MERCADO DO CAFÉ: Café segura mesmo com câmbio mais forte

Publicado em 14/05/2012 07:12 747 exibições
Comentário Semanal - de 7 a 11 de maio de 2012. Por Rodrigo Costa.
A eleição da oposição socialista na França foi relativamente bem absorvida pelos mercados, talvez por já esperar o resultado ou então pelas declarações amenas dos líderes das duas maiores economias na Europa.

No decorrer da semana a diminuição das notas das dívidas de Portugal e Irlanda pela agência Moody’s, assim como um receio de um ainda menor crescimento da China, deram um tom mais negativo aos mercados, que fecharam mais fracos. 

O cenário favoreceu o dólar americano em geral, com destaque para a valorização contra o euro de 1.34% e contra o real brasileiro de 2.43%.

O café em Nova Iorque se comportou bem frente as turbulências, encerrando os últimos cinco dias com ganhos de US$ 3.37 por saca. O robusta na LIFFE subiu mais, US$ 6.48 por saca – atingindo o maior nível desde setembro do ano passado.

Grande parte da comunidade cafeeira se encontrou no Seminário Internacional de Santos durante dois dias, e as conversas nos corredores mostraram um mercado divido. Os baixistas dizem que os preços têm que cair mais (para níveis abaixo do custo de produção) para que desestimulem o incremento de produção mundial (??). Os altistas usaram como argumentos os estoques mundiais pequenos e o consumo crescente.

Curiosa a observação de aumento de produção, que em números absolutos não é significativo. Eu estou no time dos altistas, principalmente para o último quarto deste ano quando então já começaremos a descontar um novo ano de déficit que será o do ciclo 13/14.

A CONAB divulgou sua estimativa de safra para 12/13 no Brasil, com um total de produção de 50.45 milhões de sacas, sendo 38,1 milhões de arábica e 12.3 milhões de sacas de conillon. A maior divergência entre os números das principais trading-houses está no conillon que acreditam será de 15 milhões a 19 milhões de sacas.

No mercado físico parece que os que vieram ao Brasil colocar compras nos livros não encontraram vendedores interessados em oferecer diferenciais de descontos históricos, mesmo com a moeda brasileira dando um empurrãozinho via arbitragem.

Exportadores e dealers cautelosamente sugerem a indústria que não esperem tanto para cobrir diferenciais pois os mesmos não devem enfraquecer muito mais. O problema é que os torrefadores já tinham ouvido isto e antes, e mesmo com a queda do terminal o que viram foi o contrário, portanto não estão com pressa.

Os fundos voltaram a vender um pouco o mercado, que por ora tem se mantido acima de 170 centavos e deve continuar entre o intervalo de 170 e 190 centavos (a não ser que o real mantenha o mesmo ritmo de queda).

Uma excelente semana a todos e muito bons negócios.
Fonte:
Archer Consulting

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