Safra de algodão 25/26 fecha com produção maior, apesar do recuo da área semeada
Safra de algodão 25/26 fecha com produção maior, apesar do recuo da área semeada
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A safra brasileira de algodão 2025/26 caminha para encerrar o ciclo com produção superior à temporada passada, mesmo após a redução da área cultivada. O principal responsável pelo resultado foi o desempenho das lavouras, que apresentaram produtividades acima das expectativas nas principais regiões produtoras acompanhadas pela Agroconsult.
Segundo Heloisa Melo, sócia-diretora da Agroconsult, as condições climáticas favoreceram o desenvolvimento das lavouras durante praticamente todo o ciclo, especialmente em Mato Grosso e no Oeste da Bahia, estados que concentram mais de 90% da produção nacional.
“O clima foi um relógio perfeito para essa safra”, afirmou. De acordo com Melo, as chuvas ocorreram em momentos favoráveis ao desenvolvimento das plantas, enquanto tecnologia e manejo adotados pelos produtores também contribuíram para os elevados potenciais produtivos.
Na Bahia, as lavouras de sequeiro chegaram a apresentar potencial superior ao observado em algumas áreas irrigadas. Mato Grosso também registrou resultados acima das expectativas nas regiões visitadas pelo Rally da Safra.
Apesar do bom desempenho produtivo, chuvas no final do ciclo provocaram problemas pontuais de qualidade, principalmente relacionados à cor da fibra. No geral, porém, a avaliação permanece positiva.
A análise definitiva ainda depende do avanço do beneficiamento. Atualmente, pouco mais de um terço do algodão brasileiro passou por esse processo, e a expectativa da Agroconsult é de que o rendimento de fibra possa superar o observado na temporada passada, o que poderia acrescentar volume à produção final de pluma.
Na Bahia, Melo classificou a qualidade observada até agora como excepcional. Em Mato Grosso, a maior parte das regiões também apresenta fibras de boa qualidade, embora existam casos pontuais de alteração de cor e presença de impurezas relacionadas à dessecação e às chuvas no período final da safra.
O cenário de mercado também melhorou nas últimas semanas. Enquanto importantes produtores internacionais, como Estados Unidos, Austrália, China e Índia, enfrentam perspectivas de safras menores, o Brasil aumenta sua produção e encontra cotações mais favoráveis.
A combinação entre produtividade elevada e melhora dos preços já começa a influenciar as expectativas para 2026/27. Segundo Melo, parte da área reduzida na atual temporada pode voltar a ser cultivada com algodão no próximo ciclo.
Em Mato Grosso, essa decisão passa diretamente pela comparação com o milho de segunda safra. A disputa é especialmente acirrada no Médio Norte e ao longo da BR-163, enquanto no Oeste do estado o maior potencial produtivo do algodão reduz a competitividade relativa do cereal.
Na safra 2025/26, a maior liquidez do milho e preços considerados remuneradores aproximaram a rentabilidade das duas culturas em algumas regiões. Produtores conseguiram elevar o pacote tecnológico e o potencial produtivo do cereal plantado dentro da janela tradicional do algodão.
Para 2026/27, porém, a relação econômica começa diferente.
“Quando a gente faz toda a análise financeira de custos e rentabilidade e o retorno sobre o custo, o algodão está pesando mais. Essa conta está muito mais pró-algodão, nesse momento, do que para o milho”, destacou Melo.
A definição efetiva da área ainda dependerá das condições de mercado e da janela deixada pelo plantio e desenvolvimento da soja, mas o cenário atual abre espaço para uma possível recuperação do algodão na próxima temporada.
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