Soja fecha no vermelho em Chicago, mas alta do dólar sustenta cotações nos portos brasileiros

Analista da Pátria Agronegócios avalia o impacto das negociações entre EUA e China, a entrada da safra norte-americana e o ritmo do plantio no Brasil.
Publicado em 24/09/2026 17:08
Pedro Vasconcelos - Analista de Mercado da Pátria Agronegócios
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Dólar em alta neutraliza perdas em Chicago e soja mantém preços no Brasil

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O mercado da soja encerrou a sessão com ligeiras perdas na Bolsa de Chicago (CBOT), refletindo um comportamento de cautela por parte dos agentes financeiros. Apesar do recuo no cenário internacional, as praças brasileiras registraram recuperação nos preços, impulsionadas pela valorização do dólar frente ao real, que voltou a operar próximo ao patamar de R$ 5,20.

No mercado interno brasileiro, o comportamento foi oposto ao de Chicago. A moeda norte-americana estendeu os ganhos da sessão anterior, garantindo ganhos de R$ 1,00 a R$ 1,50 por saca nas principais praças exportadoras.

No porto de Paranaguá (PR), a soja disponível foi cotada a R$ 163,50 por saca. Para a safra futura, com entrega em fevereiro e pagamento em 30 de abril, os valores ficaram em R$ 153,50, enquanto a entrega em março alcançou R$ 152,40. Já no porto de Santos (SP), os preços registraram R$ 154,50 para entrega em fevereiro e R$ 153,00 para entrega em março (ambos com pagamento em 30 de abril).

Em relação à nova safra brasileira, os produtores estão focados na abertura dos trabalhos de plantio. Apesar de cortes pontuais de chuva no Centro-Oeste e precipitações mais volumosas em áreas do Sul, as previsões climáticas indicam regularidade mais adiante, mantendo a semeadura em linha com a média histórica.

As incertezas climáticas associadas ao fenômeno El Niño mantêm o produtor rural cauteloso quanto à comercialização antecipada, evitando vendas agressivas para não comprometer volumes incertos. Por outro lado, Vasconcelos ressaltou a solidez do consumo doméstico: 'A demanda interna nos últimos anos é o nosso carro-chefe de crescimento, além da demanda chinesa propriamente dita. As políticas de biocombustíveis no mundo todo e a força do óleo de soja trazem uma demanda muito favorável, com a indústria interna pagando prêmios competitivos'.

O cenário atual reforça a necessidade de gestão estratégica da comercialização por parte dos sojicultores. Enquanto a entrada da safra norte-americana limita altas expressivas em Chicago no curto prazo, a combinação de prêmios firmes, demanda industrial aquecida pelo setor de biodiesel e suporte cambial abre janelas pontuais de rentabilidade nos portos nacionais, que devem ser monitoradas de perto à medida que o plantio avança no Brasil.

Cautela em Chicago e expectativa sobre a demanda chinesa

Durante a análise do fechamento de mercado, Pedro Vasconcelos, analista de mercado da Pátria Agronegócios, explicou que o movimento defensivo em Chicago decorre do compasso de espera por novidades concretas no âmbito geopolítico, especialmente em relação aos encontros entre líderes dos Estados Unidos e da China e o adiamento de tarifas norte-americanas.

Segundo o analista, o mercado aguarda maiores detalhes sobre o cumprimento das metas de aquisição chinesas. 'Há uma expectativa até pelo ritmo que a China vem tendo em intensidade de compras dentro de território norte-americano, de que a gente de fato tenha a concretização do acordo de 25 milhões de toneladas compradas pelos chineses para o ano comercial', pontuou Vasconcelos. Ele lembrou ainda que a demanda abrange compras de cerca de US$ 17 bilhões em outros produtos agrícolas além da soja, como milho, trigo e sorgo.

Pressão da safra dos EUA e realização de lucros

Outro vetor de pressão sobre as cotações em Chicago é a evolução dos trabalhos de campo nos Estados Unidos. A colheita norte-americana está no início, mas apresenta ritmo ligeiramente acima da média histórica, favorecida por previsões climáticas secas para os próximos dias.

Com a nova oferta ingressando no mercado e a ausência de fatos novos de grande impacto altista, os fundos de investimentos — que mantinham posições compradas expressivas — optaram por realizar lucros. 'Para o mercado entrar comprado, precisa de uma novidade um pouco mais intensa. Para fazer realização de lucros, até mesmo pelo patamar das posições dos fundos de gestão ativa, qualquer recuo motiva esse movimento', explicou o analista.

* Com auxílio de IA

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