Maior gravidade do coronavírus é a desaceleração da economia, diz economista da Farsul

Publicado em 28/02/2020 18:24 4182 exibições
Antônio da Luz - Economista - FARSUL
Análise sobre os efeitos na economia do Brasil com o pânico do coranavírus nos mercados mundiais

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Análise da economia com o pânico do coranavírus nos mercados

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Nesse momento o maior impacto é a volatilidade do mercado, diz Antônio da Luz

Não é a chegada do Coronavírus no Brasil que derrubou a bolsa brasileira e elevou a taxa de câmbio, pois 10 em cada 10 especialistas sabiam que a dúvida não era se, mas quando, teríamos o primeiro caso por aqui.

Da mesma forma sabe-se que os casos vão crescer muito, terão um pico e após irão paulatinamente cair.

Sabe-se, também, que para 80% das pessoas que serão infectadas os sintomas não passarão dos semelhantes a um resfriado.

Mas também não é isso que despenca as bolsas e elevam o câmbio.

O Brasil não está tendo movimento diferente no seu mercado financeiro na comparação com o que está acontecendo no mundo

O que de fato derruba as bolsas é a desaceleração da economia, resultado das mudanças na rotina das pessoas, das empresas e das dificuldades de se fazer comércio diante de um vírus de baixa mortalidade, mas de rápida disseminação, sem vacina, sem remédio e sempre com o risco de mutação para quadros mais graves.

Sempre os interesses da saúde estarão a frente dos econômicos e, por isso, todas as medidas necessárias serão tomadas.

Mas temos que ter consciência que elas impactam e muito a economia do mundo e o Brasil, no meio disso tudo, é só mais um país que será infectado pelo vírus e impactado pela economia.

Opinião de Antônio da Luz - Economista Chefe da Farsul / Representante do Agronegócio entre os economistas do Boletim Focus do Banco Central (Assista à entrevista acima).

Brasileiro conta como é viver na China nesses dias de quarentena (na Xinhua)

Por Jose Medeiros da Silva

Beijing, 1º mar (Xinhuanet) -- Estou na China há mais de 12 anos e nunca havia presenciado uma situação tão inusitada como a que agora estamos vivendo. Espaços turísticos tradicionais fechados, ruas vazias e milhões de pessoas, literalmente milhões e milhões, resguardando-se em suas casas. E isso em pleno Ano Novo Chinês, o feriado mais esperado dessa velha e pulsante China.

Minha família chinesa vive em Shaoxing, cidade conhecida em todo o país pelo seu vinho de arroz e por ser a terra natal da família do premier Zhou Enlai e do escritor Lu Xun, o pai da literatura moderna chinesa. Assim como milhões de chineses, nesse grande feriado eu deixei a cidade onde trabalho, Hangzhou, e vim para cá, para ficar esses dias com a família. E claro, além dos encontros familiares tradicionais, nosso plano era também passear um pouco.

Mas a prudência diante da gravidade dessa crise, tem nos obrigado a uma quarentena voluntária. E assim está praticamente toda a China. E é o que deve ser feito e é o que a população, voluntariamente, está fazendo.

Tenho imaginado de como nos comportaríamos no meu querido Brasil diante de uma situação difícil como essa... Provavelmente, estaríamos dentro de casa sufocados por coberturas sensacionalistas em busca de “likes” e de uma fácil audiência. Por outro lado, o governo estaria pressionado por diversos grupos econômicos para que não tomasse as decisões necessárias, para que os mesmos não fossem economicamente prejudicados. Mas isso é outra história.

Aqui, o governo está consciente da gravidade da situação e atuando de forma corajosa para contê-la e para atenuar o impacto dos inevitáveis danos. Cidades “isoladas”; feriado prolongado; cancelamento de festividades; fechamento de museus e de parques de diversões; construções de hospitais; orientação para que os comerciantes não se aproveitem da situação para extorquirem os consumidores na venda de produtos essenciais, como máscaras de proteção; avisos instruindo a população a procurarem o atendimento médico em caso de alguma suspeita, etc. 

Preocupados, mas sem desesperos, estamos todos juntos contribuindo, cada um com a sua maneira, para superarmos o mais rápido possível esse momento de grande adversidade. E superaremos. 

Não tenho dúvidas de que o país logo vencerá essa grande batalha contra o coronavírus e o povo chinês sairá ainda mais fortalecido.

José Medeiros da Silva é doutor em Ciência Política, professor na Universidade de Estudos Internacionais de Zhejiang (texto publicado pela Xinhua, agencia estatal de informação da China).

