Governo reduz projeção de crescimento do PIB a 2,0% em 2026 e 2,3% em 2027

Publicado em 22/09/2026 14:53 | Atualizado em 22/09/2026 16:38

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BRASÍLIA, 22 Set (Reuters) - A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda reduziu nesta terça-feira sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,3% para 2,0% neste ano e de 2,5% para 2,3% em 2027, citando efeitos do nível restritivo de juros no país.

Em seu Boletim Macrofiscal, que traz estimativas usadas para guiar a execução do orçamento, a secretaria afirmou que sua grade de parâmetros foi ajustada para prever uma taxa Selic média um pouco mais alta, “incorporando um ciclo de flexibilização marginalmente mais gradual do que o previsto”.

De acordo com a SPE, a revisão para o crescimento deste ano incorpora um resfriamento mais concentrado no setor de serviços, que deve crescer 1,8%, abaixo dos 2,4% estimados há dois meses. A SPE ainda reduziu de 2,1% para 1,7% a projeção de crescimento da indústria. O dado da agropecuária subiu de alta de 1,8% para 2,8%, compensando apenas parcialmente a queda nos outros setores.

A SPE acrescentou que a revisão para o PIB de 2027, motivada por um ciclo mais gradual de corte dos juros, deslocou a recuperação econômica para os anos seguintes. A pasta prevê altas em torno de 2,6% na atividade de 2028 a 2030.

INFLAÇÃO

Na visão da SPE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará 2026 em 4,9%, contra 5,1% previstos em julho, refletindo dados melhores do indicador nos últimos meses.

"Para os próximos meses, espera-se alguma acomodação das pressões inflacionárias sobre os serviços, em linha com a desaceleração da atividade e a gradual acomodação do mercado de trabalho", disse o documento, apontando que as condições financeiras ainda restritivas no país também devem contribuir para esse movimento.

Já a inflação no próximo ano deve ser de 3,8%, acima da previsão anterior de 3,6%, segundo a pasta.

O país tem uma meta contínua de inflação de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos -- de 1,5% a 4,5%.

Na avaliação da secretaria, o fenômeno El Niño pode pressionar os preços de alimentos ainda este ano, mas seus efeitos mais significativos devem se concentrar na safra de 2027.

(Por Bernardo Caram, edição de Isabel Versiani)

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