Mercado de café - AINDA EM ÁREA DE TURBULÊNCIA

Publicado em 07/08/2010 12:10 1245 exibições
*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting


A taxa de desemprego nos Estados Unidos se mantém nos 9.5% por mais um mês. A “criação” de postos de trabalhos foi mais uma vez negativa, com perda de 131 mil posições, mais do que o dobro do que esperado, e o o número divulgado há um mês foi revisado para uma perda de 221 mil postos, ao invés dos 125 mil que havia sido informado.

As bolsas de ações mesmo assim encerraram a semana com ganhos de mais de 3% na Europa , e de 1.50% nos Estados Unidos. O ânimo provém de declarações positivas do panorama por parte das autoridades financeiras na Europa, e da percepção de uma parte dos investidores de que os governos devem reagir com estímulos (manutenção ou novos) caso uma nova ameaça de retração econômica aconteça.

Os principais índices de commodities também oscilaram positivamente, impulsionados principalmente pelos grãos, metais e energia. O café em Nova Iorque começou a semana fazendo uma nova alta**, US$ 181.50 centavos, fechando no mesmo dia com perdas, o que desencadeou tomada de lucro por parte de especuladores nos dias seguintes. A performance dos últimos cinco dias foi de queda de US$ 11.77 por saca na ICE, US$ 5.52 por saca na LIFFE, e US$ 9.30 na BM&F.

Mais uma vez as sessões foram dominadas pela atividade de rolagem das posições, dado que o primeiro dia de notificação do contrato de setembro está próximo – dia 23 de agosto. Os fundos adicionaram um pouco mais de compras nos seus livros, e também rolaram suas posições compradas para o contrato de dezembro, o que causou o enfraquecimento do spread setembro/dezembro para US$ 1.30 centavos por libra negativos (primeiro mês mais barato do que o segundo mês).

O mercado físico teve um fluxo bom de mercadorias no Brasil, Vietnã e Indonésia (quando a bolsa subiu), enquanto que as outras origens continuam basicamente observando os preços e aguardando a chegada de suas safras. A indústria de torrefação nos Estados Unidos e na Europa começaram a ajustar o preço do torrado e moído, em torno de 8% a 10%, e fala-se que logo veremos preços mais altos no Brasil. Com isso, o mercado futuro recebe mais fixações de preços, principalmente contra o contrato de setembro, e ganha um pouco de fôlego. Vale lembrar que historicamente quando os torradores incrementam preço, há uma reação imediatamente positiva do terminal e depois na sequência perdas significativas ocorrem, principalmente quando a bolsa teve uma puxada muito forte.

De novidade tivemos a divulgação dos estoques brasileiros pela CONAB, que informou que havia 14.656 milhões de sacas no Brasil no dia 31 de março último, o que sugere um estoque de passagem próximo de 2 milhões de sacas. Certo ou errado, a percepção do mercado é de que o número foi de no mínimo 5 milhões de sacas, o que neste momento não parece importar muito pois os preços subiram de qualquer forma.

Outra conversa que tem ganhado mais espaço no noticiário é o prognóstico de que teremos um ano do fenômeno climático chamado de La Niña, que continuará a causar chuvas excessivas nas áreas de produção da Colômbia – que foi um dos principais motivos para a queda acentuada da safra no país há 2 anos atrás. No Brasil alguns falam de tempo muito seco no cinturão de café, o que pode prejudicar a safra de 2011/2012, algo que parece um pouco prematuro.

Independentemente disto, os diferenciais firmes, a distância de cerca de dois meses da entrada da safra colombiana, e a recente corrida dos torradores para cobrirem o atraso de suas compras de futuros de setembro, são motivos suficientes para ainda dar esperanças aos altistas de que novos ganhos aconteçam na bolsa.

Técnicamente o mercado não está de todo ruim, mas é importante voltar logo acima de US$ 171.50 centavos em Nova Iorque, e principalmente se segurar acima de US$ 160.00 e US$ 155.40 para evitar uma onda forte de liquidação que poderia levar preços para US$ 145.00.

A volatilidade implícita cedeu 3% na semana, mas ainda deixa muitos participantes desconfortáveis para o vencimento de setembro que acontece na sexta dia 13.

Em São Paulo o medo de “squeeze” no contrato da BM&F começa a diminuir com a queda forte do número de contratos em aberto do setembro, muito embora o spread ainda esteja invertido. Mas se finalmente o mercado americano começar a ceder em função da maior disponibilidade de produto brasileiro, da proximidade da safra de Colômbia e América Central, dos torradores estarem menos descobertos do que anteriormente (depois do aumento do torrado e moído) e finalmente com os fundos tendo uma posição comprada grande, eu creio que não só a estrutura do “C” enfraquecerá um pouco (nada significante) mas também o setembro/dezembro na BM&F entrará em desconto novamente.

Mantenham seus cintos de segurança afivelados pois continuamos em área de turbulência

Uma ótima semana e muito bons negócios para todos.
Rodrigo Costa* 

Fonte:
Archer Consulting

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