Duas notícias - A boa: o BNDES deve ajudar ao produtor gaucho a enfrentar as dívidas da seca; A ruim: a recessão será inevitável

Publicado em 19/03/2020 14:25 e atualizado em 19/03/2020 16:48
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Antônio da Luz - Economista-chefe da FARSUL, conta para o Notícias Agrícolas como o setor deverá ser impactado pela recessão global advinda da pandemia
Antônio da Luz - Economista - FARSUL

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Economia diante do coronavírus - Entrevista com Antônio da Luz - Economista - FARSUL

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A burocracia de Brasília está fechada pelo coronavírus, mas o trabalho dos executivos do Agro continua em home-office. E através da internet, Antonio da Luz, economista-chefe da Farsul, conseguiu avançar nas resoluções visando mitigar as dívidas dos produtores gauchos, causado pela seca que atinge o Estado. Conversou ontem com representantes do ministerio da Economia em Brasília, teve apoio firme da ministra da Agricultura, Teresa Cristina, e hoje reuniu-se com o BNDES para diminuir os impactos das perdas climáticas na vida de 225 mil produtores gauchos.

Quanto às dívidas com os Bancos os produtores pedem a divisão das compromissos de 2020 em 10 parcelas, sendo a primeira podendo ser paga em junho do ano que vem. Sobre as dividas de investimentos (PSI/Moderfrota). O montante do endividamento gira em torno de R$ 19 bi. Antonio da Luz diz que o pleito será apreciado pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).

Já quanto às dívidas fora do sistema financeiro (as particulares), o economista da Farsul propõe a mitigação através da utilização de novas ferramentas de crédito aprovadas no MP do Agro. Ou seja, cada produtor transformaria sua divida numa CPR; o BNDES compraria esses recebiveis, e os venderia no mercado através de uma CDCA (Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio). Os juros serão definidos através dessas reuniões virtuais, mas no entender de Antonio da Luz, tudo se encaminha para uma boa solução.

Já quanto aos impactos da pandemia de coronavírus sobre a economia brasileira e também sobre o Agro, o economista da Farsul não esconde a extrema preocupação. "Seremos atingidos pela recessão mundial; não há como fugir da realidade. Nosso PIB será negativo, e vamos demorar pelo menos mais de 1 ano para sair dessa situação".

Perguntado se o Agro exportador estaria livre do contágio, Antonio da Luz se mostra pessimista pois o maior comprador de nossos grãos, a China, foi duramente atingida pela crise. (acompanhe a entrevista acima).

Governo anuncia benefício a trabalhador de baixa renda que sofrer redução de salário por coronavírus

BRASÍLIA (Reuters) - O Ministério da Economia anunciou nesta quinta-feira novo auxílio à população mais vulnerável que tiver renda e jornada reduzida por causa do surto do coronavírus.

Em apresentação divulgada à imprensa, o ministério disse que todos que recebem até dois salários mínimos e tiverem redução de salário e jornada em função da epidemia receberão uma antecipação de 25% do que teriam direito mensalmente caso requeressem o benefício do seguro-desemprego.

A medida contemplará mais de 11 milhões de pessoas, ao custo de 10 bilhões de reais, que serão cobertos com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador, segundo ministério.

Agronegócio pede garantias para manter logística portuária; Bolsonaro promete proteções

SÃO PAULO (Reuters) - Uma carta assinada por quase 50 entidades representantes de cadeias do agronegócio foi endereçada ao presidente da República, Jair Bolsonaro, e ao ministro de Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, solicitando apoio do governo federal para garantir o funcionamento da logística portuária nacional em meio à crise do coronavírus.

No documento, ao qual a Reuters teve acesso nesta quinta-feira, as associações pedem atenção especial ao Porto de Santos, "diante da ameaça de paralisação por parte do Sindicato dos Estivadores de Santos, São Vicente, Cubatão e Guarujá".

