Arrendamento justo é aquele que divide a produtividade em partes iguais, diz Paulo Nicola

Publicado em 24/07/2020 17:22 e atualizado em 27/07/2020 11:50 6197 exibições
Paulo Roberto Nicola - Empresário e Produtor Rural na Região de Santiago/RS
Entrevista com Paulo Roberto Nicola sobre Gestão Financeira nas propriedades rurais

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Entrevista com Paulo Roberto Nicola - Empresário e Produtor Rural na Região de Santiago/RS sobre Gestão Financeira

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Sempre levando em consideração a produtividade média da região, "o arrendamento deveria ser proporcional à fertilidade do solo", aponta Paulo Nicola, autor de dois livros sobre gestão financeira dentro das propriedades. Este é o foco de sua nova entrevista ao Notícias Agrícolas, dentro de uma série semanal onde procura orientar aos produtores a evitarem perdas consideráveis que afetam a sua lucratividade, e, com isso, incorrendo em crise financeira que pode levá-lo à inadimplência. 

Paulo Nicola aponta uma séria preocupação com o aumento das falencias nas áreas agrícolas do País "essencialmente porque os produtores estão desatentos no que afeta o lucro bruto nas propriedades, principalmente em épocas de altas lucratividades, como ocorre atualmente". "Mas - acrescenta- épocas de vacas gordas costumam seguir por épocas de vacas magras".

Dentro das "pedras" -- que se transformam em verdadeiros obstáculos à lucratividade e à solvencia --, está o arrendamento, que, estranhamente, aumentam de valor como consequencia do aumento dos preços da principal commoditie negociada no Brasil, que é a soja. "Ora, o preço sobe para os dois, o arrendatário e ao proprietário da terra". 

Por isso, Paulo Nicola aconselha um bom entendimento e um bom contrato com o proprietário, para evitar perdas e dissabores na parceria. "Essa é uma forma que come o lucro do produtor", diz Paulo Nicola, exemplificando seu aconselhamento mostrando a sua própria planilha de custos. (abaixo)

"-- Aliás, a principal mensagem é a anotação de seus dados", diz ele, que, além de produtor e empresáro, é professor de física e matemática.

LIVRO GRATUITO

Nesta entrevista, Paulo disponibiliza, em seu site, os dois livros gratuitamente, que podem ser baixados via PDF.

Para tanto, basta entrar no endereço www.economiarural.com.br

Fonte:
Notícias Agrícolas

5 comentários

  • harry takahide daijó Foz do Iguaçu - PR

    Estou acompanhando atentamente todas as "aulas" do sr. Paulo Nicola e devo admitir que elas têm, segundo o meu olhar, cumprido muito bem o seu papel. Fica claro que o sr. Paulo não quer afirmar "taxativamente" o que é certo e o que é errado. Por outro lado, ele faz muitas colocações que são provocantes e oportunas a todos os produtos rurais brasileiros. Para concordar ou discordar das inquietações que ele traz à tona é preciso conhecer e pensar atentamente o nosso próprio negócio. O meu aplauso também ao João Batista, que, com a sua experiência incontestável, enobrece ainda mais o debate. O Notícias Agrícolas está de parabéns pela iniciativa: de promover muita clara e abertamente esse debate tão importante.

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    • Paulo Roberto Nicola Santiago - RS

      Caro HARRY, com suas considerações, por um lado me sinto recompensado e por outro, inquieto pois aumenta em muito nossa responsabilidade. Como diz nosso mestre da comunicação, vamos em frente e viva o Brasil. Obrigado

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  • Cácio Ribeiro de Paula Bela Vista de Goiás - GO

    Sr PAULO NICOLA, permita-me discordar de alguns pontos da sua entrevista:

    Sobre o VALOR DO ARRENDAMENTO, pelos riscos absurdamente mais altos, o arrendatário deve ter, NATURALMENTE, resultados financeiros mais elevados, ou, pelo menos a expectativa de retorno deverá ser maior. Se a "margem" for equalizada, como o Sr propõe, nos anos de frustração como ficará essa equalização, se o contrato for em valores fixos (sacas de soja/hectare)..? Aí é"fumo" na certa para o arrendatário...!

