém, os produtores estão segurando as vendas em meio aos preços mais baixos, a quebra na produtividade e a elevação nos valores dos fretes. "Mas não sabemos até quando conseguiremos segurar esse produto, uma vez que precisamos negociar para planejar a próxima temporada", alerta Lenz.

A saca do cereal é cotada ao redor de R$ 20,00 na região, valor que ainda deixa uma margem ajustada aos agricultores. Para a soja, os preços estão próximos a R$ 64,00 ou R$ 65,00 a saca na localidade, porém, os negócios também estão lentos.

Fertilizantes

Consequentemente, o atraso na entrega dos fertilizantes na região tem preocupado os produtores rurais. Muitos produtores ainda não adquiriram os adubos devido à recente valorização cambial e agora podem não receber o produto a tempo para o início do plantio da safra 2018/19. O cenário tem deixado os agricultores apreensivos e pode afetar a produtividade da soja na próxima temporada.

 

Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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