Soja encerra semana com estabilidade em Chicago e consultoria alerta produtor sobre mercado invertido no Brasil
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O mercado da soja encerrou a semana com movimentos predominantemente laterais na Bolsa de Chicago (CBOT), após um período de grande expectativa geopolítica que acabou não trazendo surpresas de impacto direto para o agronegócio. No cenário doméstico, os preços se mantiveram sustentados pelo câmbio, enquanto o produtor brasileiro divide a atenção entre o início do plantio da safra 2024/25 e a estratégia de comercialização diante de um mercado invertido.
Encontro entre EUA e China sem surpresas para as commodities
Durante a semana, os holofotes do mercado internacional estiveram voltados para as negociações entre o presidente norte-americano Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping. No entanto, segundo o consultor de mercado da Hora Certa, Victor Cazzo, a reunião teve um caráter estritamente político e protocolar.
"O que todo mundo esperava, de fato, acho que ficou de lado. Os dois países têm tanta coisa na mesa — guerra, conflito, balança comercial, inteligência artificial — que a soja acaba ficando como o 'filho caçula' na fila das discussões", explicou Cazzo em entrevista à jornalista Carla Mendes no programa Boa Tarde Agronegócio.
Entre as deliberações práticas, confirmou-se a extensão da trégua comercial até o dia 10 de novembro e a manutenção das metas de compra chinesas de cerca de 25 milhões a 27 milhões de toneladas de soja, além de US$ 17 bilhões em compras de outros produtos agrícolas norte-americanos. A suspensão da venda de US$ 14 bilhões em armamentos dos EUA para Taiwan e acordos preliminares sobre inteligência artificial também marcaram a pauta, mas sem alterações em tarifas que pudessem favorecer novos fluxos para as commodities.
Bolsa de Chicago ameniza perdas e fecha perto da estabilidade
Com a ausência de novos estímulos de demanda, os investidores realizaram lucros durante a manhã de sexta-feira, mas os contratos recuperaram terreno no encerramento da sessão.
Alerta do consultor: o risco de carregar a soja para 2027
No mercado físico brasileiro, a firmeza do dólar — negociado em torno de R$ 5,20 diante de incertezas fiscais e da política de juros nos EUA — sustentou as cotações no disponível. Cidades como Sorriso (MT) registraram negócios entre R$ 135 e R$ 138 por saca, enquanto Uberlândia (MG) e Dourados (MS) operaram na casa dos R$ 140 por saca, com o porto testando patamares de até R$ 160 a R$ 170 por saca.
Contudo, Victor Cazzo destacou a discrepância entre os valores do mercado disponível e as cotações futuras. "Hoje, se o produtor olhar o preço futuro, há um desconto de R$ 5 a R$ 10 de inverso de mercado. Para quem tem soja no disponível ou balcão, carregar esse grão para o ano que vem traz uma grande chance de perder esse prêmio", alertou o especialista, recomendando cautela e análise da logística regional antes de segurar produto.
Plantio sob realidades climáticas opostas
Com o ritmo comercial mais lento, o produtor concentra seus esforços na semeadura da nova safra, marcada por contrastes regionais expressivos. Enquanto o Sul do país enfrenta atrasos provocados pelo excesso de umidade, áreas do Centro-Oeste, como Mato Grosso, ainda aguardam chuvas consistentes para acelerar as plantadeiras.
Carla Mendes ressaltou a mensagem de estímulo divulgada por Lucas Costa Beber, liderança da Aprosoja: "Plantem, semeiem, façam o seu melhor onde vocês podem fazer. O resto vamos mitigando e equilibrando".
Para as próximas semanas, a tendência é que o mercado agrícola intensifique a precificação baseada no desenvolvimento climático das lavouras da América do Sul e na evolução das taxas de câmbio e juros globais, exigindo planejamento rigoroso na comercialização.
* Com auxílio de IA
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