Soja: Negócios Brasil e China independem da guerra comercial, diz Liones Severo

Publicado em 27/02/2019 10:58 e atualizado em 27/02/2019 16:58
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Produto brasileiro ainda é o mais barato para a China e os demais importadores e, por isso, mantém sua grande e importante competitividade. Produtor, no entanto, tem que estar atento ao seu fluxo e momento de comercializar.
Liones Severo - Diretor do SIMConsult

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Entrevista com Liones Severo - Diretor do SIMConsult sobre o Mercado da Soja

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Na manhã desta quarta-feira (27), Liones Severo, diretor do SIMConsult, conversou com o Notícias Agrícolas e destacou que as possibilidades do Brasil nas negociações de soja são independentes da disputa comercial entre China e Estados Unidos. O conflito já deixou de ser comercial há algum tempo - e se configura como um conflito geopolítico, de forma que um acordo estaria muito distante. As opiniões ainda divergem. 

Enquanto isso ocorre, a demanda persiste, os hábitos alimentares não mudaram e a China e os demais países da Ásia continuam precisando do produto. A soja brasileira ainda é mais barata para a China e para outros compradores, o que intensifica as possibilidades do Brasil.

No entanto, Severo explica que é preciso que o produtor brasileiro inclua em sua estratégia de comercialização a questão cambial e a realidade das duas moedas que formam o preço para a soja nacional. 

"O preço em dólares está realmente muito baixo, os prêmios também (...) E quando o produtor brasileiro vende, ele vende com base na moeda local. E essa moeda local, o real, despreza o preço em dólar. Então, ao se negociar da ótica do real não pode haver nenhuma relação com o preço em Chicago ou mesmo com o prêmio", diz. 

E os movimentos de venda de soja no Brasil, que hoje é o protagonista entre os vendedores mundiais da oleaginosa, são importante fator de mercado e devem ser considerados também. "Se o dólar se valorizar mais, retomar os R$ 4,00, poderia haver uma enxurrada de vendas brasileiras que, automaticamente corresponde a uma venda de igual volume na Bolsa de Chicago e os preços em dólares, então, cairiam muito", diz. 

Ademais, o consultor orienta ainda o produtor do Brasil a a dividir suas vendas de forma que ele aproveite os momentos de consumo, e não perca boas oportunidades de venda. 

O economista-chefe do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também declarou, na última semana, que os Estados Unidos não têm como substituir a China nas suas exportações de soja. Com toda essa situação, pode ser que haja um déficit na oferta caso a América do Sul perca mais de 11 milhões de toneladas de sua produção.

Para o produtor brasileiro, é importante entender que as possibilidades são grandes e independentes da guerra comercial. Os preços caminham lateralizados em Chicago e são pressionados no Brasil, que ainda carrega um protagonismo no comércio da soja.

Severo acredita que o Brasil tem que estabelecer sua relação com o mercado internacional vendendo sua soja em outra base, já que o preço em dólar pode ser bastante depreciado se isso não ocorrer. Ele ressalta que os brasileiros têm de aprender a negociar com a China, que possui uma cultura e economia muito diferentes da nossa realidade.

A estimativa do SIMConsult para a safra de soja do Brasil está entre 104 a 107 milhões de toneladas. Severo acredita que a chuva que caiu no Paraná não deve recuperar a soja a tempo.

Por Carla Mendes e Izadora Pimenta
Fonte Notícias Agrícolas

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