Reforma do estado muda o foco: ao invés de aumentar receitas (e impostos), quer diminuir os custos

Publicado em 06/11/2019 16:18 e atualizado em 06/11/2019 20:58
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Análise de Antonio da Luz, economista-chefe da Farsul - Federação da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Sul
Antônio da Luz - Economista - FARSUL

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Entrevista com Antônio da Luz - Economista - FARSUL sobre a Reforma Administrativa

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Para debater sobre a Reforma Administrativa proposta na terça-feira (6) pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente Jair Bolsonaro, o Notícias Agrícolas conversou com Antônio da Luz, economista da Farsul. 

O economista afirma que a apresentação da Reforma do Estado foi um dos dias mais importantes para o novo padrão de economia que o país está começando seguir, dentro desses 300 dias de governo. "Eu vi ali um embrião de um Brasil diferente, um Brasil em que há muitos anos a gente defende essas mudanças", afirma. 

Bolsonaro e Guedes entregam proposta econômica ao Congresso

Destacou ainda a importância das grandes mídias também terem apoiado as medidas propostas. "As questões econômicas são um pouco mais quadradas, existe o certo e o errado, simples. E a mídia me parece, que nessa questão, entendeu bem a necessidade de alterar as questões econômicas brasileiras", comenta. 

Entre os pontos apresentados pelo Governo, existe também o processo de privatização. Para o economista, para o agronegócio, é o ponto mais importante da proposta. Ele explica que todo o pacote é um conjunto de medidas que passa por mudanças na Constituição, três são encaminhadas para Câmara e três para o Senado. 

"Esse pacote é totalmente diferente. Ele não olha em nenhum momento para a receita, ele olha para o custo do estado. Ele não enfrenta o lado da receita, ele enfrenta o lado do custo", afirmando que o conjunto de medidas mira diretamente para o problema, que é o gasto público. 

Ele explica ainda que atualmente, para conseguir privatizar, é preciso driblar uma série de obstáculos que aparecem no caminho. Segundo ele, o que o Governo está propondo é que ao invés de fazer as contas tradicionais de receita e a Reforma do Estado está visando tratar com que o setor privado consiga resolver os problemas de forma mais eficiente. 

Já os pontos que vão para o Senado, tem o pacto federativo, que o economista também considera importante. "É algo que nós pegamos os recursos futuros, sobre tudo do pré-sal, e falamos para a sociedade que não estamos olhando para o problema do país pelo lado da receita, estou olhando pelo lado da despesa. Então, eu governo federal, vou enxurgar os meus custos e a receita que poderia vir para mim, eu vou passar para estados e municípios", explica. 

Ele caracteriza a ação como "mais Brasil e menos Brasília", defendendo que as ações são necessárias para a economia alavancar nos próximos dias. Para Antônio, os efeitos positivos de todas as reformas que estão propostas devem começar aparecer 100% para toda a população apenas em 30 anos. "É por isso que nós não podemos procrastinar com assuntos sérios. Essas reformas todas que nós estamos a comemorar, por estar discutindo elas, deveriam ter sido feitas na década de 90. Nós estamos 20 anos atrasados", afirma.

Confira a entrevista completa no vídeo acima

Veja também: 

Governo Bolsonaro propõe ampla reformulação fiscal e prevê R$ 400 bi para Estados e municípios

Governo entrega PECs do pacto federativo no Senado e espera aprovação até 1º semestre de 2020

Por: João Batista Olivi e Virgínia Alves
Fonte: Notícias Agrícolas

2 comentários

  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Pessoal, citei o fundo partidário no comentário abaixo, só para o PSL são mais de 300 milhões de reais, e esse é o motivo da "racha" do partido. Alexandre Frota por exemplo traiu o presidente pelo fato de Jair Bolsonaro ter se negado ao "toma lá dá cá".

