Ritmo de crescimento da demanda por alimentos na próxima década deve ser menor que a dos últimos 10 anos, alerta FAO

Publicado em 13/07/2017 11:01 e atualizado em 13/07/2017 14:28
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Brasil mantém importância na produção de grãos como soja e milho, por ser um dos poucos países com áreas para expandir além do destaque na produção de carnes

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) divulgou seu novo relatório de perspectivas agrícolas, no qual aponta-se um crescimento mais tímido para a demanda de alimentos.

Alan Bojanic, representante da FAO no Brasil, conta que o relatório é uma parceria com a OCDE que analisa 25 culturas e sempre traz as perspectivas para a demanda desses produtos nos próximos dez anos.

Tendo em conta esses fatores, ele sinaliza que o relatório deste ano tem como foco o Brasil e aponta que o crescimento da demanda desses produtos deve ser um pouco mais tímida, em torno de 1% a 2% por ano, resultando em 10% a 15% de aumento em dez anos, dependendo do produto e da economia.

Entretanto, "podem acontecer muitas coisas no mundo nesses dez anos que podem mudar essa previsão", diz Bojanic.

No caso da soja, ela vinha crescendo em torno de 2,6%. Outras culturas chegavam a 3%. Esse crescimento do passado teve muito a ver com o crescimento da demanda da China e da Índia. Agora, com a China consumindo menos, não deve haver um novo "pulo" de crescimento nessas demandas.

O Brasil, nos próximos cinco anos, deve superar os Estados Unidos como produtor de soja, sendo o maior produtor de soja do mundo. Os Estados Unidos já esgotaram as possibilidades de expansão e o Brasil tem uma possibilidade de produção de mais de uma safra por ano, ao mesmo tempo que utiliza uma tecnologia vantajosa e favorável a este crescimento.

A grande aposta, neste momento, tem que ser pela produtividade, como salienta o representante. "Temos que pensar em atingir maiores níveis de rendimentos", afirma.

Existe também um crescimento de oferta para o milho, que viria da América Latina, da Ásia e do Pacífico e da América do Norte - cada região com um potencial de incremento diferenciado. O Brasil e a Argentina poderiam contribuir com 30% desses aumentos.

Ele destaca que o Brasil está em uma boa posição para fornecer proteína animal para o mundo, em decorrência de uma maior oferta de milho. A demanda por carnes vem com um crescimento mais tímido para este ano, contudo. De todas as carnes, a carne de peixe tem as expectativas de maior crescimento para o futuro.

O relatório completo pode ser baixado no site da FAO: http://www.fao.org/brasil/pt/

Por: Aleksander Horta e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

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