Soja tem semana de pressão em Chicago e no Brasil, apesar do dólar, e negócios ficam bem mais limitados

Entrada da nova safra americana no mercado, pressão dos mercados vizinhos - principalmente do milho - e dos derivados pesam sobre a CBOT e limitam retomada das cotações também no mercado brasileiro.
Publicado em 16/10/2026 17:17
Victor Cazzo - Consultor de Mercado Venda na Hora Certa

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A semana encerrou-se em território negativo para os preços dos grãos na Bolsa de Chicago (CBOT). Tanto a soja quanto o milho enfrentaram sessões pesadas, refletindo o peso das projeções de volumosa safra nos Estados Unidos, estoques mundiais recompostos segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e a recente valorização do real frente ao dólar, que impactou diretamente as cotações em moeda nacional nos portos e praças do interior brasileiro.

Pressão do USDA e desafios para o milho

O mercado de milho vem sofrendo quedas consecutivas nas últimas duas semanas, desdobramento dos dados divulgados pelo USDA a partir do fechamento de estoques trimestrais em 30 de setembro. Segundo o consultor de mercado Victor Cazzo, da consultoria Venda na Hora Certa, o órgão norte-americano adicionou um volume expressivo aos balanços de oferta e demanda global.

"É muito milho. O relatório de estoques trimestrais já trouxe estoques muito elevados, adicionando pelo menos 4 milhões de toneladas a mais na oferta e demanda global. Isso fez o milho cair mais de 4% em Chicago e pesou na B3, acionando gatilhos de venda", explicou Cazzo durante participação no programa. Ele pontuou ainda que o câmbio abaixo de R$ 5,00 a R$ 5,10 prejudica o ritmo das exportações e limita repiques expressivos de preços no mercado doméstico.

Clima e plantio da safra brasileira sob a influência do El Niño

O desenvolvimento da semeadura 2023/24 no Brasil também permaneceu no radar dos operadores. O padrão do fenômeno climático El Niño tem causado disparidades severas entre as regiões produtoras: enquanto o excesso contínuo de precipitações paralisa máquinas no Paraná e no Rio Grande do Sul, o Centro-Oeste vinha registrando altas temperaturas e tempo seco.

No entanto, a chegada de chuvas recentes em Mato Grosso destravou o plantio de soja e trouxe alívio aos produtores que aguardavam umidade. De acordo com o analista, embora o cenário exija cautela, a semeadura em ritmo acelerado nas janelas favoráveis evita, por ora, atrasos críticos na implantação da safrinha de milho de 2024. Cazzo salientou o esforço do produtor: "Apesar de toda a adversidade, temos que tirar o chapéu para o produtor, o tanto de máquina, investimento e disposição para trabalhar de dia, de noite e de madrugada quando abre a janela de tempo".

Soja: compras chinesas e o horizonte de curto prazo

No complexo soja, além do ritmo acelerado da colheita nos Estados Unidos, a postura dos compradores internacionais dita o ritmo dos negócios. A China demonstrou compras pontuais nos EUA, mas o mercado opera com atenção redobrada aos prazos regulatórios e comerciais.

Cazzo chamou a atenção para a data limite de 10 de janeiro relacionada à renovação de tarifas chinesas sobre produtos norte-americanos. Esse marco coincide estrategicamente com a entrada física da nova safra brasileira de soja colhida precocemente no Centro-Oeste. Caso a safra nacional confirme boas condições, os compradores asiáticos tenderão a pressionar os prêmios e a buscar preços mais competitivos na América do Sul.

Para a soja disponível da safra velha, o analista alertou que a janela de liquidez está se estreitando, com indústrias e tradings já abastecidas para os meses finais do ano, o que ampliou o desconto entre os preços atuais e os contratos futuros da safra nova.

Fechamento das cotações em Chicago e no Brasil

No encerramento das negociações da sexta-feira, as cotações de Chicago fecharam no vermelho. Na soja, o contrato novembro encerrou a US$ 12,61 por bushel (-1,75 ponto) e o janeiro a US$ 12,75 por bushel (-2,00 pontos). O milho na CBOT finalizou a US$ 4,74 por bushel para dezembro (-3,75 pontos) e US$ 4,86 para março (-4,50 pontos). O trigo também amargou perdas entre 7 e 9,50 pontos.

No mercado físico nacional, as referências de soja em Mato Grosso recuaram para patamares entre R$ 133 e R$ 140 por saca, a depender da praça, enquanto Minas Gerais e Paraná registraram negócios ao redor de R$ 140 a R$ 142. Já o milho físico variou de R$ 45 a R$ 46 por saca em Sorriso (MT) até R$ 64 a R$ 65 em Uberlândia (MG). Na B3, o milho fechou com o vencimento novembro a R$ 66,57 (-0,80%) e janeiro a R$ 70,92 (-0,48%).

Implicações para o setor

O momento reforça a necessidade de foco estrito na gestão de custos e na condução operacional da lavoura por parte do produtor rural brasileiro. Com a pressão sazonal da colheita norte-americana e a volatilidade macroeconômica e climática, a recomendação de consultores é priorizar o avanço dos trabalhos a campo e aproveitar repiques favoráveis de mercado para travar despesas e garantir margens seguras ao longo do ciclo.

* Com auxílio de IA

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