Soja: Semana se encerra com melhor avanço do plantio no BR, mas safra marcada pela irregularidade

Publicado em 13/11/2020 17:46 e atualizado em 15/11/2020 15:53 867 exibições
Matheus Pereira e Cristiano Palavro - Diretores da PÁTRIA Agronegócios
Entrevista com Matheus Pereira e Cristiano Palavro - Diretores da PÁTRIA Agronegócios sobre o Fechamento de Mercado da Soja

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Entrevista com Matheus Pereira e Cristiano Palavro - Diretores da PÁTRIA Agronegócios sobre o Fechamento de Mercado da Soja

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Depois de uma semana repleta de dados e muito intensa, o mercado da soja na Bolsa de Chicago fecha o pregão desta sexta-feira (13) com leves altas nas posições mais negociadas. Os futuros da oleaginosa finalizaram o dia com ganhos de 2,50 a 6 pontos nos principais vencimentos, levando o novembro a US$ 11,41 e o maio/21 a US$ 11,45 por bushel. 

E um dos fatores que permanece no centro das atenções do mercado é a nova safra do Brasil, que continua sendo marcada por irregularidades e adversidades climáticas, mas que registrou um avanço considerável dos trabalhos de plantio nos últimos dias. 

De acordo com o balanço da PÁTRIA Agronegócios divulgado nesta sexta com exclusividade ao Notícias Agrícolas mostra que a área semeada chega a 69,34% e, pela primeira vez na temporada, ultrapassa o ano passado neste mesmo intervalo, que era de 68,96%.

"Cabe lembrar que 2019 foi um ano de muito atraso, foi um plantio muito lento, muito diferente de 2018 quando já tinha quase 80% plantado nesta época. As chuvas retornaram ao Centro Sul do país nesta semana e os trabalhos que estavam paralisados no Centro-Oeste voltaram a acontecer em ritmo muito forte, mas chama a atenção a irregularidade, que ainda se mostra muito presente", explica Cristiano Palavro, diretor da PÁTRIA. 

Gráfico PÁTRIA

Assim, como é tradicional deste período da safra, "o produtor rural agora foca nas condições climáticas de sua propriedade, não dá tanta atenção ao mercado e está focado em produzir", como explica Matheus Pereira, também diretor da consultoria, ao referir-se sobre um desaquecimento nos negócios com a soja no Brasil. E isso se dá, não só pelas incertezas climáticas, mas também com um volume intenso da safra 2020/21 já comprometido com a comercialização. 

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Dessa forma, a preocupação com a nova safra do Brasil é um dos pontos de maior atenção dos mercados - tanto em Chicago, quanto no Brasil. O fator continua alimentando o avanço dos futuros da oleaginosa na CBOT, o que ajuda a compensar a pressão exercida pelo dólar nesta semana, que registrou patamares ligeiramente menores do há alguns dias.

AgRural descarta "supersafra" em MT devido a clima irregular

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SÃO PAULO (Reuters) - Uma "supersafra" de soja está descartada na temporada 2020/21 em Mato Grosso, devido à irregularidade climática em regiões como o Parecis, que tradicionalmente costuma receber volumes de chuvas adequados, avaliou nesta sexta-feira o consultor Fernando Muraro, da AgRural.

A região, no sudoeste do maior produtor brasileiro de soja, tem sofrido com a irregularidade climática, e ressemeaduras já estão ocorrendo na área onde estão cidades como Campo Novo do Parecis e Diamantino.

Nos tradicionais municípios produtores do eixo da BR-163, no Médio-Norte, a situação climática está um "pouco melhor", após chover na última noite, disse Muraro.

"É um ano completamente atípico. Está faltando chuva em Mato Grosso, isso é histórico", afirmou Muraro, lembrando que o Estado, que deve responder por quase 30% da safra do Brasil, segundo órgãos oficiais, em geral recebe chuvas regulares.

Nesta semana, o Mato Grosso teve sua safra estimada em 36,8 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), enquanto o Brasil deverá colher um recorde de 134,9 milhões de toneladas, segundo estimativa da estatal.

"Supersafra a gente já descartou", disse ele, sem comentar sobre suas próprias estimativas.

