Plantio irregular da soja pode comprometer margem do milho safrinha 2027, alerta Aegro
Plantio irregular da soja pode comprometer margem do milho safrinha 2027, alerta Aegro
O avanço irregular do plantio da soja em algumas regiões brasileiras já acende um alerta para a rentabilidade do milho segunda safra de 2027. Isso porque atrasos na semeadura da oleaginosa podem reduzir a janela disponível para o cultivo do cereal, elevando os riscos de perda de produtividade e comprometendo os resultados financeiros dos produtores.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas, Mathias Bergamin, agrônomo e coordenador de Inteligência de Mercado da Aegro, destacou que um levantamento realizado pela empresa identificou diferenças de produtividade entre propriedades conforme a época de plantio do milho. Na segunda safra de 2026, áreas semeadas até 15 de fevereiro produziram, em média, entre 15 e 25 sacas por hectare a mais do que aquelas cultivadas posteriormente.
Bergamin ressaltou que a data representa uma referência identificada na amostra analisada e que as condições de cada região precisam ser consideradas. Ainda assim, o resultado reforça a importância do planejamento da colheita da soja e da implantação da segunda safra para reduzir a exposição das lavouras aos períodos de menor disponibilidade hídrica.
O alerta para 2027 ganha importância diante dos resultados financeiros da última temporada. Segundo a Aegro, a margem da fazenda típica na segunda safra de 2026 ficou próxima de 36%, praticamente repetindo o desempenho de 2025. O resultado correspondeu a aproximadamente R$ 2.200 por hectare, equivalentes a cerca de 41 sacas de milho.
Entretanto, essa estabilidade foi sustentada principalmente pela valorização do cereal, e não pelo desempenho produtivo. De acordo com Bergamin, as mesmas propriedades colheram cerca de cinco sacas por hectare a menos do que na temporada anterior e registraram aumento dos gastos com sementes e defensivos. A melhora dos preços de comercialização compensou esses fatores e permitiu a manutenção das margens.
Para a próxima temporada, o especialista destacou que eventuais atrasos no calendário da soja podem voltar a pressionar a produtividade do milho, sem que exista garantia de uma nova valorização dos preços capaz de compensar possíveis perdas.
Entre as alternativas para regiões com janelas mais restritas, Bergamin mencionou o sorgo, cultura que apresenta maior tolerância a períodos de estiagem. Ele ponderou, porém, que essa resistência não elimina os riscos de perdas quando as chuvas deixam de ocorrer, tornando necessário avaliar as condições regionais antes de decidir pela substituição do milho.
O coordenador da Aegro também ressaltou a importância de acompanhar os custos de produção e as oportunidades de comercialização. Segundo ele, produtividade, controle de despesas e preço de venda são os três principais fatores sobre os quais o produtor pode atuar para buscar melhores resultados financeiros.
A recomendação é reforçar o planejamento da próxima safra, avaliar as relações de troca dos insumos e considerar estratégias comerciais que permitam proteger a rentabilidade em um cenário de incertezas climáticas e oscilações de mercado.
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