Estoques curtos e prêmios firmes sustentam a soja no Brasil em meio a nova disparada em Chicago

Mercado segue forte para o produtor brasileiro colocar estratégias de comercialização em prática.
Publicado em 10/09/2026 17:24
João Vitor Bastos - Analista de Mercado da Pátria Agronegócio
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Soja fecha com mais de 20 pts de alta em Chicago e Brasil renova máximas dos últimos anos

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O mercado físico brasileiro de soja atravessa um momento de sustentação pautado pela escassez de estoques remanescentes e pela firmeza dos prêmios nos portos e no interior. Com a recente disparada dos contratos futuros na Bolsa de Chicago, que somente nesta quinta-feira (10) fecharam o dia com mais de 20 pontos de alta, as cotações nas principais praças de comercialização do país renovaram patamares máximos, refletindo um ambiente de negócios onde a retenção por parte dos produtores limita a liquidez imediata.

As indústrias de esmagamento e as tradings enfrentam dificuldades crescentes para originar o volume necessário, o que mantém a competição acirrada pela matéria-prima disponível.

Segundo João Vitor Bastos, analista de mercado da Pátria Agronegócios, o cenário interno é ditado pela retração dos vendedores e pela necessidade de o mercado absorver a dinâmica de entressafra com cautela. "A oferta física da safra velha está bastante restrita e o produtor que ainda tem o produto nas mãos tem segurado a comercialização, aguardando janelas que compensem o esforço de retenção diante dos custos elevados da próxima temporada", aponta o analista.

Bastos ressalta que, embora os patamares de preços estejam atrativos no comparativo recente, a volatilidade cambial e os custos operacionais exigem precisão na gestão de risco. "O produtor precisa aproveitar esses momentos de fôlego para avançar na fixação de preços, avaliando cuidadosamente a relação de troca e as margens, já que o cenário macroeconômico global continua trazendo oscilações abruptas para os contratos internacionais", completa.

Dessa forma, a combinação entre a retração da oferta interna, a demanda externa firme e o suporte de Chicago consolida um ambiente propício para negócios pontuais, exigindo que o agricultor equilibre a expectativa de novas altas com a segurança de garantir margens saudáveis para o próximo ciclo produtivo.

BOLSA DE CHICAGO

No mercado futuro norte-americano, os futuros da oleaginosa subiram pautados no novo anúncio do USDA, que confirmou novas compras massivas por parte da China. O boletim oficial reportou a venda de 272 mil toneladas de soja para os chineses e mais 206,5 mil toneladas para destinos não revelados, todas referentes à safra 2026/27. Os anúncios dos últimos dois dias somam 918,5 mil toneladas. Os volumes avançam para que a China cumpra a meta de comprar 25 milhões de toneladas dos Estados Unidos até o final deste ano. Quase metade desse volume já foi garantido.

Todo esse movimento agressivo de compras ocorre diante da proximidade da visita do líder chinês, Xi Jinping, a Washington nos próximos dias, consolidando o viés altista e validando a sustentação dos preços do grão no mercado internacional.

Além disso, a disparada do petróleo também teve um peso importante, levando brent a superar os US$ 105,00 e o WTI os US$ 100,00 por .O estopim é a falta de acordo entre Irã e Estados Unidos, mantendo o Estreito de Ormuz fechado, somado ao novo corte na estimativa de produção pela Opep.

Paralelamente, há ainda os ajustes do mercado antes do novo boletim mensal de oferta e demanda que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz nesta sexta-feira, 11 de setembro. 

De acordo com o analista chefe da DTN, Rhett Montgomery, o mercado vive um momento histórico. Enquanto em setembro do ano passado a soja operava na casa dos US$ 10,30 por bushel na CBOT, agora pelo reporte do USDA rompendo a barreira dos US$ 13,00 por bushel. No milho, o contrato dezembro chegou a acumular uma alta de quase 90 centavos desde meados de agosto, com movimentos muito pautados pelo cenário geopolítico conturbado, é bem verdade, porém, também com uma base forte estabelecida pelos fundamentos de relações mais enxutas de oferta e demanda. 

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