Tempo seco favorece o campo no Sul, mas geadas seguem no radar do produtor

Publicado em 07/07/2026 09:34 e atualizado em 07/07/2026 10:53
Patrícia Cassoli
Frente fria perde força e deixa de provocar chuva na Região Sul, mas mantém o alerta para temperaturas próximas de 0°C nas áreas de serra

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Com o afastamento da frente fria em direção ao oceano, a Região Sul terá uma sequência de dias de tempo firme, cenário que deve favorecer o avanço das atividades no campo. A ausência de chuva, no entanto, vem acompanhada da persistência de uma massa de ar frio, que mantém o risco de geadas até quinta-feira (9), principalmente nas áreas mais elevadas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Segundo a meteorologista Patrícia Cassoli, não há previsão de chuva entre quarta e quinta-feira nos três estados da região. As precipitações só devem retornar entre o fim da sexta-feira (10) e o sábado (11), ainda com baixos volumes.

"Entre quarta e quinta-feira, não há previsão de chuva para nenhuma área da Região Sul. O tempo firme deve favorecer os trabalhos no campo, e a chuva só retorna no fim de semana", afirmou.

Apesar das condições favoráveis para operações como colheita, preparo de solo e manejo das lavouras, os produtores precisam manter atenção ao frio intenso durante as primeiras horas do dia.

A previsão indica que a quarta-feira será o período mais crítico para a formação de geadas. A massa de ar frio ainda atua com força sobre a região, favorecendo temperaturas abaixo de 5°C e, em alguns pontos de serra e planalto, valores próximos ou até inferiores a 0°C.

"A condição para geada continua sobre os três estados. As áreas de Serra e Planalto, principalmente entre o norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o sul do Paraná, podem registrar temperaturas abaixo de 4°C, com geadas de moderada intensidade", explicou Patrícia.

A partir de quinta-feira, o frio perde intensidade gradualmente. As geadas ainda podem ocorrer, mas de forma mais isolada e fraca, enquanto as temperaturas voltam a subir lentamente durante as tardes.

As máximas permanecem baixas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, variando entre 16°C e 18°C na quarta-feira. No Paraná, os termômetros chegam a 20°C em boa parte do estado e podem alcançar até 24°C no norte paranaense. Na quinta-feira, o aquecimento será gradual, embora o tempo continue ameno na maior parte da região.

Uruguaiana e Cascavel terão janela favorável para os trabalhos no campo

Entre as cidades monitoradas, Uruguaiana (RS) deve permanecer sem chuva ao longo dos próximos dias, condição considerada positiva para as operações agrícolas.

"O produtor vai conseguir avançar com os trabalhos no campo. A atenção fica para as temperaturas mais baixas entre quarta e quinta-feira, quando ainda existe possibilidade de geada", destacou a meteorologista.

Em Cascavel (PR), o cenário é semelhante. A chuva fraca registrada durante a madrugada desta terça-feira perde força rapidamente e dá lugar ao tempo firme.

Segundo Patrícia, o município também deve registrar manhãs frias, com possibilidade de geada isolada na quarta-feira. A partir de quinta-feira, as temperaturas sobem gradualmente, proporcionando tardes mais agradáveis, com máximas entre 22°C e 23°C.

El Niño já começa a influenciar o clima brasileiro

Além da previsão de curto prazo, Patrícia Cassoli ressaltou que os primeiros sinais da influência do El Niño já podem ser observados na atmosfera. Embora o fenômeno ainda esteja em intensidade moderada, os modelos indicam fortalecimento ao longo dos próximos meses, podendo atingir intensidade forte entre agosto e setembro.

"A atmosfera já começa a responder ao aquecimento do Oceano Pacífico. As chuvas volumosas registradas na semana passada no Sul, com acumulados superiores a 100 milímetros em algumas áreas, já refletem essa influência."

Segundo a meteorologista, à medida que o acoplamento entre oceano e atmosfera se intensificar, a tendência é de aumento na frequência de frentes frias sobre a Região Sul durante o inverno e, principalmente, na primavera.

Para o setor agropecuário, o monitoramento do fenômeno será fundamental, já que o fortalecimento do El Niño pode alterar o regime de chuvas e influenciar o planejamento das principais culturas da safra 2026/27.

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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