MERCADO DO CAFÉ: Diferenciais enfraquecem e compradores aproveitam

Publicado em 30/04/2012 07:33 645 exibições
Por Rodrigo Costa. Comentário Semanal - de 23 a 27 de abril de 2012.
Caiu mais um governo europeu que defendia maior austeridade, na Holanda.

Tomando emprestado do noticiário: “nos últimos 24 meses Islândia, Irlanda, Grécia, Portugal, Reino Unido, Eslováquia, Romênia, Espanha e Itália viram seus governos mudarem”.

Na França a pressão cai sobre Sarkozy, com chances de a oposição ganhar as próximas eleições e acabar deixando a Alemanha sozinha na luta por cortes de gastos e aumentos de impostos na zona do Euro.

Ainda no velho continente a nova recessão inglesa e um novo downgrade da Espanha não assustaram tanto os investidores – “comfortably numb?”.

Do outro lado do Atlântico o dado de pedidos de bens duráveis nos Estados Unidos serviu de alento ao menos aos americanos em ver que seu país está em melhores condições que tantos outros, e isto refletiu na alta dos índices de bolsas do país – claro que o FED dizendo que não descarta um novo QE também ajudou.

Os principais índices das commodities subiram entre 1.48% e 1.76% nos últimos cinco dias, liderados pelo gás natural, cobre e grãos.

O café nas três bolsas mais seguidas pelos participantes mais uma vez experimentou baixas, caindo em geral US$ 3.50 por saca.

Na semana parece que apenas na quarta-feira, quando os preços foram acima de US$ 185.00 por libra em Nova Iorque, o mercado físico se agitou e compradores encontraram vendedores oferecendo cafés a diferenciais historicamente baixos. Alguns comentam que cafés naturais brasileiros negociaram a US$ 25 centavos de desconto para embarque entre os meses de maio a setembro.

A leitura, de ofertas baratas nesta época do ano, é negativa para o mercado futuro e nos fazem acreditar que ganhos significativos no curto-prazo serão difíceis de encontrar sustentação.

No Brasil produtores têm reclamado da dificuldade de encontrar mão de obra para colheita, além dos altos custos para este serviço – ecoando o que ouvimos na América Central há pouco. Tentando neutralizar uma eventual pressão vendedora, o governo brasileiro anunciou que colocará a disposição R$ 900 milhões para ajudar o campo a financiar seus estoques, e há sempre os programas de empréstimo para custeio.

Independentemente do apoio divulgado os sinais que temos recebido do enfraquecimento do real e dos diferenciais mais baratos não nos ajudam a enxergar uma recuperação para a bolsa por ora, ou seja os altistas terão que ter paciência ou torcer por uma frente fria chegando nos cafezais do Brasil.

Uma excelente semana a todos e muito bons negócios.
Fonte:
Archer Consulting

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