Demanda chinesa e alta do petróleo ajudam soja a subir em Chicago nesta sexta-feira, apesar de semana encerrar no negativo

Mercado começa, cada vez mais, a olhar para o plantio e desenvolvimento das lavouras do Brasil
Publicado em 23/10/2026 16:46 | Atualizado em 23/10/2026 17:18
Maria Eduarda Guimarães Ribeiro - Consultora de Mercado na Venda na Hora Certa
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Demanda chinesa e alta do petróleo ajudam soja a subir em Chicago nesta sexta-feira, apesar de semana encerrar no negativo

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O mercado da soja encerrou a última sexta-feira em terreno positivo na Bolsa de Chicago (CBOT), impulsionado pela valorização do petróleo e pelo anúncio de novas compras chinesas de produto norte-americano. No entanto, no balanço acumulado da semana, a oleaginosa contabilizou perdas, pressionada pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e pelo aumento da oferta projetada pelos relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Em entrevista ao Notícias Agrícolas, a consultora de mercado da Venda na Hora Certa, Maria Eduarda Guimarães Ribeiro, detalhou as variáveis que estão mexendo com as cotações globais e a postura do produtor no Brasil.

Fatores que impulsionaram as cotações na sexta-feira

A recuperação pontual observada no encerramento da semana esteve atrelada diretamente à dinâmica internacional de demanda e ao suporte dos derivados. O petróleo registrou ganhos expressivos, o que fortalece os biocombustíveis e, consequentemente, sustenta os preços do óleo de soja. Somou-se a isso a confirmação de novas vendas de cerca de 200 mil toneladas de soja dos Estados Unidos com destino à China.

Segundo Maria Eduarda Guimarães Ribeiro, esses fatores ajudaram a reverter parte das perdas recentes no pregão diário: "Hoje a gente teve essa soja entregando um pouquinho essa alta para a gente, principalmente nessa questão da alta do petróleo e essa demanda chinesa também que veio aí, com cerca de novas vendas surgindo, mais ou menos em torno de 200 mil toneladas ontem".

Pressão semanal e avanço da oferta nos Estados Unidos

Apesar da reação ao final da semana, o quadro geral permaneceu sob a pressão dos fundamentos de oferta. A safra norte-americana surpreendeu ao apontar volumes superiores aos anteriormente esperados pelo mercado, gerando estoques finais mais elevados nos Estados Unidos. Além disso, o ritmo acelerado dos trabalhos de campo e a entrada da colheita aumentaram a disponibilidade física de produto, deprimindo os valores ao longo dos últimos dias.

A consultora destacou que o peso da produção norte-americana tem sido determinante para o recuo semanal: "Essa soja já vem caindo há algum tempo, principalmente por essa oferta ali dos Estados Unidos, que teve esse aumento da safra que esperavam de um valor e a safra veio mais elevada do que esperavam, e também desses estoques finais estarem altos. Os Estados Unidos estão bem abastecidos".

Ritmo desigual no plantio brasileiro e influência do clima

No Brasil, a semeadura da nova temporada apresenta um ritmo heterogêneo entre as diferentes regiões produtoras, refletindo os primeiros impactos do padrão climático sob influência do fenômeno El Niño. Enquanto estados como o Mato Grosso registram avanço acelerado dos trabalhos de campo, com o plantio ultrapassando os 50% de acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o Sul do país enfrenta adversidades climáticas severas.

No Paraná, o excesso de chuvas e volumes volumosos têm dificultado a entrada das máquinas e provocado atrasos significativos no cronograma de plantio. Essa disparidade climática entre seca ou chuvas irregulares no Centro-Norte e tempestades contínuas no Sul coloca o desenvolvimento das lavouras no centro das atenções do mercado para as próximas semanas.

Comercialização travada e postura de espera dos agricultores

Diante desse ambiente de volatilidade nos preços internacionais e indefinições climáticas locais, o produtor rural brasileiro tem adotado uma estratégia conservadora nas negociações. Grande parte dos agricultores optou por travar apenas o montante necessário para cobrir os custos de produção da safra — volume estimado em cerca de 35% do potencial produtivo —, mantendo o restante sem fixação de preço.

"A estratégia agora tem sido principalmente esperar, para a gente estar definindo ali como é que vai ser esse desenvolvimento da cultura da soja", avaliou Maria Eduarda. A especialista acrescentou que, com os custos básicos assegurados, os produtores aguardam uma confirmação mais clara do potencial produtivo das lavouras e eventuais janelas de oportunidade nos preços antes de comprometer os 65% restantes da produção estimada.

* Com auxílio de IA

 

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