    Por outro lado, com a boa exploração da terra, naturalmente o PROPRIETÁRIO terá o benefício do ganho, ainda que não embolso direto, "ganho caixa", da valorização do seu patrimônio (TERRA).

    Outro ponto discordante, fixar o arrendamento pela "PRODUTIVIDADE" do solo é muito vago, pois um mesmo solo poderá ter diferentes produtividades se explorado por diferentes AGRICULTORES (decorrente de níveis diversos de eficiência na exploração do mesmo solo)...

    Os seus exemplos e simulações podem ser válidas para sua região, ainda que não extrapolados integralmente para todos próximos ao senhor, que dirá para todo o "CONTINENTE BRASIL"!

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    • Paulo Roberto Nicola Santiago - RS

      Prezado Cácio, ao abordarmos o assunto administração financeira rural não podemos pensar em fronteiras. Nosso foco é analisar toda e qualquer despesa que venha a diminuir o Lucro Bruto do produtor, e acredite, serve para qualquer cultura agrícola em qualquer ponta do pais e sendo o arrendamento o maior custo que um produtor possa ter em sua atividade, se faz necessário uma referência e nada mais justo, sob a ótica financeira, do que comparar sua renda média ao longo dos anos ao valor pago ao proprietário da terra.

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    • Cácio Ribeiro de Paula Bela Vista de Goiás - GO

      Sr Paulo, os conceitos são os mesmos, não têm fronteiras (usando sua expressão), porém os números que o senhor usa não podem ser os mesmos, seja no RS, em GO ou em TO. Reforço o que afirmei, o ARRENDATÁRIO, pelo risco que assume, não pode, NUNCA, ter expectativa de rentabilidade igual a do PROPRIETÁRIO da terra.

      Saudações!

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    • Paulo Roberto Nicola Santiago - RS

      OK Sr. Cácio, respeito sua opinião... estamos aqui justamente para isso, colocarmos nossos conceitos. Valeu.

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    • Rafael Antonio Tauffer Passo Fundo - RS

      Pode ter certeza que a grande maioria dos arrendatários estão ganhando menos que o proprietário da terra.

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  • Valdecir Rodrigues de Oliveira Jundia? - SP

    Há uns 2 anos, quando ainda residia parte do tempo em Londrina PR, procurando entender melhor a dinâmica das pequenas, médias e grandes propriedades produtoras de grãos, nos diferentes modelos de ocupação do solo, rotação de culturas e atividades praticadas, com a finalidade de customizar e desenvolver minha plataforma de gestão integrada voltada a este nicho de mercado, fiz uma simulação de resultado econômico - financeiro com base nos valores de arrendamento praticados à época na região de 20 a 25 scs / ha.

    Com base nos valores de mercado de "pedra" e futuros para venda, produtividades médias da região e "pacotes fechados de Barter" praticados, no melhor dos cenários o arrendatário ficaria no "zero a zero" e no pior teria um prejuízo significativo, do qual precisaria de muitos anos bons à frente para se recuperar,caso atuasse apenas no elo "produção" da cadeia.

    No ano seguinte veio uma das maiores secas acompanhada das mais altas temperaturas médias e máximas registradas durante a safra nos últimos 20 anos: fenômeno natural, normal e esperado em algum momento por quem vive neste mundo, diga-se de passagem.

    Arrendamento é baseado em produtividade da terra, "oferta e demanda", e, em algumas circunstâncias muito especiais, da localização da área em relação ao polo local de armazenagem e escoamento da safra.

