Petróleo em alta puxa preços da soja em Chicago, mas queda do dólar anula ganhos nos portos brasileiros

Mercado da soja segue dentro de um canal de alta em Chicago mas movimento está fragilizado pela expectativa de clima favorável para o plantio nos EUA
Publicado em 15/05/2017 12:01
Confira a entrevista com Miguel Biegai - Analista da OTCex Group

Podcast

Miguel Biegai - Analista da OTCex Group

Download
 

O mercado da soja na Bolsa de Chicago começa a semana testando algumas novas altas. Os preços encontravam espaço para voltar a subir diante de alta observada entre os futuros do petróleo - os quais subiam tanto na Bolsa de Nova Iorque, quanto na de Londres - e também pelo avanço das cotações do óleo de soja na CBOT. 

Para o analista de mercado Miguel Biegai, da OTCex Genebra, na Suíça, caso os preços do petróleo sigam avançando, eles podem continuar puxando o mercado do óleo e, consequentemente, da soja em grão. No entanto, afirma: "o que vai influenciar mesmo os preços ainda netsa semana é o clima nos Estados Unidos". 

E sobre isso, os traders ainda não se deparam com novidades muito relevantes. Biegai diz que os mapas climáticos seguem mostrando uma melhora nas condições de plantio nas próximas semanas, e as projeções de tempo frio também começam a diminuir. "Os dias ficam mais longos e as temperaturas já não tão baixas", diz. 

Dessa forma, em seu reporte semanal de acompanhamento de safras a ser reportado no final da tarde desta segunda-feira (15), o USDA poderia trazer números indicando uma recuperação no atraso do plantio nos EUA, principalmente para o milho. "Deve continuar atrasado, mas menos do que na semana anterior", explica o analista. 

Entre as análises gráficas, o canal de alta para os futuros da soja se mantém e, ainda de acordoc com o executivo, o intervalo no qual os preços trabalham melhora e passa a ser de US$ 9,50 a US$ 9,90, com patamares de suporte e resistência mais altos, portanto. Todavia, Biegai lembra que o mercado segue lateralizado, ainda sem uma direção muito bem definida. 

O que poderia mudar esse quadro, além do clima, seriam novidades sobre a demanda. "E hoje temos um evento de demanda atuando, com essa alta do petróelo deixando o óleo de soja mais competitivo e atraindo a demanda", explica. 

Mercado Brasileiro

Biegai segue orientando os produtores a, aos poucos, seguirem participando do mercado, fazendo vendas na medida em que os preços se aproximem da resistência. 

"O produtor vende a soja, compra uma call e, se o mercado continuar subindo, ele participa também", diz. Hoje, o prêmio pago para uma opção curta - vencimento entre junho e agosto - é de, aproximadamente, US$ 0,50 por saca. "E ele ainda se livra dos custos de armazenagem e da perda de peso da soja". 

Com o dólar ainda baixo no Brasil, testando, inclusive nesta segunda-feira algo abaixo dos R$ 3,10 - os negócios no Brasil devem continuar sem força. As referências devem voltar à casa dos R$ 68,00 por saca, algo ligeiramente acima disso, mas os negócios só devem voltar a acontecer, com volumes expressivos, com as cotações de volta aos R$ 70,00 nos portos. 

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Receba em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Seguir canal

0 comentário