Soja: Prêmios nos portos do Brasil e Golfo do México seguem positivos e melhores do que em anos anteriores

Publicado em 19/05/2015 09:37 738 exibições
Soja: Prêmios nos portos brasileiros e no Golfo do México seguem fortes e refletindo a demanda intensa e os produtores nas principais origens - Argentina, Brasil e EUA - segurando suas vendas. Sojicultores podem ter melhores oportunidades de comercialização no segundo semestre, de acordo com consultor, e demanda interna deve contribuir.

A forte demanda global pela soja tem refletido os prêmios nos portos brasileiros. Em Paranaguá, por exemplo, a posição setembro/15 trabalha com 95 centavos de dólar acima dos preços praticados na Bolsa de Chicago.

No entanto, mesmo com a soja setembro/15 valendo em torno dos US$ 10,30 cents/bushel somado ao prêmio, os produtores não estão participando do mercado. Vlamir Brandalizze, analista de mercado explica que boa parte da safra brasileira já está comercializada e o volume restante está retido com os produtores que esperam alta nos preços no segundo semestre.

"O produtor tem tratada o soja de forma correta nesses últimos 3 a 4 anos, realizou operações de comercializações bastante acertadas. Como hoje temos no Brasil um ritmo acelerado - no Mato Grosso mais de 85% da safra negociada, nos demais estados do Centro-Oeste a comercialização está acima de 80%, a região mais atrasada é o Sul com 75% - o volume disponível é pequeno, então o produtor está usando esse volume como artigo financeiro, preferindo ficar com a soja para vender nos próximos meses e usar os recursos para pagar parcelas com maquinários ou aquisição dos insumos para próxima safra", declara Brandalizze.

Para ele, a estratégia de reter parte da produção é assertiva, uma vez que o período de entressafra no mercado brasileiro, e o pico da entressafra mundial são no mês de setembro. A soja norte-americana só começa a chegar ao mercado a partir do final de outubro, começo de novembro, e o preço pode começar a cair.

Outro fator que tem colaborado para elevação dos prêmios são os produtores argentinos que também estão fora do mercado. Segundo Brandalizze, a expectativa de melhoras no cenário político com as eleições no final do ano devem influenciar na comercialização safra argentina. "O produtor argentino neste ano comprou muito silo bolsa para armazenar soja - a venda desse estilo de armazenagem esse ano foi recorde - e o produtor vai apostar em vender o mais tarde possível, porque ele acredita que a eleição traga ganhos para ele. Isso é importante porque o mercado vai se vendo obrigado a consumir os estoques e é por isso que os Chineses estão comprando o máximo de soja", afirma.

A demanda por óleo de soja também vêm forte, somente para utilização na indústria do biodiesel será consumido 16 milhões de toneladas de soja no Brasil. Sendo assim, o crescimento de 6,5 milhões na produtividade da safra 2014/15 será absorvido quase que em seu total pela indústria nacional de biodiesel, "o que deve criar uma demanda adicional de mais de 1,5 bilhões de litro de óleo de soja para suprir esse setor, então todo a essa soja que crescemos na produção não será ofertada no mercado como soja em grão", explica o analista.

 

Safra 2015/16 EUA

A produção de 4 safras consecutivas sem problemas climáticos, sendo a safra 2014/15 registrando produtividade recorde de 108 milhões de toneladas, deixa a pressão de venda sobre o produtor norte-americano baixa. Brandalizze afirma que os produtores só voltaram ao mercado quando Chicago aliado aos prêmios alcançar os US$ 10,50 a US$ 11 por bushel.

No entanto, a confirmação do fenômeno El Niño pode trazer chuvas para o cinturão produtivo no período de florada e consequentemente limitar a produtividade, e esse fator já começa a preocupar os agricultores norte-americanos.

"A cautela do produtor norte-americano é de vender pouco, porque ele não acredita que caia abaixo desses valores, e vai tentar conseguir pelo menos US$ 1 a mais do que o mercado está trabalhando hoje", declara Brandalizze.

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Por:
Carla Mendes e Larissa Albuquerque
Fonte:
Notícias Agrícolas

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