Mercado de café: "Consumo pode não crescer, mas cairá??" (por RODRIGO COSTA)

Publicado em 03/05/2020 03:31 e atualizado em 04/05/2020 07:35 643 exibições
*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

A entrada da safra na principal origem levemente antecipada já traz algum fluxo de café novo, mas a negociação nas principais praças ficou mais lenta, com o terminal mostrando fraqueza e com o câmbio ainda próximo dos R$ 5.50.

Não creio em um prognostico para preços muito negativo, mas a colheita acelerando a partir de agora pode limitar ganhos e eventualmente atrair fundos para vender um pouco esta commodity.

A conversão do contrato “C” em centavos de Real por libra-peso encerrou o último pregão do arábica da ICE em R$ 583.90, longe dos R$ 649.80 de 25 de março último e mais distante ainda dos R$ 422.30 centavos de 5 de fevereiro.

Entretanto comparando com o dia 8 de maio de 2019, quando o Brasil entrava em uma safra menor do que a atual, este “indicador” está 67.9% mais alto – lá estava em 347.82 centavos de real por libra, ou seja NY negociava a US$ 88.55 centavos por libra e o dólar a R$ 3.9279.

Este é um dos argumentos dos baixistas, juntamente com a perspectiva de queda de demanda.

Eu tenho a impressão de uma demanda que não sofra perdas, podemos sim não ter um crescimento como vinha acontecendo há vários anos, mas imaginar um decréscimo, por ora, não é a hipótese que trabalho para meus exercícios.

Vale notar, entretanto, que diversos colaboradores e profissionais que converso discordam desta minha análise e traçam um panorama nada animador.

A favor da minha suposição há o incremento do consumo dentro de casa, menos eficiente e com uma base maior, e contra - a perda significativa do consumo fora de casa e a perda de poder aquisitivo, incluindo o desemprego que pode afetar o comportamento dos tomadores de café.

Outro fator que não custa ser lembrado é de as cotações internacionais não estarem em patamares que estimulem grande parte dos produtores de suaves, mas neste ponto os baixistas contra-argumentam usando o Brasil como estando em uma situação bem distinta.

Para os produtores brasileiros a lição de casa tem sido muito bem feita há algum tempo. Uma das provas disto é estarmos entrando em uma das maiores safras da história com um recorde de volume pré-negociado.

Outra excelente notícia no meio de tudo que estamos passando.

Mercado financeiro

O S&P500 em abril apreciou 12%, a melhor performance desde janeiro de 1987 e, mesmo com a queda de 2.8% no primeiro dia de maio, a recuperação da mínima do dia 23 de março, 2,191.86, acumula estonteantes 29% - graças à enxurrada de dinheiro despejada pelos bancos centrais ao redor do mundo.

Gradualmente alguns estados americanos e países europeus vão começando a sair do isolamento-completo após a taxa de contaminação estar diminuindo, mas o grau de incerteza que ronda a contenção da pandemia e a velocidade da retomada econômica causa desconforto entre todos.

O antiviral Remdesivir (da farmacêutica Gilead Sciences) foi liberado na sexta-feira pela agência de administração de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, para tratar pacientes com o COVID-19 que apresentem quadros mais críticos. O estudo feito pelo laboratório apresentou uma redução do tempo de recuperação dos enfermos em 31% e diminuiu o índice de fatalidade de 11% para 8%.

Enfim algumas boas notícias!

No Brasil, Jair Bolsonaro tratou de rapidamente dar segurança aos mercados da permanência de seu ministro Paulo Guedes e o presidente acelera a aproximação com o centrão no congresso trazendo esperanças aos investidores para aprovações de reformas emperradas há algum tempo.

O CRB subiu nos últimos cinco dias liderado pelos ganhos das matérias-primas energéticas, do suíno-magro e do açúcar – todas com dois dígitos percentuais de alta – e o café em Nova Iorque ficou de lado após testar o suporte do meio de março.

Uma ótima semana a todos com muita saúde e cautela,

Rodrigo Costa*

Campanha #BEBACAFÉ reúne cafeterias e empresáros para estimular consumo durante epidemia

Cafeterias, microtorrefações, produtores e baristas promovem um campanha de estimulo ao consumo coletivo da bebida,  criado para enfrentar o desafio do isolamento imposto pelo coronavírus. O Grupo Grão Coletivo reúne mais de 200 profissionais do mercado. 

O objetivo principal do grupo é promover o consumo da bebida, com o fechamento dos estabelecimentos e a necessidade de isolamento nos grandes centros. A campanha vai mostrar como comprar cafés nesse momento, via delivery, maneiras de preparar a bebida em casa e armazenar corretamente e até formas de escolher métodos, utensílios para o preparo de cafés especiais. Os profissionais do Grão Coletivo querem chamar a atenção para o colapso que pode impactar toda a cadeia produtiva do café por conta do isolamento exigido para combater o coronavírus, que impede o fluxo de consumidores e reduz o comércio do grão. 

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A campanha está focada nas redes sociais do @grão.coletivo, com o uso da hashtag #bebacafé, envolvendo empresas e profissionais desse agitado mercado. A primeira fase destaca a curadoria de cafés feita nas cafeterias, que selecionam os melhores produtos para “servir sempre a melhor xícara”. Os estabelecimentos entregam em casa os cafés torrados ou moídos, personalizando o pedido do cliente. Microtorrefações e as cafeterias têm a preocupação e o cuidado de entregar o café fresquinho, no formato de delivery que adotam. Algumas incluem quitutes deliciosos para acompanhar a entrega, como bolos e o tradicional pão de queijo – atendendo à demanda dos consumidores. 

A segunda fase da campanha tratará da importância do consumo de café em casa e de como tornar esse momento mais prazeroso. Neste período de altos e baixos emocionais, o conforto de saborear uma bebida que faz parte da memória afetiva ganha outros contornos. O carinho no preparo, o uso de utensílios diferentes e até o charme na hora de servir podem fazer da experiência um ritual de paz e tranquilidade. Para quem necessita estímulo para seguir no trabalho em casa (home office), o café é fundamental. 

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A terceira fase da campanha coloca à frente o time de baristas, profissionais mais impactados com o fechamento das cafeterias. Eles trazem dicas para os apreciadores prepararem com cuidado e técnica o seu querido café em casa. Como preservar o produto, no armazenamento, como preparar e como higienizar os utensílios e as melhores receitas são algumas das dicas vão apresentar em lives nas redes sociais do projeto. 

O GRÃO COLETIVO
É um grupo composto por mais de 200 empresários de todo o Brasil que trabalham com café especial em diferentes segmentos. Há desde empreendedores de nanocafeterias a proprietários de redes, franquias, microtorrefações, um time de baristas, especialistas no serviço de café, e ainda os pesquisadores e produtores de eventos com café.
O grupo foi criado no início da quarentena para ser uma rede de apoio mútuo entre os empresários e profissionais. Informações práticas e técnicas que colaborem com a sobrevivência dos negócios respeitando os profissionais envolvidos, manuais de boas práticas e legislação são compartilhadas real time para a tomada de decisões essenciais no momento. A criação de projetos de sustentação a esse setor é um dos caminhos que o grupo vem encontrando para dar continuidade a seus negócios e ao hábito indissociável da cultura brasileira.

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA 
Luiza Estima (55.11.) 99947.3056 – [email protected]

 

Fonte:
Archer Consulting

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