    Se há demanda, mesmo nesse valor de arrendamento, há a quem interesse e seja viável arrendar: Quem seriam estes arrendatários?

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    • Paulo Roberto Nicola Santiago - RS

      Prezado Valdecir, sua experiencia completa a minha, vejamos suas colocações. ... "no melhor dos cenários o arrendatário ficaria no "zero a zero" e no pior teria um prejuízo significativo, do qual precisaria de muitos anos bons à frente para se recuperar", ... e sua pergunta, ... "Se há demanda, mesmo nesse valor de arrendamento, há a quem interesse e seja viável arrendar: Quem seriam estes arrendatários?" .... Coincidentemente está acima, nesse site, a seguinte reportagem: "Produtores rurais do Brasil carregam dívida de R$ 700 bilhões e temem a execução das garantias". Esse é meu objetivo junto ao Notícias Agrícolas, evitar que os produtores que não tenham uma referência para balizar seus custos venham a ter suas garantias penhoradas.

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    • Matteus Sanches Santa Cruz do Rio Pardo - SP

      Prezado Sr Paulo Roberto, Bom Dia! Aqui na região da divisa de SP/PR o arrendamento gira em torno de 20 sacas de soja/hectare, nas áreas de altas produtividades. Acredito que está caro também, mas penso que isso se deve à possibilidade de se explorar a área o ano todo com o milho safrinha ou também sorgo, que atualmente estão em preços bem atrativos. Acredito que, infelizmente, produtores menos capitalizados, em um cenário de menor subsídio governamental, acabem por abandonar a atividade ou ir à falência, pois a oscilação climática tem sido bem acentuada nos últimos anos, tirando muito dinheiro de caixa dos produtores. Mas assim é o mercado, e a agricultura é cada vez mais jogo de tubarão.

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    • Matteus Sanches Santa Cruz do Rio Pardo - SP

      Outra coisa que sempre comento aqui no Notícias Agrícolas é a concorrência desleal que temos aqui em SP com as Usinas de cana-de-açúcar, devido à esdrúxula reserva de mercado que possuem na gasolina e aos subsídios absurdos que receberam ao longo do tempo. Isso só causa distorções econômicas tanto regional quanto nacionalmente. Inflacionando, também, o preço do arrendamento.

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    • Valdecir Rodrigues de Oliveira Jundia? - SP

      Sr. Paulo, grato pela resposta... Assisti à excelente entrevista do JB Olivi citada acima pelo sr: Realmente urgente e preocupante!

      Sabiamente, a mensagem de vocês que se apresenta como alternativa à esta cultura "predatória" nas relações comerciais dentro de nosso setor, e, em relação a ele, se resume a três pilares - "Bom senso", "Boa vontade" e "Coragem", matérias-primas que andam meio em falta neste "novo - velho normal (anormal)".

      Parabéns ao Sr. e ao Sr. JB Olivi por atenderem - com esta série especial - uma demanda reprimida dos que vivem da agricultura, e, para a agricultura, na mídia: Coragem, honestidade moral e intelectual, clareza e disposição ao debate.

      Obrigado, também, pelo excelente material disponibilizado.

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    • Paulo Roberto Nicola Santiago - RS

      Presado Valdecir, agradecemos sua valiosa cooperação e incentivo pois realmente é importante esses debates pois trazem à tona uma realidade não muito questionada...

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  • André Boss Chaves Capão do Cipó - RS

    Concordo com o Sr. Paulo Nicola. Tudo se inicia la atrás, em sua primeira entrevista, em que nós, produtores, priorizamos a produtividade, nao se importando com os custos. Sabias reflexões.

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  • Gelson Miguel Gehlen da Luz

    Concordo plenamente com a visão do sr Paulo Nicola. Minha ideia é que os contratos de arrendamento deveriam ser regulamentados juridicamente... o produtor que não leva à serio a gestão do seu negócio acaba prejudicando quem leva as despesas na ponta do lápis.

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