Na hipótese de paralisação em Santos, maior porto da América Latina e principal rota de escoamento de diversos produtos agrícolas brasileiros, as entidades afirmaram que haveriam "elevadas chances de essa ação disparar processo em cadeia nos demais portos, destruindo empregos e afundando o país em um efeito dominó cujos prejuízos são incalculáveis neste momento".

Apesar da ameaça dos estivadores, o Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp) e a assessoria de imprensa do Porto de Santos disseram nesta quinta-feira que as operações seguem normalmente.

O presidente do Sopesp, Regis Prunzel, participou de uma reunião na quarta-feira para tratar sobre o assunto e, segundo ele, os trabalhadores apoiaram a iniciativa de manter operações, com a expectativa da implementação de algumas medidas. Entre elas, ficou decidido a redução de aglomerações no perímetro do porto.

Em sua conta no Twitter, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que haverá "proteção máxima" para a continuidade das operações nos portos.

"Para minimizar os impactos do coronavírus no país e garantir a saúde da população, temos como missão a circulação e o abastecimento de insumos, mercadorias e itens básicos em todas as regiões", disse Bolsonaro no post.

Um representante do Ministério da Infraestrutura não pôde comentar imediatamente quais outras medidas teriam sido tomadas.

Em pronunciamento nesta quinta, o governador paulista, João Doria, disse que o Ministério da Infraestrutura agiu prontamente para evitar que o porto fosse fechado.

"Fechar o maior porto do país seria um desastre do ponto de vista do abastecimento público...", comentou Doria.

Chances de recessão nos EUA são de 80% apesar de medidas emergenciais do Fed

BANGALORE (Reuters) - A crise do coronavírus quase certamente encerrou a maior expansão dos Estados Unidos já registrada e levou a economia ao início de uma pequena queda, de acordo com analistas consultados pela Reuters, que projetam 80% de chance de recessão este ano.

O Federal Reserve, em uma ação de emergência no domingo, reduziu a taxa de juros para quase zero e reiniciou seu programa de compras de ativos. Desde então, já acrescentou trilhões de dólares em liquidez para manter os mercados em funcionamento.

Mas isso não será suficiente para impedir uma recessão, embora os economistas pareçam achar que o golpe será duro mas temporário, com a maioria esperando pelo menos uma recuperação modesta na segunda metade do ano.

"Acreditamos que a economia dos EUA entrou em recessão, juntando-se ao resto do mundo, e é um mergulho profundo ... Embora o declínio seja grave, acreditamos que será de curta duração", disse Michelle Meyer, economista do BofA Merrill Lynch, que espera que o Produto Interno Bruto recue 12% no segundo trimestre, depois de crescer apenas 0,5% no atual.

"Esperamos que a economia retorne ao crescimento no terceiro trimestre. Empregos serão perdidos, a riqueza será destruída e a confiança diminuída. A salvação virá se houver uma resposta política direcionada e agressiva para compensar a perda de atividade econômica e garantir um bom desempenho do sistema financeiro", afirmou.

Na pesquisa da Reuters, realizada após o movimento emergencial do Fed no domingo, a probabilidade de uma recessão nos EUA saltou para 80% nos próximos 12 meses, ante percentual de 30% em uma pesquisa realizada apenas duas semanas atrás, com base em respostas a uma pergunta adicional sobre o longo prazo.

Isso ressalta a rapidez com que a severidade do golpe na economia está se tornando aparente.

A expectativa é de que a economia dos EUA cresça 0,7% no trimestre atual, cerca da metade da taxa prevista em uma pesquisa da Reuters publicada há um mês, e muito abaixo da última taxa real registrada de 2,1% nos últimos três meses de 2019.

A economia deve então recuar 5,0% no próximo trimestre, ante crescimento de 1,8% na pesquisa de 20 de fevereiro, com previsões variando em uma ampla faixa, de queda de 25,0% a alta de 0,6%.

Entre os cerca de 40 economistas consultados, apenas 20 entrevistados prevêem uma recessão técnica, definida como dois trimestres consecutivos de contração, com a maioria dizendo que isso acontecerá no primeiro semestre deste ano.

