Pátria Agronegócios já estima perda de 1,5 a 2 mi de t na safra de soja do Brasil com atraso no plantio
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Entrevista com Matheus Pereira - Sócio-Diretor da PÁTRIA Agronegócios sobre o Mercado da Soja
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O Brasil tem pouco mais de 17% da área semeada da safra 2020/21 de soja, número distante da média de mais de 34% dos últimos cinco anos e de 32% do registrado no mesmo período do ano passado, de acordo com o levantamento da Pátria Agronegócios, divulgado nesta sexta-feira (23), em entrevista ao Notícias Agrícolas.
Por conta deste atraso considerável, a consultoria já estima uma perda de 1,5 milhão a 2 milhões de toneldas de perdas da produção nacional.
"Esses atrasos serão refletidos na produtividade final, levando a projeção para algo entre 127,5 a 130 milhões de toneladas, números razoáveis hoje para um corte de produção aqui no Brasil, considerando problemas de safra especialmente no país. Mas, os resultados serão mais agressivos para a segunda safra, onde a janela tem sido cada vez mais encurtada por esse atraso nos trabalhos de campo atualmente", explica Matheus Pereira, sócio-diretor da Pátria.

O peso deste atraso já pode ser claramente observado no andamento dos preços da soja, não só na Bolsa de Chicago, mas também no mercado doméstico. "Cada dia que se passa, as atenções se voltam com mais agressividade para o Brasil e isso deve continuar até que tenhamos problemas ou uma percepção sobre problemas de safra aqui no Brasil", afirma Pereira.
Além do atraso do plantio e o consequente atraso da chegada da nova oferta brasileira, o mercado se atenta ainda ao percentual elevado de algo entre 50% e 55% já comercializados. "A oferta ainda comercializável no Brasil é pequena e se torna pouca quando há problemas de safra. Em anos anteriores, quando havia problemas de safra, o mercado adicionava prêmios climáticos. Em um ano como esse - 2020/21 - deixa a reação do lado comprador ainda mais agressiva", diz o consultor, confirmando ainda mais a consistência da tendência de preços altos para a soja brasileira.
E embora o mercado da soja possa sofrer desacelerações ao longo do caminho, a sinalização é de o cenário de preços altos continuem. "No entanto, esse atraso no plantio, embora seja benéfico para os preços, infelizmente também gera problemas comerciais para o Brasil, onde havia sido garantidos grãos para exportação nos meses de janeiro e fevereiro e dificilmente essas cargas serão preenchidas, uma vez que os estoques de passagem da soja são apertadíssimos", explica Pereira.
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