Soja em Chicago cai com chuvas no Brasil, mas perdas são pontuais. Viés de alta está mantido e com força para romper US$ 12

Publicado em 30/11/2020 17:35 e atualizado em 30/11/2020 18:15 2750 exibições
Ênio Fernandes - Consultor em Agronegócio da Terra Agronegócios
Terra Agronegócios reduz projeção da soja no Brasil para 131,478 milhões de toneladas

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Entrevista com Ênio Fernandes - Consultor em Agronegócio da Terra Agronegócios sobre o Fechamento de Mercado da Soja

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Nesta segunda-feira (30), os futuros da soja fecharam o dia com perdas de mais de 20 pontos nos principais contratos negociados na Bolsa de Chicago. O janeiro encerrou o dia sendo cotado a US$ 11,68 e o março a US$ 11,69 por bushel. As perdas variaram entre 19,50 e 23,25 pontos. 

"O mercado realizou lucros. Mas nada de muito sério, apenas um movimento normal do mercado. Não sou muito negativo para Chicago, podemos ter mais um ou dois dias de baixas em Chicago, mas sem muita intensidade", explica Ênio Fernandes, consultor em agronegócios da Terra Agronegócios. 

E essa realização de lucros vem, ainda segundo o especialista, frente às melhores chuvas sendo registradas nas principais regiões produtoras da América do Sul, com melhoras expressivas no Rio Grande do Sul e na Argentina após meses de tempo muito seco. 
No entanto, ainda como explica Fernandes, "a demanda está dada e a oferta ainda é incerta", quadro que mantém os preços ainda em um cenário de suporte. A China já fez compras intensas e robustas, ainda precisa fazer compras de 2,5 a 3 milhões de toneladas nos EUA até fevereiro, mas sem precisar ser tão voraz como foi nos últimos meses para estar bem abastecida. 

"A limitação de queda vai se dar porque as origens não vão vender, porque elas seguem muito temerária sobre a produtividade que irão ter", diz Fernandes. "Vamos tentar a resistência dos US$ 12,00, podemos chegar aos US$ 12,30 e depois disso vai depender muito do clima aqui no Brasil e na Argentina". Para o consultor, esse movimento poderia acontecer ainda em 2020. 

MERCADO NACIONAL

Em janeiro, o mercado nacional deverá observar, mais uma vez, uma disputa acirrada entre demanda interna e para exportação, já que há compromissos firmados para janeiro, e, com o atraso do plantio e, se atrasará, consequentemente, a chegada da nova oferta brasileira.

A condição pode impactar não só em preços mais altos para no mercado brasileiro, mas também em Chicago, estando o Brasil na posição de maior produtor e exportador mundial da oleaginosa e com mais de 50% da safra 2020/21 já comercializada.  

SAFRA 2020/21 BRASIL

E o percentual de mais de 50%, ainda como explica Fernandes, se dava sobre uma safra estimada na casa dos 135 milhões de toneladas. Todavia, a Terra Agronegócios trouxe sua estimativa revisada nesta segunda para 131,478 milhões. Deverá haver perdas de produtividade em estados determinantes para a produção nacional, como Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul devido ao clima seco e das chuvas que tardaram a chegar nesta temporada. 

"Estes 4 milhões de toneladas farão falta. A China deverá importar 100 milhões de toneladas, algo acima disso, e com esses números confirmados o Brasil deveria exportar entre 84 e 85 milhões de toneladas. E para março do ano que vem ainda chegará o B13, elevando para 13% a mistura de biodiesel no diesel, ou seja, um amento também na demanda interna. Então, o cenário fica ainda mais cauteloso para os demandadores", explica o consultor. 

Por:
Aleksander Horta e Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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