Muraro disse que o atraso pode impactar a área da segunda safra no Estado, uma vez que o eventual plantio de milho em março, decorrente do atraso da colheita de soja após as ressemeaduras, ficaria mais arriscado.

O clima irregular levou a Terra Santa Agro, importante grupo produtor que atua em Mato Grosso, a reduzir sua expectativa de plantio de grãos e oleaginosas na safra 2020/21 para 130,2 mil hectares, ante 149,5 mil hectares, no que foi considerado o maior remanejamento já realizado pela companhia, disse nesta sexta-feira o presidente-executivo da empresa, José Humberto Prata Teodoro Júnior.

Já o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estimou o plantio de soja em Mato Grosso até esta sexta-feira em 94,06% da área projetada, avanço de 10,82 pontos ante a semana passada, após um atraso inicial.

OUTROS

Além do Mato Grosso, outras áreas do país estão sofrendo com o clima irregular este ano, que está sob a influência de uma La Niña.

O Paraná, segundo produtor brasileiro, com safra projetada em cerca de 20 milhões de toneladas pela Conab, também enfrentou atrasos no plantio.

"O norte do Paraná está muito atrasado, a região da Coamo (cooperativa) e Maringá...", disse Muraro, da AgRural, que revelou ter percorrido lavouras do oeste do Estado esta semana.

"Ainda não dá pra dizer se vai ter perda, está no limite, mas tem que chover."

A região norte do Paraná é a que plantou mais cedo e também está com problemas e replantio, acrescentou.

O Rio Grande do Sul, terceiro produtor brasileiro, também sofre, mas no caso da soja a janela de plantio é mais ampla, comentou o analista.

Os gaúchos estão sim com problemas para o desenvolvimento do milho.

Venda antecipada de soja do Brasil atinge 53,4%; milho tem recorde, diz Datagro

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SÃO PAULO (Reuters) - A comercialização antecipada da safra de soja 2020/21 do Brasil havia atingido 53,4% da produção esperada até 6 de novembro, avanço mensal de 3,4 pontos percentuais, indicando também fluxo recorde para o período em meio a preços em máximas históricas, disse a consultoria Datagro nesta sexta-feira.

Com base no índice, o Brasil (maior produtor e exportador global de soja) já comercializou 71,76 milhões de toneladas da safra que será colhida a partir de janeiro de 2021, completou a consultoria, com base em sua estimativa de produção.

O ritmo de vendas antecipadas supera o marco anterior para esta época, de 43,4%, em 2016.

Nesse mesmo momento, em 2019, o comprometimento pelos produtores estava em 33,1% e a média de cinco anos é de 30,3%.

"A confirmação de nossa projeção de elevação nos preços, atingindo novos recordes, manteve o mercado ativo de interesse comprador, mais particularmente com a destinação ao consumo doméstico", disse o coordenador da Datagro Grãos, Flávio Roberto de França Junior.

"Os volumes só foram limitados mesmo exatamente pelo estágio já muito adiantado das vendas na temporada", acrescentou.

Já os negócios da safra 2019/20 da oleaginosa no Brasil estão praticamente finalizados, atingindo 98,7% até dia 6.

MILHO

A comercialização da safra de verão 2020/21 de milho no centro-sul do Brasil atingiu 21,2% da produção esperada, um recorde para o período, disse a Datagro, que sinalizou avanço de 2,6 pontos percentuais em relação ao mês anterior.

Em 2019, as vendas do cereal alcançavam neste momento 5% da produção esperada, enquanto a média histórica para o período é de 3,2%, acrescentou a consultoria, notando "avanços expressivos".

A safra de inverno 2020/21 de milho, por sua vez, já possui vendas de 38,7% da produção estimada, contra 35,4% no mês anterior, 26% em 2019 e 15% na média histórica de cinco anos.

A Datagro vê a produção total de milho do Brasil em 2020/21 em um recorde de 114,48 milhões de toneladas, sendo 27,76 milhões de toneladas na primeira safra e 86,71 milhões na segunda, conforme atualização realizada na semana passada.

A maior parte dessa produção está concentrada no centro-sul.

Em relação à temporada 2019/20, com negócios também próximos do fim, a Datagro apontou vendas de 97,2% da safra de verão do centro-sul, enquanto o comprometimento da safra de inverno atingiu 87,5% da produção.

Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas/Reuters

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