Mercado de Café: Especuladores servindo aos dois lados da cadeia

Publicado em 18/07/2011 08:00 938 exibições
Comentário Semanal - de 11 a 15 de julho de 2011.
O complicado cenário político mundial não tem poupado os principais líderes das grandes economias, que tentam apagar vários focos de incêndio ao mesmo tempo. Nesta semana um dos destaques foi a aparição do presidente Barack Obama enfatizando em tom de extrema urgência a necessidade do congresso americano em chegar a um acordo para aprovar o aumento do teto de endividamento do país. Este aliás é um dos motivos que levou agências de risco a alertarem uma possível revisão negativa dos títulos da dívida dos Estados Unidos – o que seria uma catástrofe para todo o mundo.

Na quarta-feira o presidente do Banco Central, Ben Bernanke, animou investidores depois de declarar que um novo plano de compra de títulos não deve ser descartado como uma das opções do FED. No dia seguinte porém, Bernanke negou estar propondo mais injeção de dinheiro para compra de ativos, e o ânimo virou depressão rapidamente.

Na Europa a crise de confiança se agravou no começo da semana com líderes da região admitindo uma reestruturação da dívida Grega como parte de um novo pacote de auxílio. Com isto a Espanha e a Itália foram rapidamente sugadas para o olho do furacão, vistos como alvos mais próximos de entrarem em uma situação insustentável de financiamento. A última tratou rapidamente de aprovar cortes nos gastos internos e teve uma demanda acima do esperado em leilão de seus títulos, dissipando um pouco do pânico.

As notícias ao redor dos temas acima trouxeram oscilações fortes para as moedas, com o Euro chegando a negociar abaixo de 1.3900 para na sequência voltar a firmar para cima de 1.4200.
Os mercados acionários sofreram fortes quedas, com perdas de quase 5% na França e de mais de 2% para quase todas as outras bolsas do mundo. Por outro lado os índices das commodities subiram no período, ajudados pelas altas dos mercados de grãos, energia e metais preciosos.

O café em Nova Iorque teve perda menor apenas do que a do algodão, que impressionantemente caiu outros 12.97% nos últimos 5 dias (acumulando perdas de 52.70% desde o pico visto no dia 7 de março).

O arábica caiu US$ 12.90 por saca na ICE e US$ 8.75 por saca na BM&F , e o robusta cedeu US$ 9.96 por saca da LIFFE. Desta forma depois do mercado na semana passada ter dado chances paras os produtores venderem um pouco de seus estoques, esta semana foi a vez da indústria aproveitar para comprar o “flat-price” (futuros).

Os volumes negociados nos mercados futuros foram abaixo da média, e a volatilidade no “intraday” permaneceu alta. Isto porquê os interesses de compradores e vendedores estão distantes entre US$ 10 a US$ 15 centavos por libra, e neste miolo quem participa da atividade é basicamente o especulador de curto-prazo.

Os diferenciais no mercado físico tem se comportado como esperado, não tanto pelos níveis que tem sido negociados, mas sim em estarem “barateando” (alargando no caso do Brasil) com a subida do terminal e encarecendo (estreitando) nas baixas da bolsa. Os naturais em geral ficaram mais firmes recentemente, enquanto os suaves sofrem com uma demanda reduzida, dado os preços que são pedidos por eles em comparação aos não-lavados. No “spot” há uma quantidade significativa de cafés da Colômbia e da América Central, ratificando a mudança de preferência dos torradores.

A procura da indústria para embarques de setembro em diante está começando, segundo um grande negociador mundial, um pouco mais cedo, com consultas mais constantes nesta semana. Este fator pode prover suporte aos preços abaixo de US$ 250.00 centavos, base “C”, muito embora os fundos tenham apenas 6 mil lotes de posição vendida e possam rapidamente voltar a ter 12 mil (o que pressionaria Nova Iorque para próximo de US$ 240 centavos). Caso o nível seja visitado, e caso republicanos e democratas nos Estados Unidos cheguem finalmente a um acordo com relação ao teto dos débitos no país, creio que será uma boa oportunidade de compra. Com a colheita brasileira acima de 60%, e uma aparente antecipação da “temporada de compra” dos torrefadores, só mesmo novos efeitos negativos macroeconômicos podem levar o “C” abaixo do “limite” inferior do intervalo de 240 / 270 centavos que venho mencionando há algumas semanas (e palestras), e que deve ser o “range” por algum tempo.

Fonte:
Archer Consulting

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