Ciclone provoca temporais no Sul enquanto tempo seco predomina no interior do Brasil
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O produtor rural do Sul do Brasil deve redobrar a atenção às condições meteorológicas nos próximos dias. A formação de um ciclone extratropical sobre o Atlântico Sul intensifica as instabilidades entre esta quarta-feira (5) e quinta-feira (6), aumentando o risco de chuva forte, trovoadas, granizo e rajadas de vento sobre os três estados da região. O sistema também favorece o avanço das áreas de chuva para o sul de Mato Grosso do Sul e o sul de São Paulo, podendo impactar atividades no campo.
Segundo o meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento, o padrão de chuva mais frequente sobre a Região Sul já vinha sendo observado e deve continuar nos próximos dias.
"A gente já vem observando, volta e meia, episódios de chuva intensa sobre a Região Sul. Não é um comportamento restrito ao Rio Grande do Sul. Os temporais também têm atingido outros estados da região e até áreas do Sudeste."
O especialista explica que o ciclone deve reforçar as instabilidades, elevando o potencial para temporais.
"O ciclone realmente deve se formar, mas isso não significa que todo sistema seja um 'ciclone bomba'. Cada evento precisa ser analisado de acordo com suas características."
Chuva se concentra no Sul
No curto prazo, a maior preocupação para o setor agropecuário está concentrada na Região Sul. Entre quarta e quinta-feira, a chuva ocorre de forma generalizada nos três estados, acompanhada por trovoadas, rajadas de vento e possibilidade de granizo. O Inmet emitiu alerta laranja para tempestades em grande parte do Rio Grande do Sul, centro-oeste e sul de Santa Catarina, oeste e sul do Paraná, além do sul de Mato Grosso do Sul.
No Sudeste, as instabilidades avançam sobre o sul de São Paulo, principalmente na divisa com o Paraná, com previsão de chuva e trovoadas. Há ainda possibilidade de chuva isolada no sul de Minas Gerais e no Espírito Santo, enquanto o restante da região permanece com tempo firme.
No Centro-Oeste, a chuva fica restrita ao sul de Mato Grosso do Sul. Nas demais áreas predominam tempo seco, calor e baixos índices de umidade relativa do ar, condição que continua preocupando produtores pela restrição hídrica e aumento do risco de incêndios.
Na Região Norte, as pancadas de chuva seguem concentradas sobre Amazonas, Roraima, norte do Pará e Amapá, enquanto grande parte da região mantém tempo firme.
Já no Nordeste, a chuva permanece restrita à faixa litorânea. No interior, o tempo seco continua predominando, com alertas de baixa umidade em áreas da Bahia, Maranhão, Piauí e outros estados.
El Niño entra em fase mais intensa
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) reforçou o alerta para a evolução do El Niño nos próximos meses.
"A expectativa é de que continue ganhando intensidade nos próximos meses. Devemos chegar a anomalias acima de 2°C, podendo alcançar 2,5°C entre o fim deste ano e o começo do ano que vem.", completa o especialista.
De acordo com o meteorologista, o período de maior influência do fenômeno deverá ocorrer entre a primavera e o verão, coincidindo com fases importantes do desenvolvimento das principais culturas agrícolas brasileiras.
Outro fator que chama atenção é o aquecimento recorde dos oceanos.
"Em 2015 e 2016 tivemos um super El Niño, mas o planeta não estava tão quente quanto está hoje. Agora temos a expectativa de um super El Niño com os oceanos registrando temperaturas recordes."
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