Sojicultor brasileiro tem melhor retorno financeiro na safra 2020/21 desde criação do Plano Real

Publicado em 06/08/2020 11:06 e atualizado em 06/08/2020 16:22 1938 exibições
Marcos Araújo - Analista da Agrinvest
Marcos Araújo, analista de mercado da Agrinvest, detalha resultados positivos considerando ainda dólar, inflação e andamento dos preços em Chicago. Resultados são positivos em todos os estados produtores.

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Entrevista com Marcos Araújo - Analista da Agrinvest sobre as Áreas de soja na safra 2020/21

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O retorno financeiro da soja na safra 2020/21 do Brasil deverá ser o melhor dos últimos anos e alcançar seu melhor nível desde a criação do Plano Real, em 1994, como explicou o analista de mercado Marcos Araújo, da Agrinvest Commodities, em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta quinta-feira (6). E este é o principal combustível para o considerável aumento da área esperado para a nova temporada brasileira da oleaginosa, que na perspectiva da Agrinvest deverá ser próximo de 900 mil hectares. 

"Acreditamos que devemos ter uma área entre 37,8 e 37,9 milhões de hectares plantados no Brasil", acredita Araújo, que explica ainda que essas novas áreas deveriam vir essencialmente de pastagens degradadas. Mais do que isso, o analista explica que o atual cenário macroeconômico - com um novo corte na taxa básica de juros para 2%, que ficam negativos ao se aplicar o fator inflação - pode atrair até mesmo investidores que atualmente no atuam no campo. 

A questão cambial é outro fator que segue contribuindo para a formação dos preços da soja do Brasil, bem como da rentabilidade do sojicultor. "De curto para médio prazo é provável que o real ganhe força frente ao dólar e Chicago ter um impulso maior", diz Araújo. Da mesma forma, o inverso também é verdadeiro. A desvalorização do real - que passa de 30% no acumulado de 2020 - trouxe boas oportunidades de comercialização da oleaginosa em reais. 

Na aquisição dos insumos, o produtor brasileiro ainda encontro uma compensação de seus itens que são importados com preços baixos no mercado internacional, principalmente dos fertilizantes, que bateram em suas mínimas em 10 anos. 

Araújo utiliza como exemplo nesta entrevista o município de Dourados, no Mato Grosso do Sul, para ilustrar o bom momento da rentabilidade do produtor, que na localidade ficaria em R$ 2.163,52. Entenda o cálculo:

Condição do mercado futuro:
Soja março-21 $893.00 centavos por bushel
Prêmio FOB +60
Valor FOB $350,18 por tonelada
Dólar Futuro 5,288
Preço da Soja Sobre Rodas Porto R$108,60 por saca 

$953,00 x 0,367454 -$44,04 logística interna = $306,14 por t ou $18,37 por saca 
$18,37 x 5,288 = R$97,13 por sc 
R$97,13 x 60 sacas - R$3.664,48 = R$2.163,52 por hectare 

"Se pegarmos uma região que sofre muito com o custo logístico, como o médio Norte de Mato Grosso, a rentabilidade cai para R$ 1509,00 por hectare, em Sorriso, ou seja, o lucro se repete, colhendo 60 sacas (de média por hectare) em Sorriso/MT", explica. "E estes cálculos são feitos em cima de lavouras de alta tecnologia". O importante, desta forma, é que o produtor faça seus cálculos de acordo com as realidades de sua região, saúde financeira e fluxo de caixa para otimizar seus resultados. 

A questão cambial promoveu ainda uma redução na despesa logística brasileira, aumentando a competitividade brasileira. "Uma logística interna de uma fazenda no Médio Norte de MT até dentro do navio dava US$ 90,00 por tonelada, quando o pico estava a R$ 4,00, com esse dólar batendo nos R$ 5,90 / R$ 6,00, ela caiu para US$ 60,00. Ou seja, são US$ 30 por tonelada, praticamente US$ 1 por bushel, que ganhamos de competitividade no destino. É por isso que a soja americana está apanhando da brasileira", explica Marcos Araújo. 

"E quando se tem essa questão cambial muito favorecida para o produtor rural, ele se entrega mais facilmente às vendas e isso se traduz em um prêmio mais fraco. Isso tudo combinado dá essa competitividade extraordinária para a soja brasileira na China. E hoje, se fizermos uma conta de fevereiro a maio do ano que vem, as indústrias chinesas comprando a soja brasileira estão tendo uma margem de mais de US$ 30,00 por tonelada", completa o analista. 

Todos esses fatores alinhados já resultam, na perspectiva da Agrinvest, em uma comercialização da safra 2020/21 de mais de 40%, o que é recorde para o período, como já vem sendo adiantado por ele e mais analistas e consultores de mercado ao Notícias Agrícolas. "O produtor precisa se profissionalizar na comercialização, porque ainda perdemos muito dinheiro com isso", diz. 

Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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2 comentários

  • Cácio Ribeiro de Paula Bela Vista de Goiás - GO

    Elogiar quando o trabalho é excepcional.., e criticar CONSTRUTIVAMENTE, em momento oportuno...

    Sob essa ótica, lembro a edição sobre a "CHAMADA" da notícia: "SOJICULTOR BRASILEIRO TEM MELHOR RETORNO FINANCEIRO NA SAFRA 2020/21..."

    Como isso acontece, se ainda nem foi plantada sequer uma única semente!??

    Gente, gente... esse otimismo exacerbado pode ser ruim para nós...

