Soja dispara mais de 2% em Chicago refletindo demanda, clima na América do Sul e preliminar das eleições nos EUA

Publicado em 04/11/2020 17:15 e atualizado em 04/11/2020 18:02 1525 exibições
Eduardo Vanin - Analista de Mercado da Agrinvest
Entrevista com Eduardo Vanin - Analista de Mercado da Agrinvest sobre o Fechamento de Mercado da Soja

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Entrevista com Eduardo Vanin - Analista de Mercado da Agrinvest sobre o Fechamento de Mercado da Soja

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Em uma quarta-feira (4) tensa para os mercados em todo mundo, os futuros da soja fecharam o pregão com altas de mais de 20 pontos - ou 2% na Bolsa de Chicago - refletindo, como explica o analista Eduardo Vanin, da Agrinvest Commodities, um acumulado de fatores entre fundamentos e ligados ao financeiro, especialmente as questões ligadas às eleições presidenciais norte-americanas. Assim, o novembro terminou o dia com US$ 10,79 e o janeiro a US$ 10,86 por bushel. 

Não subiram só os preços da soja grão, mas também do farelo - mais de 2% ou US$ 9,00 por tonelada curta de avanço - e dos óleos vegetais em Chicago e em demais bolsas internacionais, dada a demanda bastante intensa e a oferta limitada, tanto da matéria-prima, quanto dos derivados. 

Assim, entre os fundamentos que mais chamam a atenção é o clima na América do Sul, com modelos ainda bastante divergentes, previsões difíceis de serem assertivas e, principalmente com chuvas ainda irregulares, com cobertura limitada e baixos volumes em regiões importantes do Brasil. Na Argentina, a situação é semelhante, com áreas sofrendo severamente com o tempo ainda muito seco, ajudando a limitar ainda mais a oferta sul-americana e abrindo espaço para uma valorização ainda maior do farelo e do óleo. 

"Farelo de soja subindo, fundos compradores no farelo e o La Niña como pano de fundo", explica Vanin. "A demanda da China é muito grande, há novas diretrizes e a principal que afeta o mercado da soja é a que indica autossuficiência no consumo de carne suína, o que vai continuar trazendo um crescimento ano a ano no esmagamento de soja".

Se soma a isso ainda uma possibilidade de redução dos estoques finais norte-americanos, principalmente diante de 80% do total projetado para exportação na temporada 2020/21 já comprometidos. Ainda nos EUA, a logística americana está completamente tomada, com os embarques também fortes. "A logística americana está 100% tomada", reforça o analista. 

Ao lado dos fundamentos, a preliminar da eleição nos EUA sinalizando uma possível vitória de Joe Biden também contribuiu para a disparada dos preços nesta quarta-feira. "A tendência seria os democratas buscarem um diálogo maior com a China e mais países onde os EUA romperam alguns laços comerciais importantes", explica. 

Além do resultado da corrida presidencial, o fortalecimento da moeda chinesa e mais o fato de a segunda onda de Covid-19 não acometer a Ásia como vem acontecendo na Europa também foram motivos de alta para a oleaginosa em Chicago neste pregão. "A soja está blindada neste cenário agora", diz Eduardo Vanin. 

MERCADO BRASILEIRO

No Brasil, o mercado da soja também permanece muito forte e sustentado. "A não ser que algo fora do cenário venha acontecer, muda a cara do mercado. Se eu fosse produtor, buscaria melhorar o preço da soja que eu já vendi", orienta o analista da Agrinvest. 

O ritmo de negócios, porém, é limitado e acontece apenas pontualmente. Há um percentual grande de vendas já concretizadas da safra 2020/21, e o foco dos sojicultores tem sido, agora, os trabalhos de campo. "O importante é participar do mercado e de forma segura", completa. 

Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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