Semana termina com soja e milho pressionados pela oferta e pela retirada do prêmio de risco do Mar Negro

Expectativa de oferta abundante deve manter cotações pressionadas em Chicago e no Brasil; possibilidade de melhor de preços no Brasil teria que vir via câmbio
Publicado em 30/10/2026 15:12
Chau Hue - Head de Inteligência de Mercados da Stag Securities
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Semana termina com soja e milho pressionados pela oferta e pela retirada do prêmio de risco do Mar Negro

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A estratégia de segurar o milho para comercialização nos primeiros meses do ano, utilizada por produtores brasileiros na virada de 2025 para 2026, pode encontrar condições menos favoráveis desta vez. O alerta é de Chau Hue, Head de Inteligência de Mercados da Stag Securities, que destacou o risco de uma concentração de estoques de milho e soja no momento em que a nova safra brasileira da oleaginosa começar a chegar ao mercado.

Em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta sexta-feira (30), o analista explicou que a retenção do milho ao longo dos últimos meses tem sido sustentada pela expectativa de melhores oportunidades de venda, comportamento semelhante ao observado no ciclo anterior. Entretanto, o cenário de demanda pode ser diferente, especialmente pela posição de abastecimento das usinas de etanol de milho.

Segundo Hue, na avaliação da Stag Securities, as indústrias já possuem cobertura de matéria-prima próxima de março ou início de abril de 2027, o que reduziria a necessidade de novas compras no começo do ano em comparação com o período anterior. Ao mesmo tempo, o Brasil ainda teria volumes relevantes de soja e milho disponíveis para comercialização.

A perspectiva de avanço favorável do plantio da soja 2026/27 acrescenta outro elemento à decisão dos produtores. Caso as condições climáticas continuem positivas, a entrada da nova produção poderá coincidir com estoques remanescentes das duas culturas, elevando a necessidade de comercialização e de disponibilidade de espaço para armazenagem.

Para o analista, esse conjunto de fatores exige cautela com a expectativa de repetição dos movimentos de preços observados no início de 2026. A decisão de manter o milho armazenado deverá considerar não apenas o valor esperado para os próximos meses, mas também a demanda efetivamente disponível e a chegada da nova safra de soja.

Concorrência internacional limita recuperação do milho

O cenário internacional também oferece resistência a uma recuperação mais expressiva das cotações. Conforme Hue, os preços futuros do milho em Chicago encontraram algum suporte próximo de US$ 4,50 por bushel, patamar que favorece a atração de demanda. Entretanto, a avaliação da Stag Securities é de que a competitividade norte-americana poderá aumentar por meio de ajustes nos prêmios do mercado físico, sem necessariamente exigir valorização dos contratos futuros.

No Brasil, essa concorrência se soma à presença da Argentina no mercado exportador e limita o potencial de valorização do milho na B3, mesmo diante das oscilações cambiais. O analista destacou que o país ainda precisa conquistar negócios para embarques em dezembro e janeiro, em um ambiente no qual os compradores internacionais encontram alternativas de abastecimento.

A perspectiva de oferta norte-americana também mudou em relação às expectativas de dois meses atrás. Na avaliação de Hue, a produtividade do milho nos Estados Unidos se mostrou menos comprometida do que o mercado inicialmente projetava, enquanto a demanda externa não apresentou força suficiente para justificar um movimento consistente de alta.

Soja também enfrenta perspectiva de pressão

Na soja, o especialista avalia que os contratos negociados em Chicago permanecem sujeitos a um viés neutro a baixista. Segundo ele, parte da recente desvalorização reflete a redução das posições compradas por fundos de investimento, diante de uma produção norte-americana melhor que a inicialmente esperada e de expectativas mais limitadas para a demanda chinesa.

Hue destacou que o mercado revisou suas perspectivas depois que a China não reduziu a tarifa de 10% aplicada à soja norte-americana, movimento que poderia ter ampliado as compras comerciais. Na interpretação da Stag Securities, o compromisso de aquisição de 25 milhões de toneladas pelos chineses não seria suficiente, por si só, para estimular uma nova rodada de valorização dos futuros.

Para a safra brasileira de 2026/27, o avanço do plantio e a possibilidade de condições climáticas favoráveis durante novembro também podem pressionar os prêmios de exportação. O analista ponderou que esse cenário depende da confirmação das chuvas e do desenvolvimento das lavouras, mas considera possível uma deterioração adicional dos prêmios nas próximas semanas.

Diante disso, a orientação de mercado apresentada pela Stag Securities é que os produtores avaliem as oportunidades atuais de fixação de preços, levando em conta os riscos de uma safra brasileira volumosa, a permanência de estoques na América do Sul e a concorrência internacional. Na avaliação de Hue, o câmbio poderá representar uma das principais fontes de sustentação dos preços em reais caso os fundamentos de oferta e demanda continuem desfavoráveis às cotações em dólares.

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