Açúcar: Pisando em ovos

Publicado em 13/10/2010 12:40
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Comentário Semanal de 04 a 08 de outubro
O mercado de açúcar em NY fez novas altas na semana em todos os meses de negociação. O vencimento março/2011 subiu quase 300 pontos na semana, fechando em 26,26. Os vencimentos referentes à safra 2011/2012 subiram 10% na média na semana. Os da safra seguinte, pouco mais de 8,5%.  Os spreads março/maio e maio/julho subiram 10 dólares por tonelada cada. O mercado subiu numa mistura de fatores exógenos (com mais peso) e a percepção mais aguda dos fundamentos (com menor peso).
 O que mudou tanto nos fundamentos da última semana para cá para justificar essa alta? Em verdade, pouca coisa. O cenário macro mostra o dólar com anemia profunda, ainda mais depois da perda de 95.000 postos de emprego nos EUA, fazendo com que as commodities sejam uma alternativa de porto seguro para a manutenção do valor da moeda. Tudo subiu: milho, soja, café. No micro, o tamanho da safra indiana que começa agora tem apostas entre 25 e 28 milhões de toneladas. O mercado parece ter absorvido este impacto nos preços há algum tempo. Por outro lado, o quanto a safra brasileira será afetada em 2011/2012 continua nas discussões.
 Muitos consideram que o Brasil já está na sua capacidade açucareira máxima, mas esse número também não encontra seguidores fiéis. O Departamento de Agricultura dos EUA reduziu sua estimativa de safra de cana de 660 para 639 milhões de toneladas.
Somem-se a esses pontos algumas recompras de futuros em função de uma combinação explosiva de preços mais altos no mercado interno (o trader recompra o hedge em NY e vende o açúcar no mercado interno ao equivalente a março mais 700 pontos), chamada de margem (somente nessa semana, estima-se R$ 11 milhões para cada 100.000 toneladas hedgeadas no março), e último, mas não menos importante, o fato de o recebedor do açúcar de setembro na bolsa de NY ter começado a nomear os navios para os mais variados destinos.
 De preços então, aí é que não se tem consenso mesmo. Em seminário ocorrido na semana um executivo do setor ao ser questionado qual seria em sua opinião o intervalo de preços para o março de 2011, disparou: “entre 18 e 35 centavos de dólar por libra-peso”. Não é uma resposta jocosa, é que todo mundo está pisando em ovos mesmo.
 Como é impossível para qualquer ser humano prever o futuro com acerto de 100%, faço parte daquele grupo que prefere tomar lucro quando o mercado parece esticado demais. Retornos generosos como esses que estão aí em geral têm vida curta, pois instigam todos a produzir mais e maior produção lá na frente pressiona os preços.
Essa lição de obviedade está lastreada por um retorno médio para a safra 2011/2012 (se hedge de moeda e preços forem feitos
concomitantemente) de R$ 36,0927 por saca na usina contra um custo de produção estimado em R$ 27,1488. Ou seja, 32,9% de margem. Para 2012/2013, ainda considero cedo.
 Notaram-se em NY alguns negócios interessantes com opções para o vencimento julho de 2011. Consistem na compra de uma call (opção de
compra) de preço de exercício de 25 centavos de dólar por libra-peso financiada pela venda de um put (opção de venda) spread de 19 com 15 centavos de dólar por libra-peso a custo inicial zero.
Se o mercado cair abaixo de 19, o trader está comprado a 19, mas apenas até os 15 centavos de dólar por libra-peso, nível em que o trader tem um stop. Se o mercado expirar entre 19 e 25, ele faz o hedge no mercado. Acima de 25, ele ganha integralmente a diferença entre o mercado e o preço de exercício de 25.
 No último relatório dissemos que com “o dólar mais fraco, o custo de produção de açúcar pelo modelo da Archer Consulting atingia 16,84 centavos de dólar por libra-peso posto usina”.
Erramos. O correto é FOB Santos!! O custo na usina é de R$ 27,1488 por saca. Desculpem a nossa falha.
 O volume de contratos negociados em NY neste ano soma 23,3 milhões.
Pelo andar da carruagem devemos fechar 2010 com 28,2 milhões de contratos, um aumento insignificante em relação a 2009 que negociou
27,4 milhões e 2008 com 26 milhões. Desde 2007 que o volume de açúcar não é mais o mesmo.
 No Fundo Fictício da Archer Consulting, tivemos que corrigir a posição no março vendendo 200 lotes a 22,53 e impactando negativamente nosso resultado da semana. É o preço da disciplina.
Fechamos a semana com uma posição no delta equivalente a  299 lotes vendidos. Vamos liquidá-la na terça-feira se o março negociar 27,15 e em seguida abrir outra posição vendendo o straddle – venda da call (opção de compra) e put (opção de venda) com mesmo preço de exercício - para o vencimento maio/2011, pois não queremos ficar exposto num mês que ainda promete solavancos. Vamos usar o preço de exercício mais próximo do mercado assim que as opções estiverem operando. Vamos fazer 1.500 lotes. Caso o mercado não negocie 27,15, ficaremos quietos. O prejuízo da semana foi de US$ 1.306.568,45 e o valor do portfolio é de US$ 4.047.116,82 com retorno anualizado de 150,10%.
 Boa semana para todos.
Fonte: Archer Consulting

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