Frente fria mantém chuva no Sul e estiagem segue preocupando áreas produtoras do interior do Brasil

Publicado em 30/06/2026 09:59 e atualizado em 30/06/2026 14:41
Tempo & Clima
Volumes elevados de chuva permanecem sobre a Região Sul, enquanto o tempo seco continua predominando nas principais áreas produtoras do Centro-Oeste, Matopiba e Tocantins

O Brasil encerra o mês de junho com um cenário climático dividido entre chuvas intensas no Sul e na faixa equatorial e tempo seco predominando no interior do país. Segundo o meteorologista Bruno Bainy, do Cepagri/Unicamp, o padrão deve permanecer ao longo desta semana, com poucas mudanças na distribuição das precipitações.

"As áreas de maior nebulosidade continuam concentradas na faixa equatorial da Amazônia, no litoral leste do Nordeste e na Região Sul. Já a porção central do Brasil permanece sob tempo bastante seco", explicou.

Sul e Amazônia concentram maior risco de tempestades

O monitoramento por satélite mostra que as tempestades mais intensas do país continuam concentradas em duas regiões: Santa Catarina e o Amazonas, onde há elevada incidência de descargas elétricas.

Segundo Bainy, os fenômenos têm origens distintas.

"Na Amazônia, o calor e a umidade favorecem a formação de nuvens profundas, responsáveis pelas tempestades típicas da região tropical. Já no Sul, o contraste entre massas de ar provocado pela frente fria estacionária cria condições favoráveis para tempestades com muitos raios."

O meteorologista alerta que essas nuvens podem produzir descargas elétricas frequentes e representam risco para trabalhadores rurais, animais e equipamentos no campo.

Chuvas acima da média marcaram junho em parte do país

O balanço climático do mês mostra que as precipitações ficaram concentradas principalmente sobre a Região Norte, o Sul e parte do Sudeste.

Além das chuvas típicas da faixa equatorial, junho registrou volumes expressivos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e também em áreas de Mato Grosso do Sul, sul de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

"Essa condição foi bastante atípica para a época do ano, já que normalmente esse período é mais seco nessas regiões."

Tocantins encerra junho sob forte estiagem

Enquanto algumas regiões registraram chuva acima da média, o Tocantins permanece entre os estados mais castigados pela estiagem.

"O estado praticamente encerra junho sem chuva e não há perspectiva de precipitações para os próximos dias, talvez nem para as próximas semanas."

O cenário também se estende ao extremo oeste da Bahia, onde o tempo seco, as temperaturas elevadas e a baixa umidade relativa do ar aumentam a perda de água do solo e das plantas.

"Além da ausência de chuva, as temperaturas seguem muito altas e a umidade baixa favorece ainda mais a evapotranspiração."

Para os próximos dias, Bainy destaca que a distribuição das chuvas deve permanecer praticamente a mesma.

As precipitações continuam concentradas na faixa equatorial da Região Norte, no litoral leste do Nordeste e na Região Sul.

A principal mudança ocorre entre o fim da semana e o próximo fim de semana, com o avanço de uma frente fria em direção ao Sudeste.

"Essa frente provoca uma queda nas temperaturas em parte do Sul, Sudeste e Centro-Oeste e pode provocar algumas chuvas localizadas, mas o principal destaque continua sendo o Sul do país, onde permanecem os acumulados mais expressivos."

No restante do interior brasileiro, especialmente em Tocantins, Matopiba e grande parte do Centro-Oeste, o tempo segue firme, seco e com temperaturas elevadas.
 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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