Saída de Dilma seria bem vinda para o mercado, avalia economista; dólar foca juros nos EUA

Publicado em 04/12/2015 14:42 e atualizado em 04/12/2015 15:41
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Pedido de impeachment de Dilma tramitando na Câmara dos Deputados acentua volatilidade no mercado financeiro, mas saída da presidente seria, claramente, bem vinda para os negócios, diz economista. Para dólar, no entanto, expectativa sobre o futuro da taxa de juros nos EUA ainda exerce muita influência.

Nesta sexta-feira (04) o mercado financeiro voltou a refletir os desdobramentos do acolhimento do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff e também os dados fortes sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos.

Por volta de 15h50 (horário de Brasília), o dólar recuava 0,5% e era cotado abaixo dos R$ 3,75 após fechar a sessão de quinta-feira (03) com queda de mais de 2%. Na máxima desta sessão, a moeda norte-americana atingiu 3,7895 reais e, na mínima, foi a 3,7310 reais.

Segundo o economista chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, a economia dos EUA criou mais vagas que o esperado em novembro, dando uma demonstração do aquecimento da economia, que como conseqüência deve estimular a elevação dos juros ainda neste ano.

"Existe uma projeção de crescimento de 200 mil vagas em média nos Estados Unidos, e os números trouxeram 211 mil, porém mais importante que isso, houve uma revisão dos números anteriores aumentando mais de 20 mil vagas no levantamento anterior. Isso mostra que o cenário americano está firme em relação ao aumento de juros, e no momento desse anuncio chegou a puxar bastante o dólar, mas o contexto político está pesando um pouco mais", explica.

O relatório de emprego foi divulgado um dia após a chair do Fed, Janet Yellen, dar um tom otimista sobre a economia quando falou a parlamentares, descrevendo como a economia atingiu os critérios estabelecidos pelo banco central para a primeira elevação da taxa de juros desde junho de 2006.

Para Vieira, esses dois cenários devem continuar influenciando a taxa do câmbio por um período relativamente longo, sendo os fatores internos um item de pressão baixista e os dados da economia norte-americana motivos de alta.

Uma possível elevação dos juros dos EUA irá atrair capital internacional e força uma valorização global do dólar e, no Brasil a tendência é de subir "o câmbio pelo menos na faixa dos R$ 4,00", considera o economista lembrando que o mercado ainda volta suas atenções ao cenário político interno.

Para as commodities "os fundamentos de cada mercado tendem a pesar mais sobre os preços do que a valorização global do dólar", explica Vieira. Mas ainda assim, é fundamental que os produtores se planejem para evitar perdas em momentos de grande volatilidade.

No mercado local, o cenário político continuava sendo o centro das atenções após o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, acatar na quarta-feira (02) pedido de abertura de processo de impeachment.

Esses dados foram absorvidos com otimismo pelo mercado financeiro. No primeiro dia útil após o anúncio, o principal índice da Bovespa fechou a quinta-feira (03) com o maior ganho diário em um mês, e o dólar registrou o maior recuo diário no período de um mês.

"O difícil dessa situação é que estamos operando pelo imponderável, que é a questão política que depende demais de situações das quais não temos controle. Então, por mais que o mercado goste disso agora, amanhã pode não gostar mais, é muito instável", declara Vieira.

Por: Carla Mendes e Larissa Albuquerque
Fonte: Notícias Agrícolas

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