Prêmios da soja disparam nos EUA, Brasil e Argentina e, por aqui, podem voltar aos 200 cents sobre Chicago

Publicado em 27/07/2020 17:35 e atualizado em 28/07/2020 07:37 4577 exibições
Liones Severo - Diretor do SIMConsult
Avanço dos prêmios se deu em todo complexo agrícola por todo o mundo dado uma demanda muito intensa por alimentos. Seis próximos meses de mercado enfrentam oferta bastante escassa e disputa intensa.

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Entrevista com Liones Severo - Diretor do SIMConsult sobre os Prêmios da Soja

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Os prêmios da soja dispararam para todo o complexo agrícola no mundo nas últimas semanas diante de uma oferta bastante escassa de produto e de uma demanda muito pujante. Soja, milho, farelo de soja e trigo estão entre os destaques e, como explica Liones Severo, diretor do SIMConsult, os próximos seis meses de mercado serão de mercado ajustado e preços altos. 

SOJA

Para a soja, os prêmios subiram nas principais origens - Estados Unidos, Argentina e Brasil, onde os valores podem voltar ao patamar dos 200 cents de dólar por bushel sobre os valores praticados na Bolsa de Chicago. Os atuais patamares já se encontram na casa dos 165 centavos. 

"Quando há essa escassez, dizemos que é o mercado do vendedor, e o comprador vai pagar o prêmio de resgate que o vendedor está pedindo", explica Severo, que complementa dizendo ainda que, pela primeira vez na história, a soja brasileira se esgotou virtualmente em julho. 

Nos Estados Unidos, o avanço dos prêmios, também como explica o consultor, se deu não só pela demanda, mas também por limitações logísticas no país. Com um aumento de despesas com fretes, os prêmios maiores vêm como uma forma de tentar amenizar parte desse transporte mais caro. "Nos EUA as compras diárias chinesas emperram a logística com forte aumento de custo fazendo disparar os prêmios do complexo agrícola", diz Severo.

Da mesma forma, ele complementa afirmando que "há preços de milho, trigo, arroz, tudo, em patamares, claro que rebuscados pelos prêmios, bastante elevados, muito maiores do que vimos anteriormente. E os prêmios do Brasil começam sempre a subir em julho, então, estamos bem no período", afirma. Assim, no Brasil, "é possível que a gente alcançance os 200 acima muito em breve", completa o diretor do SIM Consult. 

"Se tivemos um esgotamento da nossa safra tão prematuro é porque a demanda é muito maior do que foi estimada", afirma. 

Para a safra nova, os atuais patamares, segundo Severo, ainda estão abaixo da paridade internacional. "A safra nova do Brasil não é 40, 50 centavos acima, é no mínimo 120 acima (de prêmio). Temos a vantagem do bônus que o chinês paga pela qualidade e a vantagem logística", explica. 

FARELO & ÓLEO

E não sobem só os prêmios para a soja neste momento, mas também para o farelo. "Os preços estão muito altos, sobem diariamente na China. As margens de esmagamento são estupendas. O chinês, quando compra, é porque tem resultado, ele pode descarregar os contratos de subprodutos na Bolsa de Dalian, ou ele pode vender esses mesmos subprodutos no mercado doméstico com prêmio", afirma Liones Severo. 

A redução da oferta argentina de farelo de soja é outro fator que contribui com os elevados preços e prêmios do derivado, ainda segundo o analista, o que puxa os valores também do óleo de soja.

MILHO

Acompanhando a soja, os prêmios para o milho também dispararam nos últimos dias. "O resultado é que os vendedores brasileiros de milho retiraram as ofertas do mercado internacional, cotando apenas o embarque setembro ao prêmio de 120 centavos de dólar por bushel acima. O milho dos EUA têm prêmio de 100 e o argentino está de 90, ou seja, um aumento ao redor de 30 cents por bushel em apenas 2 dias para todas essas origens", relata o diretor do SIMConsult.

Severo explica que, atualmente, o milho brasileiro é o mais caro e o melhor do mundo. O grão é o de melhor qualidade, mais limpo e, por isso, o "novo case de sucesso do Brasil". Assim, é bastante disputado e pelas características, quase não possui concorrente. "O responsável pelo achatamento do milho no mercado internacional são os estoques ainda de má qualidade nos EUA por conta dos alagamentos do ano passado".  

Nas contas do milho há ainda o crescente consumo chinês diante de três anos de produto na nação asiática. "A China vai se tornar um grande player desse mercado, esse ano pode chegar a importar 30 milhões de toneladas, estima-se que já está ao redor de 20 milhões, isso vai fazer uma grande diferença, e o milho está escasso no mundo", afirma Liones Severo. Nesta segunda-feira, os preços do registraram suas máximas em seis anos dada a oferta escassa e a necessidade crescente. 

"O milho brasileiro deverá ser muito demandado, podemos ter novas crises de suprimento, já é o terceiro maior produtor do mundo - atrás dos EUA e da China - e consegue embarcar, quando os EUA tem problemas para embarcar", complementa. 

PREÇOS NA BOLSA DE CHICAGO

Nesta segunda-feira (27), os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam o dia com pequenas altas de 0,50 a 1 ponto nos contratos mais negociados. O agosto ficou em US$ 9,06 e o novembro, US$ 8,99.

Ainda como explica Liones Severo, há uma grande dificuldade de reação das cotações na CBOT dado um momento em que os fundamentos reais do mercado passaram a ficar marginalizados diante das questões políticas advindas do conflito geopolítico entre China e Estados Unidos.  

"Eu chamo isso de preços administrados. Não existe investidor para um mercado de preço administrado. O mercado tem que ser livre para respeitar seus fundamentos, que são os dogmas do mercado, e isso não está acontecendo (...) O tema se torna muito mais grave quando os próprios americanos dizem que mesmo que o Joe Biden ganhe as eleições, as relações com a China não vão mudar", diz. "Então, teremos um novo capítulo de preços" completa.

Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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1 comentário

  • Elton Szweryda Santos Hortolândia - SP

    Respeito muito as opiniões do sr Liones..., diferentemente de outros analistas, o sr. Liones viveu no olho do furacao chines de consumo de soja, e sabe tudo, tudo mesmo, sobre soja e China..., toda entrevista do Liones é, sem duvida, uma grande aula sobre comercializaçao de soja, ... e concordo com ele, se o produtor sentar em cima da soja, o preço subirá e muito, ... A bolsa de chicago nao representa absolutamente nada, (e ja há algum tempo)... por fim, gostaria mais uma vez de parabenizar a jornalista Carla Mendes pela conduçao da entrevista. É a escola João Batista...

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    • Neri Besson

      Falou tudo, Elton.... Só temos a agradecer por Liones Severo ser abençoado com tantas informações que o agricultor brasileiro necessita, para estar dentro do cenário mundial do agronegócio!!!!

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    • marcelo soares rocha Pelotas - RS

      Perfeito. Parabéns pelo comentário.

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