MERCADO DO AÇÚCAR: Novas Ponderações

Publicado em 06/02/2012 06:24 849 exibições
Comentário Semanal – de 30 de janeiro a 3 de fevereiro de 2012.
Esse é o primeiro relatório do ano, retornando após férias sempre bem vindas para recarregar as baterias e desfragmentar o disco rígido. O mercado de açúcar em NY no mês de janeiro não teve intercorrências, com volume fraco e tentativas mal sucedidas de negociação acima dos 25 centavos de dólar por libra-peso, que se tornou uma barreira difícil de transpor dada as incertezas de cunho fundamentalista que ainda pairam sobre o mercado. Os fundos compraram 50.000 lotes e o mercado subiu apenas 100 pontos, ou seja, fortes subidas repentinas de preço foram aproveitadas pelos hedgers, que não são bobos nem nada.

Com a recente apreciação do real sem a correspondente alta do açúcar no mercado internacional, é evidente que a rentabilidade do açúcar e do etanol despencou. O custo de produção em dólar sobe (20,88 centavos de dólar por libra-peso FOB) e as margens evaporam. Diferentemente do quadro que, como sabem, imaginávamos fosse ocorrer nesse inicio de ano. As notícias e a percepção da oferta e demanda não surpreenderam e o mercado de açúcar em NY praticamente andou de lado desde que os champanhes foram estourados na virada do ano. Com o Consecana médio com pouco mais de 0,50, usando os níveis de preço próximos do fechamento da semana, a rentabilidade do etanol é negativa enquanto a do açúcar (mercado interno e externo) não é nada de excepcional. Não paga o custo financeiro.

Muita gente está em Dubai em razão da conferência que lá ocorre. Só para lembrar: no ano passado, o pessoal voltou menos entusiasmado com os preços e um mês depois as cotações caíram de 35,31 para 29,26; em 2010, o pessoal voltou animadíssimo com os preços e um mês depois, as cotações despencaram de 29,28 para 20,32; em 2009, mais animação e o mercado fingiu que não era com ele. Ou seja, independentemente do sentimento das pessoas que atendem a tal conferência, na volta os preços caem. Vai entender. 

Muitos traders acreditam que a fase de abundância que provocou a queda nos preços do açúcar está no fim. Há exatamente um ano, NY fechava a 35,31 centavos de dólar por libra-peso, e hoje amarga uma queda de 32% comparada com o fechamento desta sexta. O mercado visitou recentemente os 22 centavos, mas aguentou firme e se recuperou levemente. No final do ano, o março de 2013 negociava a quase 12 dólares por tonelada de prêmio em relação ao vencimento outubro de 2012. Hoje, esse prêmio subiu para quase 19 dólares por tonelada. Ou seja, o mercado passa a tratar com um pouco mais de cuidado a safra 2013/2014 sinalizando que os preços podem ter encontrado um suporte nos níveis atuais, com perspectiva de alta. As apostas dão conta de que o superávit mundial vai desaparecer e chegaremos a 27 centavos de dólar por libra-peso até o final do ano. Minhas fichas estão aí.

Não custa observar o seguinte: também há um ano o março/2012 negociava a 24,93 centavos de dólar por libra-peso e o maio/12 a 23,49 centavos de dólar por libra-peso, praticamente o mesmo preço do fechamento de sexta. Mas, os meses com vencimento para 2013, se comparados há um ano subiram em média mais de 15%.

Por aqui, parece haver consenso numa produção de cana em torno de 520 milhões de toneladas. O problema é a idade do canavial. A média está alta ainda refletindo a falta de investimento por contra da crise em 2008. A lentidão em sua renovação (que precisa de bons preços para justificá-la) coloca em risco as próximas safras. Além desse quadro que merece atenção, quaisquer alterações no clima podem injetar volatilidade nos preços, volatilidade essa que – diga-se de passagem – esvaneceu-se, fazendo com que o mercado de opções esteja muito chato para aqueles que estavam embolsando largos prêmios há alguns meses. Alguém se habilita a ficar vendido a 22 centavos de dólar por libra-peso?

A primeira estimativa da Archer Consulting para a safra 2012/2013 do Centro-Sul aponta uma produção de 518 milhões de toneladas divididos em 32,47 milhões de toneladas de açúcar e 22,10 bilhões de litros de etanol. 

O custo de produção do anidro e do hidratado, de acordo com o modelo desenvolvido pela Archer Consulting, é de R$ 1,1897 e 1,1421, por litro na usina, respectivamente. Comparando com o fechamento da BM&F Bovespa, o hidratado apresenta uma rentabilidade média negativa de 1% comparada ao custo de produção para os primeiros 3 meses de vencimento de 2012.

A inscrição para o XVII Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos da Archer Consulting já está aberta e quase se esgotando. O Curso está programado para os dias 27, 28 e 29 de março de 2012, em São Paulo. Se você pretende se inscrever, apresse-se, pois as vagas são limitadas. Mais de 500 profissionais do mercado no Brasil e no Exterior já fizeram o Curso. 

O Fundo administrado pela Archer Consulting está rendendo para os investidores 50,3096% ao ano, “desossado”, em seus 306 dias de existência. A ideia é disponibilizá-lo ainda esse ano a novos investidores.
Fonte:
Archer Consulting

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