"Mercado está lidando com o desconhecido e impactos ainda podem durar meses", diz consultor direto da Europa

Publicado em 26/02/2020 09:05
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De Malta, Cachia fala ainda sobre a necessidade demanda contínua pela soja na China. Consumo está limitado apenas pela mobilidade e logística comprometidas pelo surto.
Steve Cachia - Consultor da Cerealpar e da AgroCulte

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Coronavírus e os impactos nos mercados - Entrevista com Steve Cachia - Consultor da Cerealpar e da AgroCulte

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A intensificação do surto de coronavírus que já extrapolou as fronteiras da China e tem casos confirmados em muitos países do mundo - incluindo a primeira confirmação do Brasil nesta semana - continua sendo o principal combustível para as especulações e para a volatildade nos mercados financeiros globais. 

Como explica Steve Cachia, consultor da AgroCulte e da Cerealpar, em entrevista ao Notícias Agrícolas direto de Malta, na Europa, o fato de os investidores e traders estarem lidando ainda com algo muito desconhecido faz com que os efeitos da epidemia possam durar mais tempo e podem ser ainda mais severos. 

As bolsas de valores continuam recuando, o petróleo perde mais de 1% nesta quarta-feira (26) e as commodities agrícolas seguem se desvalorizando. A soja também cede, porém, de forma bem mais contida do que o observado no início da semana - quando a oleaginosa perdeu mais de 15 pontos - e busca manter certa estabilidade. 

"O impacto econômico, por mais que haja algum alívio em alguns dias, ainda deverá ser sentido nos próximos meses, e com isso, aumenta a especulação de que possa haver uma nova recessão global que vai atingir, praticamente, os continentes todos", alerta Cachia.

O momento, portanto, é de proteção, mais do que de pânico entre os investidores, com resultados que mostram, por exemplo, perdas de US$ 2 trilhões somente no mercado acionário norte-americano. 

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PREÇO DOS ALIMENTOS X AVERSÃO AO RISCO

Embora as commodities agrícolas estejam intimamente ligadas aos preços dos alimentos e a demanda por comida continua apesar dos problemas causados pelo coronavírus - e tem sido limitada somente por questões logísticas - o primeiro impacto sobre seus valores e consumo é negativo, como explica o analista. No entanto, as mudanças de negociações são inevitáveis. 

"Quando se tem esse tipo de especulação, obviamente, ajuda quando o movimento é altista, mas é muito ruim quando o movimento é baixista como agora porque o primeiro movimento é fugir do risco e se proteger. Os especuladores saem do mercado independente do quadro de oferta e demanda", diz. 

SOJA

E analisando o quadro global de oferta e demanda, "este mercado deveria estar subindo e não caindo", acredita Cachia sobre as cotações da soja. Segundo os últimos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), os números são bem mais ajustados, a relação é menos confortável e atua com algum suporte às cotações da oleaginosa. 

"Estamos lidando com o desconhecido, por isso não é possível ter uma base exata de quanto vai cair a demanda, quando volta a se recuperar, mas a expectativa até agora é que não. A China deve continuar comprando em volumes grande como tem feito até agora", afirma o consultor. 

DÓLAR

Sobre o dólar, Cachia epxlica que há o lado positivo, que favorece o exportador brasileiro diante da alta da moeda americana frente à brasileira, porém, chama a atenção para as consequências macroeconômicas negativas que esse movimento pode carregar. 

"O momento é de especulação, o dólar é usado como moeda de proteção também e se não tiver algum controle, sim, a tendência é de que, no curto prazo, continue se valorizando", explica. 

AO PRODUTOR BRASILEIRO

Como orientação ao produtor brasileiro, Cachia é direto: "acredito que qualquer bom momento tem que ser aproveitado. Apesar de estarmos falando de coisas negativas, com a taxa de câmbio do jeito que está ainda há uma rentabilidade razoavelmente boa, ao contrário do que acontece com o produtor americano que vê a soja a US$ 8,80". 

Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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