A previsão mediana para o pior cenário possível foi uma contração econômica no trimestre atual de 1,0% e, em seguida, de 6,0% no segundo trimestre.

Por enquanto, espera-se que a economia se recupere no segundo semestre de 2020, crescendo 1,5% no terceiro trimestre e 2,5% no último trimestre deste ano.

As perspectivas de crescimento para o ano inteiro de 2020 foram reduzidas para 0,5%, ante patamar de 1,8% previsto no mês passado e, no pior cenário, pode ocorrer queda de 2%, de acordo com a mediana das respostas.

Ministério da Economia anunciará mais medidas para combate ao coronavírus nesta 5a-feira

BRASÍLIA (Reuters) - O Ministério da Economia anunciará mais medidas para combate ao coronavírus nesta quinta-feira, em coletiva de imprensa virtual às 15h30, informou a assessoria de imprensa da pasta.

Participarão da divulgação o secretário-executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys, e o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco.

Também estarão presentes o secretário de Previdência, Narlon Gutierre; o presidente do INSS, Leonardo Rolim; o secretário do Trabalho, Bruno Dalcolmo; e o presidente da Fundacentro, Felipe Portela.

Banco da Inglaterra ampara mercados, mas medo de recessão permanece

(Reuters) - As ações europeias encerraram em alta nesta quinta-feira, depois de mais estímulos de emergência pelo Banco da Inglaterra (BoE, banco central britânico), embora ainda restem dúvidas sobre se será suficiente para atenuar o choque econômico causado pelo surto de coronavírus.

O mercado em Londres fechou apenas em leve alta, depois que o BoE cortou a taxas de juros para 0,1% e aumentou sua compra de títulos. O movimento seguiu medidas de emergência do Banco Central Europeu (BCE) nesta quinta-feira.

O índice FTSEurofirst 300 subiu 3,29%, a 1.133 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhou 2,91%, a 288 pontos, apesar dos ganhos diários terem sido uma fração das perdas ao longo do mês. O STOXX 600 perdeu mais de um terço do seu valor desde que atingiu máxima recorde no mês passado.

"Em última análise, nada disso irá, infelizmente, impedir uma recessão no Reino Unido, o que, como na maior parte do mundo desenvolvido, agora parece inevitável", escreveram James Smith, economista de mercados desenvolvido, e Petra Krpata, estrategista-chefe de câmbio e juros para Europa, Oriente Médio e África, ambos do ING, referindo-se ao movimento do BoE e ao pacote de estímulos.

As ações de telecomunicações estiveram entre os setores com melhor desempenho do dia, subindo cerca de 4,7%, com a Jefferies dizendo que certas facetas do segmento poderão se beneficiar do surto.

As ações de energia subiram mais de 3% em relação a uma mínima de 24 anos, acompanhando os ganhos nos preços do petróleo. No entanto, uma guerra de preços entre os principais produtores e a demanda enfraquecida devido à tensão decorrente do surto levaram a uma redução nos preços para mínimas de vários anos.

O setor de recursos básicos ficou entre os poucos em queda no dia, com as mineradoras --cujas ações têm expressivo peso nos índices-- no mercado de Londres ligeiramente pressionadas pela força da libra.

Em LONDRES, o índice Financial Times avançou 1,40%, a 5.151,61 pontos.

Em FRANKFURT, o índice DAX subiu 2,00%, a 08.610,43 pontos.

Em PARIS, o índice CAC-40 ganhou 2,68%, a 3.855,50 pontos.

Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve valorização de 2,29%, a 15.466,97 pontos.

Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou alta de 1,93%, a 6.395,80 pontos.

Em LISBOA, o índice PSI20 desvalorizou-se 1,26%, a 3.596,08 pontos.

(Reportagem de Ambar Warrick e Sagarika Jaisinghani)

Fonte:
Notícias Agrícolas/Reuters

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