China promete estabilizar emprego via diversificados canais

Beijing, 28 fev (xinhua) -- A China tomará mais medidas específicas para garantir a criação de emprego, incluindo incentivo de contratação online e fornecimento de apoio financeiro para pequenas empresas, para mitigar o impacto do surto de coronavírus no emprego.

As medidas tais como organização online de feiras de emprego e fornecimento de serviços de formação profissional foram reveladas para impulsionar a procura de emprego para os grupos de trabalho chave, incluindo licenciados e trabalhadores migrantes rurais, disse You Jun, vice-ministro dos Recursos Humanos e da Seguridade Social, numa conferência de imprensa na sexta-feira.

O ministério expandirá ainda mais os canais de emprego para fortalecer serviço de contratação online para graduados de faculdade, que o número é provável de atingir o recorde de 8,74 milhões este ano, segundo You.

Além disso, a pasta adotará mais medidas específicas para criar oportunidades de emprego para graduados universitários na Província de Hubei, o epicentro do surto, disse ele.

Ao mesmo tempo, os trens diretos "ponto-para-ponto" têm sido arranjados para trabalhadores migrantes rurais para ajudá-los a voltar para cidades e aliviar a falta de trabalhadores em algumas áreas do leste.

A China decidiu isentar temporariamente os pagamentos da segurança social e adiar a recolha de fundos de previdência habitacional para mitigar o impacto do surto nas empresas e garantir o emprego estável.

Ministério do Comércio da China diz que preços ao consumidor cairão com aumento da oferta

Beijing, 28 fev (Xinhua) -- Os preços ao consumidor na China se estabilizarão e cairão, pois a oferta aumenta e as múltiplas medidas do governo geram efeito, disse o Ministério do Comércio.

O funcionário da pasta, Wang Bin, disse em coletiva online na quinta-feira que os preços ao consumidor tendem a culminar com o aumento da oferta dos principais produtos agrícolas e a implementação de políticas de apoio, tais como cortes tributários e facilitação de logísticas.

O índice de preços ao consumidor (IPC), o principal indicador de inflação na China, subiu 5,4% em janeiro, ante 4,5% em dezembro. Os alimentos aumentaram 20,6% em relação ao ano passado, mostraram os dados oficiais.

Wang disse que o aumento em janeiro foi estrutural e só ocorreu porque foi um momento especial, já que a Festa da Primavera caiu em janeiro deste ano mas foi em fevereiro em 2019, contribuindo para o aumento devido a uma baixa base de comparação.

A forte demanda no feriado da Festa da Primavera, os custos mais altos durante a epidemia do novo coronavírus e os altos preços da carne suína também elevaram o nível do IPC, disse Wang.

O preço da carne suína subiu 116% em janeiro em relação ao ano passado, contribuindo com 2,76 pontos percentuais para o aumento do IPC. Os preços vêm subindo nos últimos meses, principalmente causado pela peste suína africana e por fatores cíclicos.

Itália prepara aumento de déficit para ajudar economia a enfrentar coronavírus

ROMA (Reuters) - A Itália vai colocar em prática nesta semana medidas no valor de 3,6 bilhões de euros para ajudar a economia a suportar o maior surto de coronavírus da Europa, disse o ministro da Economia, Roberto Gualtieri, neste domingo.

Em entrevista ao jornal La Repubblica, Gualtieri disse que isso equivale a 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) e se soma a um pacote de ajuda no valor de 900 milhões de euros anunciado na sexta-feira para as áreas mais afetadas.

Gualtieri disse que o novo projeto incluiria créditos tributários para empresas que reportassem uma queda de 25% nas receitas, reduções de impostos e financiamentos adicionais para o serviço de saúde.

"Quero tranquilizar os italianos de que estamos bem cientes dos problemas e perigos", disse Gualtieri, acrescentando que, se necessária ajuda adicional, ela terá que vir em nível europeu.

A Itália registrou mais de 1.100 casos confirmados de coronavírus desde que o contágio veio à tona nas regiões ricas do norte em 20 de fevereiro. Pelo menos 29 pessoas morreram.

O ministro da Economia disse que estava confiante de que a União Europeia (UE) aprovaria o aumento proposto na meta oficial de déficit da Itália, acrescentando que os ministros do Eurogrupo conversariam no meio da semana por telefone sobre a situação.

Fonte:
Notícias Agrícolas/Xinhua

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