Prêmios para soja nos EUA seguem em alta nas últimas semanas movidos pela forte demanda no mercado físico

Publicado em 22/10/2020 19:17 1742 exibições
Aaron Edwards - Consultor de Mercado da Roach Ag Marketing
Soja em Chicago atinge novas máximas ao longo do pregão nesta quinta-feira (22), mas devolvem ganhos no final da sessão

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Entrevista com Aaron Edwards - Consultor de Mercado da Roach Ag Marketing sobre o Fechamento de Mercado da Soja

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O mercado da soja fechou o pregão desta quinta-feira (22) com estabilidade na Bolsa de Chicago, registrando US$ 10,73 para o novembro/20 e US$ 10,58 para o março/21 na conclusão dos negócios, sem grandes variações. 

"O contrato novembro alcançou um novo patamar de preço, na negociação de hoje, que ainda não tínhamos visto. Ele fez uma nova alta e esse é o novo 'teto' (ou resistência) a ser desafiado. E o mercado continua forte, o cenário altista continua e essa é a segunda vez na semana que o preço faz um teto, superando os US$ 10,80. E acho que essa é a grande notícia do mercado de hoje", explica Aaron Edwards, consultor de Mercado da Roach Ag Marketing em entrevista ao Notícias Agrícolas. 

Edwards explica ainda que a tendência forte de alta para os futuros da oleaginosa continua. No entanto, reforça que há uma série de incertezas que rondam as cotações, além da necessidade que os negócios têm de mais informações parem dar continuidade ao movimento positivo das cotações. 

"Há o plantio no Brasil, a questão política (nos EUA) e os relatórios do USDA. Até 15 de novembro, grande parte dessas surpresas já estarão definidas, então, não se trata de uma indefinição sem prazo e o mercado tenta precificar isso agora", complementa o consultor. Já neste final de semana, caso as chuvas sejam melhores, o mercado poderia se acalmar um pouco mais com o avanço do plantio no Brasil. 

Assim, buscando entender até onde a demanda chinesa pode ir, quais as próximas dificuldades da América do Sul e como estão realmente os estoques globais também são perguntas que o mercado espera pelas respostas para ir, aos poucos, definindo sua direção. 

Por isso, a semana deve se encerrar com um pouco mais de timidez e contenção de riscos para os preços da soja negociados em Chicago. Ainda assim, o viés altista dos futuros da oleaginosa permanece até que alguma outra informação que destoe do atual cenário apareça.

A demanda ainda é muito consistente. Nesta quinta, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trouxe seu novo boletim semanal de vendas para exportação com números bastante fortes para a soja. 

Na semana encerrada em 15 de outubro, os Estados Unidos venderam 2,225,5 milhões de toneladas de soja, enquanto o mercado esperava algo entre 1,2 e 2,5 milhões de toneladas. Com esse volume, o total já comprometido pelos EUA com a exportação chega a 43,349,5 milhões de toneladas, muito acima das pouco mais de 18 milhões do mesmo período do ano passado. O USDA estima que as exportações totais americanas 2020/21 cheguem a 59,88 milhões de toneladas. Um incremento de 148%. 

Até 15 de outubro, os EUA já venderam um volume 28% maior do que o recorde de 2014 para a China, que responde por 55% maior de suas vendas totais da oleaginosa, como explica a analista internacional Karen Braun. 

Leia Mais:

+ USDA: Vendas de soja dos EUA para China 2020/21 já superam em 28% recorde de 2014

Entretanto, Edwards explica que uma das principais frustrações do produtor americano neste momento é ele não ter soja para vender. "Não é que não venderam tudo, mas se questionam se querem vender tudo na safra, porque acreditam que pode subir mais. A demanda não está satisfeita ainda e enquanto não estiver, os preços vão continuar subindo", diz. E se não subirem por Chicago, as cotações serão compensadas por prêmios mais altos. "Há uma demanda pelo grão em si, não só por papel". 

+ Novo ciclo de preços altos para os alimentos está apenas no começo, explicam consultores

Por:
Aleksander Horta e Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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