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Antonio, logo nas tuas primeiras frases decidi que precisava comentar partes de tuas falas. Talvez esse comentário fique longo, espero que não. Começo dizendo que concordo com você sobre economia, talvez seja ainda mais liberal economicamente que você, sou simpatizante das idéias de Hans Hermann Hoppe. Mas não é sobre isso que quero falar, quero falar de politica e ideologia. Antes quero dizer aos amigos que fiquei afastado por estar acompanhando a politica pelo twitter, João Batista esteve e está certo, o aparelhinho celular é quem manda hoje em dia na politica, e recomendo que assistam a cpi das fake news, é ilustrativo. Voltando ao assunto, minha opinião é que o Antonio devia reconsiderar essa opinião de não apoiar o governo, e meu principal argumento é o de que seria se o PT houvesse ganho? Não haveria Paulo Guedes. Então é preciso considerar de que forma o presidente Bolsonaro ganhou as eleições, e entendo que você diga que as medidas econômicas estruturantes sejam impopulares, embora não sejam, o povo brasileiro em sua maioria absoluta apoia as reformas, e entendo também que ao admitir esse raciocínio, e gostaria que você concedesse a ideia, o problema passa a ser justamente a Câmara e o congresso brasileiro. E aqui faço uma ressalva, todas as tentativas da esquerda brasileira de desestabilizar o governo do presidente Jair Bolsonaro falharam. Até agora. E isso se deve justamente ao combate ideológico e cultural. E pode parecer estranho pois digo isso a anos, nós ainda estamos no inicio. Todos aqui devem estar a par do que está acontecendo no Chile, país que cresceu muito devido as reformas estruturais econômicas, e que agora está prestes a sucumbir diante da esquerda organizada latino americana sob o comando do Foro de São Paulo. Portanto digo que se os brasileiros não apoiarem o governo Bolsonaro em 3 anos podemos ter novamente agitações sociais violentas e ilegais de acordo com o que preconiza a esquerda em todo o mundo. Estou falando de ameaça comunista mesmo, e seria meu dever comentar também o vídeo em que o João Batista entrevista o presidente da Abiove, pois que a medida "legal" tomada pela Abiove fere indiretamente o direito de propriedade, pois não impede de produzir e no entanto impede a comercialização o que praticamente dá no mesmo. É preciso acabar com a moratória mudando as leis através da garantia constitucional do direito a propriedade. Combater a iniciativa privada e acabar com o direito a propriedade estão entre as principais atividades comunistas. Então não existe economia de mercado em sistemas altamente regulamentados e isso só é possível de instaurar, o livre mercado, combatendo a ideologia socialista comunista. Então Antonio, se você quer ser isento, quer ficar em cima do muro, indiretamente favorece a militância esquerdista, que combate ferozmente e não tem outro objetivo que não o de tomar de volta o poder. Infelizmente tive que interromper esse comentário ontem e quero finalizar pedindo a todos que leram que se informem a respeito da cpi das "fake" news que quer calar a aguerrida militância virtual de direita, nem isso querem admitir já que não temos na realidade uma militância formal por absoluta falta de dinheiro e digo que enquanto querem calar a direita nas redes o PSDB realiza encontros denominados "treinamento de mobilização digital". A luta é assimétrica, pois nem do fundo partidário o nosso presidente da república pode dispor, de modo que Eduardo Bolsonaro realizou com uso desse dinheiro o primeiro encontro conservador do país e o mundo quase veio abaixo. Obrigado a todos pela paciência de ler comentário tão longo.

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    • Antonio da Luz Porto Alegre - RS

      Caro Rodrigo, primeiramente eu queria te informar que gosto muito dos teus comentários. São sempre pertinentes e educados (duas coisas que necessariamente têm de andar justas para ter total valor). Quando se quer pensar e fazer os outros pensarem, é por aí o caminho na minha modesta opinião.

      No entanto, sem discordar de nada por ti exposto, quero te convidar a raciocinar sob outro aspecto que não estás considerando, aparentemente.

      Há dois "Antônios". Existe o Antônio pai do Enzo e marido da Eliandra. Este tem pensamentos muito claros e objetivos sobre as questões políticas brasileiras e internacionais. Este não tem isenção política nenhuma, embora não tenha escolhido nenhum dos mais de 40 opções partidárias para se filiar. Não ter escolhido uma legenda em parte se deve a razões de entendimento pertinentes a este "Antônio" ao qual me referi mas também por causa do outro "Antônio" que habita a mesma pessoa. Este outro é Economista é olha o mundo apenas e simplesmente sob está ótica, por dever de ofício e por puro desejo de fazer o trabalho para o qual ele é pago bem feito. Este outro nunca deixará de criticar ou elogiar um ato que interfere no ambiente econômico por causa que o primeiro "Antônio" tem preferência ou aversão ao governante de plantão.

      Precisa ficar claro que a Economia é uma ciência, por isso somos formados em Ciências Econômicas e desenvolvemos esta através de técnicas. Eu ou qualquer colega meu jamais será digno do seu respeito e admiração se não souber separar os dois personagens que nos habitam. Pense nisso profundamente e você me dará razão.

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