    Ou o raciocínio é equivocado, Sr. Editor!?

    Um ditado muito antigo retrata fielmente o caso:

    " Não se pode contar com o OVO dentro da GALINHA!"

    Faço mil torcidas para que a expectativa se realize para todos os sojicultores do Brasil...

    Todavia, ninguém pode deixar de reconhecer que, no momento é apenas EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE.

    Saudações a todos!!

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    • Marcos Araujo Curitiba - PR

      Olá Cácio, numa produção agrícola temos os quatros principais riscos:

      1 - clima

      2 - operacional

      3- crédito, e

      4- preço

      Veja durante a entrevista que comento sobre regiões com estabilidade climática e outras não... risco de quebra de safra etc. Se você voltar a 2000 como citado por você, verá que o custo de produção é menos da metade de hoje, óleo diesel por exemplo custava em torno de R$0,33 o litro..uma arroba de boi valia R$32,00....O custo final de uma lavoura se tem quando o último grão está dentro do armazém.

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    • Cácio Ribeiro de Paula Bela Vista de Goiás - GO

      Caro Marcos Araujo, não questionei sua entrevista, mas a CHAMADA para ela. Muito exagero trazer para o presente o que ainda vai acontecer...

      Por outro lado, se se deflacionar os valores, trazendo para uma BASE COMUM(o que é correto, em se tratando de valores monetários) poderá haver surpresa... E não será difícil ocorrer que a realidade dos números seja bem diversa do que a que muitos podem "ACHAR"...

      Abraço

      0
    • Cácio Ribeiro de Paula Bela Vista de Goiás - GO

      Outro detalhe importante, Sr Marcos Araújo, (custos nominais) menores, POR HECTARE, mas.., com produtividade quase 50% menor no início do milênio..., O CUSTO POR SACA, quanto teria sido!?

      0
    • Marcos Araujo Curitiba - PR

      De acordo, para o ganho real devemos deflacionar. Mas em nenhum citei que seria ganho real, apenas nominal. O custo de produção por saca saiu de $5,41 para $11,55.

      0
    • Cácio Ribeiro de Paula Bela Vista de Goiás - GO

      Novamente: não critiquei sua entrevista, mas a CHAMADA PARA A ENTREVISTA. O que escreveram na chamada!?

      "Sojicultor brasileiro tem melhor retorno financeiro na safra 2020/21 desde criação do Plano Real".

      Se entendo pouquinho de Economia, resultado financeiro em um período, pressupõe-se, necessariamente, uma base comum para se comparar, senão o resultado dessa comparação fica sem sentido...

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  • carlo meloni sao paulo - SP

    Graças â desvalorizaçao do Real perante o Dolar... Alguns colegas nao entendiam que isso era bom... Alias e' bom para todos aqueles que trabalham e produzem, nao e' bom para quem toma emprestado dinheiro do exterior para ganhar juros sem fazer nada... VIVA ROBERTO CAMPOS NETO (Neto do meu idolo).

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    • Cácio Ribeiro de Paula Bela Vista de Goiás - GO

      Sr. Meloni, o câmbio é um componente importante na RENTABILIDADE do complexo de exportação de qualquer produto, em qualquer país. Disso ninguém duvida..

      Considerando o período mencionado na entrevista, compreendido entre a criação do PLANO REAL e 20/21, há que se reconhecer o maior peso dos GANHOS EM PRODUTIVIDADE na cultura da soja como maior relevância do que qualquer outra variável.

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Sim, ... mas em dois anos foi de 86 a 126/s e isso representa 46%.

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    • Cácio Ribeiro de Paula Bela Vista de Goiás - GO

      Produtividade da soja - BRASIL 1994(início do Plano Real): 2.200 kg/ha. // 2020: 3.300 kg/ha. Algumas variações ocorrem, de acordo com a fonte consultada.

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Sr Cacio, nao nego o seu argumento que mostra uma melhora de 50% em 26 ANOS... mas eu mostro uma melhora de preço de 46% em 24 MESES... Produtividade e preço melhor geram lucratividade mas de formas diferentes... Quero dizer que a melhora da produtividade ao longo de 26 ANOS o mercado comeu devagarzinho porque a lucratividade do produtor nao melhorou 50% desde o plano real ... ate' 2016 , alias. até tres anos atras havia muitas reclamaçoes com relaçao ao preço de R$ 60/s.

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    • Cácio Ribeiro de Paula Bela Vista de Goiás - GO

      Concordo muito com seu raciocínio, Sr. Meloni,. Corretíssimo!!

      Abraço!!

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    • Marcos Araujo Curitiba - PR

      Custo total da produção de soja no Mato Grosso do Sul safra 1999/2000 e 2020/2021: safra 1999/2000 R$604,73 por hectare, produtividade 35 sc/ha (houve seca no MS), preço médio anual R$16,25 por saca safra 2020/2021 R$3.664,48, produtividade esperada 60 sc/ha, preço futuro R$97,13 por saca

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    • Marcos Araujo Curitiba - PR

      Disponibilizamos nossos relatórios para os clientes assinantes do aplicativo Agrinvest Intel, por gentileza baixe o mesmo e sera um prazer tê-lo como cliente.

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Marcos, so' podemos agradecer seus esclarecimentos porque esse e' o caminho certo ---a troca de dados e informaçoes----

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    • Marcos Araujo Curitiba - PR

      Agradeço as palavras que enriquecem o debate. Abraço a todos

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