Mercado de açúcar: O FUNDO DO POÇO OU O FIM DO MUNDO?

Publicado em 06/05/2012 19:26 e atualizado em 07/05/2012 10:07 761 exibições
por Arnaldo Luis Correa, da Archer

O FUNDO DO POÇO OU O FIM DO MUNDO?

O volume de entrega de açúcar na bolsa de NY de quase 700.000 toneladas, por ocasião da expiração do vencimento maio/2012, denota que o mercado à vista está largado, sem demanda e o último recurso usado pelo vendedor foi entregar sua mercadoria contra a venda de contratos futuros que fizera, porque ninguém pagava melhor preço por ela no mercado spot. Simples assim. Agora, pior do que isso é quando o comprador (que vai receber o açúcar a ser entregue via bolsa) não nomeia os navios imediatamente. Normalmente, após a expiração do contrato e o período de entrega, o comprador indica os navios ao vendedor até mesmo para dar uma demonstração ao mercado de que ele – comprador – tem sim destino para aquele açúcar que está recebendo. Com isso, os spreads se valorizam e o mercado começa a se reerguer abrindo espaço para um ganho na posição recebida pelo comprador. Quando a nomeação de navios demora, o mercado assume que o comprador não tem destino para o açúcar que vai receber e a reação é a queda imediata dos preços. Não dá para saber a estratégia do recebedor, mas dá pra sentir na pele o que ocorre quando ele empurra a nomeação para mais adiante. É mais queda.

E assim, o mercado de açúcar em NY encerrou a semana com mais uma queda, desta vez um pouco menor, embora tenha negociado novas mínimas durante a semana que passou. O julho/2012 encerrou o pregão de sexta-feira a 20,81 centavos de dólar por libra-peso com queda de 40 pontos na semana, ou quase 9 dólares por tonelada. Os demais meses de vencimento também sofreram pressão, principalmente os mais curtos. Outubro, março e maio fecharam com quedas beirando os 11 dólares por tonelada na semana.

Desde 27 de fevereiro, quando o mercado alcançou a alta de 26,50, até o fechamento de sexta-feira, a 20,81 centavos de dólar por libra-peso, o mercado derreteu 21,47%. No mesmo período o dólar se valorizou de 1,7088 para 1,9200; ou seja, dessa queda de 569 pontos, 292 pontos estão ligados ao câmbio e 277 pontos ligados ao fundamento. Grosso modo, meio-a-meio.

Agora alguns traders começam a apontar os lápis e introduzir na equação a variável que não haviam dado o devido peso que tem hoje. A Archer Consulting usou seu modelo de preço para apurar onde o mercado de açúcar poderia se situar com o dólar caminhando para 1,9500 e 2,000 dados os quadros de produção estimada e demanda de açúcar e etanol. Esse valor é de 22,05 centavos de dólar por libra-peso na média dos vencimentos. O risco de queda abaixo dos 20 centavos de dólar por libra-peso pode até ocorrer, mas deve ter vida curta (levando-se em conta o dólar num patamar de 2 reais).

Por outro lado, dólar nas alturas e petróleo acima de 110 dólares por barril, força o aumento de anidro na mistura (imaginando que o governo use a lógica) com impacto na diminuição de cana destinada ao açúcar. Com isso, NY na média se eleva para 22,82 centavos de dólar por libra-peso. Caso o dólar volte para 1,8500 NY retorna a 24,67.

Os otimistas acham que o fundo do poço já chegou, os pessimistas acreditam que o mundo está próximo do fim. O relatório divulgado pela bolsa nesta sexta indica que os fundos, que estão comprados, possuem a posição mais vulnerável do mercado. A questão que se faz é: qual nível de preço em NY faria com que os fundos dissessem: “Chega, vamos sair da posição?”. Pode ser abaixo dos 20 centavos de dólar por libra-peso? E contra essa enxurrada de 5.5 milhões de toneladas equivalentes compradas, não há muito que se fazer. O mercado ainda vai sofrer muito até depois da semana do açúcar em NY, que começa em 16 de maio, e até que haja noticias mais consistentes do tamanho da moagem no Centro Sul. Até lá consulte seu cardiologista.

Algumas fontes do mercado indicam que as principais usinas do país trabalham com um acréscimo no volume de cana a ser moída nesta safra. Não é o que se ouve do portão para dentro.

O contrato de etanol na BM&F Bovespa está com uma posição em aberto de 5.614 lotes em futuros mais 725 lotes em opções. Ligeiro acréscimo de volume e posição em aberto após três meses de queda consecutiva.

A volatilidade do mercado nos últimos 20 dias retornou para 22,51%, uma queda em relação ao mês passado; volatilidade de 50 dias subiu para exatos 25,00% (há um mês era 24,07%) e a de 100 e 200 dias 26,29% e 31,77% (há um mês 27,51% e 33,73%), respectivamente. 

Tenham todos uma excelente semana com muitos negócios.

Arnaldo Luiz Corrêa

Fonte:
Archer Consulting

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