China tem que comprar de 6 a 8 mi/t de soja para atender demanda projetada até janeiro, mas pode surpreender ao recompor estoque

Publicado em 22/09/2020 17:03 e atualizado em 22/09/2020 18:31 3677 exibições
Eduardo Vanin - Analista de Mercado da Agrinvest
Se comprar apenas o volume necessário para atender a demanda e sair do mercado, preço da soja em Chicago pode cair. No entanto, se seguir as compras e avançar além de fevereiro para compor estoques, cenário muda e preços voltariam a subir

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Entrevista com Eduardo Vanin - Analista de Mercado da Agrinvest sobre o Fechamento de Mercado da Soja

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O mercado internacional da soja testou os dois lados da tabela no pregão desta terça-feira (22), mas encerrou o dia com pequenas baixas entre as posições mais negociadas. As perdas ficaram entre 1,50 e 3 pontos, com o janeiro sendo cotado a US$ 10,24 e o maio a US$ 10,15 por bushel.

Como explica o analista de mercado Eduardo Vanin, da Agrinvest Commodities, este é um momento sazonal de pressão sobre os preços com o início da colheita nos EUA. De acordo com o último reporte semanal de acompanhamento de safras do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), são 8% da área já colhida no país. 

"E há também o Canadá colhendo soja e canola, a China vai começar a colher, é um momento de entrada de safra. E junto ainda temos o feriado (nacional de uma semana) da China, que pode reduzir um pouco a demanda", explica Vanin. No entanto, o analista reafirma "a demanda ainda é forte".

O USDA anunciou novas vendas nesta terça-feira (22) que se aproximam de 1 milhão de toneladas entre soja e milho. Do total, foram 140 mil toneladas de milho para a China e 320 mil para destinos não revelados, e 266 mil toneladas de soja para a China e 264 mil para destinos não revelados. Todo o volume refere-se à safra 2020/21. 

Para entender o movimento dos preços daqui em diante o o importante será observar o ritmo das compras da China. A nação asiática ainda precisa de 6 a 8 milhões de toneladas de soja para estar abastecida adequadamente e consegue concluir estas compras nas próximas semanas até meados de outubro para embarque até janeiro.

Há, porém, duas análises para a sequência desse cenário: a China seguir comprando expressivamente a partir de fevereiro ainda nos EUA para recompor suas reservas - " não sabemos o tamanho dessas reservas", diz Vanin - ou as compras perderem um pouco de ritmo e o mercado reagir a este quadro. Ou seja, o comportamento comprador da China continuará sendo o principal direcionador das cotações. 

Com mais compras da nação asiática nos EUA, o USDA teria ainda que revisar para cima as estimativas de exportações americanas, para baixo os estoques e o movimento seria reverso para o Brasil, com alguma pressão, principalmente sobre os prêmios, ainda segundo explica o analista da Agrinvest. 

Ao lado da demanda e das safras, o mercado acompanha ainda o posicionamento dos fundos de investimento, que vêm carregando sua maior posição comprada desde 2012, quando os EUA sofreram uma seca bastante severa e perderam boa parte de sua produção de milho e soja. E seus próximos movimentos também serão, além das questões macroeconômicas e cambiais, pelo comportamento da demanda chinesa, ainda segundo Eduardo Vanin. 

Por:
Aleksander Horta e Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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